PASSANDO A LIMPO

O equilíbrio entre a assistência, o planejamento e a responsabilidade

  

"A política não deve ser o destino de quem busca riqueza, mas o fardo de quem busca a ordem e o progresso da sua própria terra." Ailton Carlos Coelho


A política de resultados se faz em duas frentes: na resposta rápida às crises que batem à porta do cidadão e no planejamento estratégico que busca recursos onde eles estão. Esta
semana, acompanhamos o esforço de Apiúna em socorrer os atingidos pelo granizo, a pujança e os desafios da saúde em Ascurra, e a peregrinação necessária dos nossos gestores
na capital federal. O viés é claro: governo eficiente é aquele que ampara quem precisa, mas exige responsabilidade de quem usufrui.

Resposta rápida ao granizo
É preciso reconhecer quando o braço do Estado funciona com agilidade. O granizo do último dia 31 de janeiro trouxe prejuízo e angústia, mas a resposta da Prefeitura de Apiúna e da Defesa Civil do Estado foi precisa. A entrega de telhas para as 34 famílias cadastradas em tempo recorde mostra que o Plano de Assistência Humanitária saiu do papel para a prática.
Agora, o olhar deve se voltar ao campo. A Secretaria de Agricultura está correta em levantar as perdas no setor agrícola. O produtor rural é o pulmão da nossa economia e não pode ser deixado à própria sorte após o decreto de emergência ser aceito. Estaremos de olho para que o apoio chegue à ponta com a mesma velocidade da assistência urbana.
Saúde: Investimento público e descaso individual

Em Ascurra, os números da Policlínica Municipal, inaugurada em março de 2025, impressionam: mais de 5.200 atendimentos em menos de um ano. Especialidades como pediatria e endocrinologia mostram que o investimento local reduz o sofrimento de quem precisava viajar para ser atendido. É o dinheiro do imposto retornando em serviço.
Entretanto, um dado é revoltante: 1.871 faltas. Quase duas mil pessoas simplesmente não apareceram e não avisaram. Isso não é apenas falta de educação, é um atentado contra o patrimônio público e contra o próximo que aguarda na fila. O prefeito Arão Josino está coberto de razão ao cobrar colaboração. O sistema de saúde é pago por todos nós, e cada falta representa dinheiro jogado no lixo e uma oportunidade de cura negada a outra pessoa. É hora de consciência: direito à saúde implica no dever da responsabilidade.

O "garimpo" de emendas em Brasília
Enquanto isso, nos corredores de Brasília, o prefeito de Apiúna Marcelo Doutel, o vice Jean Benvenutti, o prefeito de Ascurra Arão Josino e muitos outros prefeitos, enfrentam o que muitos
chamam de "glamour", mas que na verdade é uma rotina exaustiva de espera nos corredores para ser atendido pelos parlamentares. Arão foi cirúrgico: existem R$480 milhões (R$30 milhões para cada um dos 16 deputados) disponíveis em emendas dos deputados catarinenses. Quem não se faz presente, não leva.
A notícia de que Apiúna já garantiu, além dos recursos prometidos no final de 2025, R$2,3 milhões extras, sendo 70% destinados à saúde, é uma vitória que deve ser celebrada, mas com cautela. O prazo final para liberação é abril, devido ao ano eleitoral.
Não há tempo para burocracia ou ideologias baratas; o que importa é o recurso entrar no cofre do município para ser transformado em asfalto, remédio e segurança.
O conservadorismo que defendemos é esse: o da política que serve ao povo, e não ao político.

A eficiência pública exige responsabilidade individual
Seja no conserto de um telhado destruído pelo clima, na gestão de uma fila de espera médica ou na busca por emendas parlamentares, o fio condutor deve ser a eficiência.
Apiúna e Ascurra mostram dinamismo, mas o cidadão precisa fazer sua parte. Não adianta cobrar do prefeito se o indivíduo não zela pela própria consulta agendada. A prosperidade do nosso Vale depende da soma entre a competência de quem governa e a maturidade de quem é governado.
Passemos a limpo a nossa própria conduta antes de exigir o mundo.