PASSANDO A LIMPO

O cerco se fecha e a barbárie espreita

  

"A justiça tardia não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta."  Rui Barbosa

O início de 2026 nos apresenta um cenário de contrastes brutais em Santa Catarina. Enquanto celebramos rankings de excelência em nichos da saúde, somos confrontados com a realidade nua e crua de uma criminalidade que não respeita cabelos brancos e de uma classe política que, em alguns redutos, insiste em tratar o erário como extensão de seus bolsos. Das algemas que estalam no litoral às pauladas que silenciaram um idoso no Sul, o que se vê é a urgente necessidade de resgatarmos a ordem e a autoridade para que a civilização não sucumba ao caos.

Lixo, luxo e algemas em Garopaba

A prisão do prefeito de Garopaba, Júnior de Abreu Bento, nesta quinta-feira, é mais um capítulo sombrio da chamada "Operação Coleta Seletiva". É irônico — e trágico — que o setor de resíduos sólidos, algo que deveria servir para manter a higiene e a ordem urbana, esteja tão frequentemente atolado na lama da corrupção. As investigações da DEIC apontam fraudes que remontam a 2016, atravessando gestões e evidenciando que os vícios estruturais são resilientes.

Para o cidadão conservador, que preza pela moralidade administrativa, é inadmissível que contratos públicos sejam manipulados enquanto o contribuinte paga caro por serviços básicos. O sequestro de bens na casa de R$ 1 milhão é pedagógico, mas a pergunta que ecoa no Vale e em todo o estado é: até quando permitiremos que o lixo da corrupção seja varrido para debaixo do tapete das prefeituras sob o manto de uma falsa eficiência?

A covardia contra Virgolino

O que aconteceu em Timbé do Sul com o senhor Virgolino Borges, de 80 anos, não foi apenas um crime; foi um atestado de falência moral. Torturar um idoso por uma senha de cartão e matá-lo a pauladas é o ápice da barbárie que viceja onde a educação falha e a punição é lenta. A Polícia Civil esclareceu o caso, prendendo suspeitos de 22 e 27 anos, mas a cicatriz na segurança do interior catarinense permanece aberta. Onde está o respeito à vida e à propriedade, pilares de nossa sociedade? A impunidade histórica alimenta esses monstros, e apenas leis mais duras — sem as brechas interpretativas que tanto combatemos — podem dar um basta nesse cenário de terror contra os nossos veteranos.

O terror do PIX no Morro do Mocotó

O sequestro de jovens em Florianópolis, com extorsão via PIX e chamadas de vídeo com armas apontadas para as vítimas, mostra que a criminalidade organizada se modernizou e perdeu qualquer resquício de temor. O BOPE agiu com a maestria e a rapidez de sempre, mas o trauma psicológico dessas famílias é indelével. O crime hoje usa a agilidade da tecnologia para achacar o cidadão de bem. Santa Catarina precisa de patrulhamento ostensivo e de um combate implacável ao tráfico de drogas, que é o cordão umbilical dessas extorsões. Não há diálogo com quem aponta uma arma para a cabeça de um jovem para subtrair o suado dinheiro de uma família sob o pretexto de "causas sociais" ou desigualdades.

Saúde: O Vale Europeu fora do topo

Essa mesma desatenção que vemos na segurança parece refletir na gestão da saúde pública. O ranking dos 100 melhores hospitais públicos do Brasil trouxe um dado agridoce: embora Santa Catarina tenha sete unidades na lista, com destaques para Florianópolis e São José, o nosso Vale Europeu foi completamente esquecido. Como podemos ser uma região de tamanha pujança econômica e cultural e ainda assim sermos negligenciados na elite da gestão hospitalar? A eficiência do SUS é real em alguns polos, mas o Vale exige — e merece — o mesmo nível de investimento e acreditação.

Em berço esplêndido?

É preciso entender que Santa Catarina não pode se deitar eternamente em berço esplêndido sobre os louros de seus índices econômicos ou de sua beleza geográfica. A ordem, a moralidade e a saúde são conquistas diárias que exigem o olhar atento de cada cidadão e a mão firme de quem governa. Do lixo de Garopaba ao sangue derramado no interior, o recado é um só: a liberdade e a paz social não sobrevivem onde a corrupção e a impunidade fazem morada. Que este ano seja de um despertar conservador que nos leve a exigir o que nos é de direito: um Estado onde a lei seja o norte, a justiça seja célere e a decência seja a regra absoluta. Passar a limpo é, antes de tudo, não aceitar o borrão do descaso na página da nossa história.