OPINIÃO

O crepúsculo da liberdade e a ilusão da ordem

  

O início de mais um ano nos impõe uma reflexão incômoda, mas necessária. Enquanto as famílias tentam projetar esperança, os noticiários nos bombardeiam com uma realidade sangrenta: um janeiro marcado por mortes e sequestros que parecem desafiar qualquer resquício de autoridade constituída. Surge, então, a dúvida legítima: o caos é novo ou a onipresença da internet apenas removeu o véu que escondia a nossa barbárie cotidiana? É provável que a ausência de conectividade no passado nos poupasse do horror em tempo real, mas o que vivemos hoje vai além da mera exposição; vivemos a institucionalização da insegurança.

Essa desordem interna não é um fenômeno isolado, mas o reflexo de um enfraquecimento das instituições que deveriam prezar pela ordem e pela liberdade. Quando olhamos para além de nossas fronteiras, o cenário é de alertas máximos. A situação na Venezuela é o exemplo acabado de como a liberdade é um artigo de luxo que se perde rapidamente. Mesmo após movimentos externos e a saída de figuras centrais como Maduro pela mão dos EUA, o que vemos é a permanência de uma estrutura de poder apodrecida que continua a prender e exterminar opositores. O sistema, quando corrompido, sobrevive aos seus tiranos.

No Brasil, o cenário político em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro e o constante cerceamento de narrativas acendem o sinal amarelo, ou talvez já estejamos no vermelho. A pergunta que ecoa nos lares de quem ainda preza pela liberdade de pensamento é: em quanto tempo atingiremos o estágio de servidão total? Ou pior: será que já atravessamos a fronteira e estamos apenas em um estágio de negação, caminhando a passos largos para nos tornarmos uma versão tropical da Coreia do Norte?

A diferença entre uma democracia plena e um regime totalitário não se dá apenas pelo fuzil, mas pelo controle da palavra e do pensamento. Quando as leis deixam de ser claras e passam a ser interpretativas, ao sabor das conveniências de quem detém a caneta, a segurança jurídica morre. Sem segurança jurídica, não há liberdade. O Jornal Cabeço Negro mantém-se firme no princípio de que a liberdade de expressão é inegociável. Não podemos aceitar que o Brasil se torne um imenso pátio de prisões políticas e silenciamentos, sob o pretexto de uma "democracia" que só existe no papel.

O ano que se inicia exige coragem. Se o caos sempre existiu, que a tecnologia hoje sirva não apenas para nos assustar, mas para nos organizar em defesa dos valores conservadores que sustentam a civilização: a vida, a propriedade e a liberdade absoluta de crer e falar.

O espelho venezuelano está à nossa frente; cabe a nós decidirmos se queremos quebrar o vidro ou aceitar o reflexo.