
Apiúna é uma cidade de gente trabalhadora, raízes fortes e desafios proporcionais ao seu tamanho. No comando dessa engrenagem está Marcelo Doutel da Silva, um prefeito que não esconde suas origens e que, após cinco anos de gestão - quatro do primeiro mandato e o início da reeleição, afirma ter encontrado o equilíbrio entre a austeridade financeira e o canteiro de obras. Em entrevista exclusiva ao Jornal Cabeço Negro, o prefeito faz um balanço detalhado de suas realizações, revela os bastidores da organização do caixa e reafirma suas convicções conservadoras e de direita, deixando claro que, para ele, a ideologia e a gestão caminham lado a lado.
ENTREVISTA
Jornal Cabeço Negro: Prefeito Marcelo, o senhor completa agora cinco anos à frente da prefeitura de Apiúna. Como foi esse percurso, saindo de um mandato de aprendizado para uma reeleição consolidada em um município de recursos escassos?
Prefeito Marcelo Doutel da Silva: Tem sido um aprendizado constante. Quando assumimos, o primeiro passo foi organizar o caixa. Em município pequeno, você não pode errar o passo; cada centavo precisa ser planejado. Viemos aprendendo a gerir com o pé no chão, priorizando obras que atendam todos os bairros de forma equilibrada. Organizamos a casa para que os investimentos não fossem apenas promessas, mas realidades que mudam a vida da nossa gente. Hoje, após cinco anos, temos uma prefeitura com saúde financeira e uma gestão muito mais experiente.
CN: No setor de infraestrutura, especialmente visando o desenvolvimento econômico, quais foram as entregas mais marcantes até aqui?
Marcelo: Alinhamos o crescimento com a necessidade prática da população. Destaco a ciclovia no Ribeirão São Luís, ligando o posto fiscal ao bairro, o que é vital para nossa área industrial. Fizemos o pavimento asfáltico do Ribeirão São Luís e revitalizamos o posto fiscal, trazendo inclusive uma ponte de ferro, da antiga Estrada de Ferro Santa Catarina, que hoje serve à Secretaria da Indústria, Comércio e ao nosso turismo. Além disso, pavimentamos ruas importantes como a Germano Roedel, a Rua 30, a Rua 20 e a Rua Ervin Deola. Chegamos ao Ribeirão Carvalho com pavimentação e fechamos a quadra do Ribeirão Basílio. São obras que tiram o morador do barro e trazem dignidade.
CN: Apiúna ganhou destaque nacional com o REURB. Como está esse processo de regularização fundiária?
Marcelo: Esse é um orgulho nosso. proporcionalmente ao número de habitantes, Apiúna é a primeira do país no REURB. Já atingimos mais de mil matrículas entregues. É a segurança da propriedade para o cidadão, o direito de dizer "isso é meu" no papel. Isso movimenta a economia e dá tranquilidade às famílias conservadoras da nossa cidade.
CN: A educação infantil e o atendimento nos bairros também receberam atenção especial. O que o senhor destaca nessas áreas?
Marcelo: Fizemos a Escola ELI, focada na educação infantil para crianças até quatro anos, totalmente adaptada. Investimos cerca de um milhão de reais em pavimentação do Bairro Subida e em reforma da escola naquela localidade. No São Pedro, compramos o terreno e fizemos a tão sonhada quadra. Outro ponto estratégico foi a abertura da rua do posto fiscal, ligando-o diretamente ao centro. E não paramos: estamos reformando escolas como a de Santa Rosa, onde removemos toda a cobertura antiga que sempre dava problema e estamos colocando uma estrutura metálica moderna, tipo "sanduíche", para acabar com as goteiras de vez.
CN: O senhor inaugurou recentemente a Unidade de Saúde do Posto Fiscal. Qual o impacto dessa obra para a comunidade local?
Marcelo: Essa unidade já é fruto deste segundo mandato. Ela atende o loteamento Helena Morro e o entorno do Posto Fiscal, uma região que cresceu muito. Agora, esses moradores não precisam mais se deslocar até o centro para serviços básicos. É uma exigência do Ministério da Saúde que estamos cumprindo com excelência, levando a saúde para perto das pessoas.
CN: Quais são as "obras de impacto" previstas para os próximos meses? Ouvimos falar de investimentos vultosos.
Marcelo: Estamos prestes a iniciar uma das maiores obras da nossa história: o asfalto na Vargem Grande. Um investimento de aproximadamente 8 milhões de reais, sendo 2 milhões em saneamento e 6 milhões em pavimentação. Quem mora na Vargem Grande, Jundiá ou Bracinho não passará mais pelo chão batido. Outro grande sonho é a ponte de concreto da margem esquerda, uma obra de 20 milhões de reais já com recurso liberado pelo Governo do Estado. Estamos vencendo a burocracia ambiental e de desapropriação para começar em até 90 dias.
CN: A área da saúde no interior também será contemplada?
Marcelo: Sim, temos recurso em caixa para reformar e ampliar todas as unidades de saúde do interior ainda este ano. Além disso, teremos a escola mais rápida do estado: a ampliação da Escola Victória Cerutti de Petters. Iniciamos em dezembro e entregaremos agora em fevereiro. São 2 milhões de reais para 8 novas salas modernas e acessíveis. O recurso já está garantido.
CN: Sobre a Casa Mortuária, houve uma reforma recente, mas a população questiona sobre a necessidade de mais espaço ou uma segunda capela. O que está sendo planejado?
Marcelo: Reformamos a capela e ela ficou maravilhosa, oferecendo muito mais conforto. Sobre o espaço “Casa do Artesão”, na antigaa casa das freiras, meu objetivo particular é fazer uma segunda capela ali. Estamos avaliando. Outra opção é utilizar uma igrejinha antiga lá no cemitério, que tem um valor histórico, ou até adaptar unidades de saúde antigas que ficaram sem uso após as novas serem construídas, como na Vargem Grande. Queremos oferecer esse acolhimento digno às famílias em momentos difíceis.
CN: Prefeito, falando de gestão financeira, como está o caixa da prefeitura hoje?
Marcelo: No mandato passado, economizamos cada centavo, chegamos a cancelar festa do município para honrar compromissos. Hoje, com mais experiência e influência política, o caixa tem sobra. Temos recursos para contrapartidas e até uma reserva para comprar a Sociedade Esportiva Recreativa, só aguardamos a diretoria organizar a documentação. Apiúna hoje tem crédito e credibilidade.
CN: Para encerrar, como o senhor se posiciona politicamente hoje e qual sua mensagem para o povo apiunense?
Marcelo: Minha posição é clara: sou de direita e conservador. Defendo a meritocracia, sou contra cotas ideológicas e totalmente contra a linguagem neutra nas escolas. Meus princípios e valores são esses. Sobre recursos, dinheiro não tem cor; busco emendas de todos os partidos, inclusive do PT, para beneficiar o povo, mas minha bandeira é o apoio ao governador Jorginho Mello, que tem a mesma ideologia de ordem e progresso. Sou apiunense raiz, botafoguense e tenho uma gratidão imensa por essa oportunidade. Vou provar que, com experiência, o segundo mandato será ainda melhor que o primeiro. Gratidão a todos!
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