
Santa Catarina ostenta, com razão, a fama de ser um dos estados mais seguros do Brasil. É um discurso que se repete em propagandas e na narrativa oficial do governo, um alívio para quem busca refúgio do caos urbano que assola o resto do país. No entanto, por trás da fachada de tranquilidade, esconde-se uma realidade que o discurso oficial insiste em ignorar. O governador Jorginho Mello, ao pintar um quadro de paraíso imaculado, falha em reconhecer que a segurança de nosso estado está, na verdade, em frangalhos, e que a tolerância à criminalidade está nos levando a um precipício.
A capital do estado, Florianópolis, que deveria ser o cartão-postal dessa alegada segurança, é um exemplo cruel e silenciado dessa falência. Existem bairros inteiros onde as ruas não são mais um espaço público, mas sim um campo de batalha. Locais onde os bandidos construíram barricadas com as lajotas da pavimentação para manterem áreas isoladas onde dominam e fazem a população de refém de suas ações. A imagem de lajotas que deveriam pavimentar o caminho do progresso sendo usadas como muro na mais clara representação da falência do Estado. Lojas, que um dia foram o coração do comércio local, hoje exibem placas de "fechado", vítimas de uma onda incessante de invasões e furtos que não encontram solução. O cidadão de bem, que investe, trabalha e paga seus impostos, é obrigado a se render à covardia e à inoperância do poder público, enquanto o criminoso age impunemente.
Essa triste realidade não se restringe aos centros urbanos. O flagrante desrespeito à ordem e à lei se estende por todo o litoral catarinense. Em uma praia do litoral norte, jovens, com a coragem que falta àqueles que deveriam protegê-los, conseguiram segurar um ladrão em flagrante delito. A atitude foi exemplar, um ato de cidadania que merece aplausos. Eles então fizeram o que a lei nos ensina: chamaram a polícia. O que se seguiu, no entanto, é o retrato da nossa mais profunda crise: após mais de uma hora de espera, o ladrão foi solto, pois a polícia alegou falta de efetivo para atender a ocorrência. Que mensagem essa falha grotesca envia à sociedade? Que o esforço do cidadão é em vão? Que o crime compensa e a lei é apenas um detalhe burocrático, sem força real?
É diante de cenários como esses que a pergunta se torna inescapável: onde iremos ou queremos chegar sem uma atitude drástica? A narrativa de que a segurança está sob controle é um conto de fadas perigoso. Precisamos de policiamento ostensivo e presente nas ruas, não apenas como resposta, mas como prevenção. Precisamos urgentemente de tolerância zero, onde cada crime, por menor que seja, seja punido de forma exemplar. A ausência de punição é o motor da escalada criminosa. A inércia de um governo que não enxerga a realidade em seus próprios bairros e praias é inaceitável.
A Lei tem de prevalecer, e é dever do Estado garantir isso, custe o que custar. A segurança não pode ser um luxo para poucos ou um mito para as propagandas. É a base de uma sociedade civilizada. O governo de Santa Catarina tem a obrigação moral e legal de parar de se orgulhar de estatísticas superficiais e começar a agir de forma enérgica para devolver a segurança real às ruas e a confiança ao povo catarinense.
A conta da omissão será paga por todos.

A sombra da impunidade sobre o paraíso
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