Por Dra. Cristiane S. Schmitz, especialista em Medicina da família e em Pediatria
A tosse protege as vias respiratórias das crianças, impede a entrada de micro-organismos, corpos estranhos, alimentos e ainda ajuda a remover as secreções. Portanto, a tosse é um mecanismo que protege as vias aéreas, mas também é um sintoma presente em várias doenças.
Ela ocorre por um reflexo complexo que se inicia com a estimulação dos receptores da tosse. Estes se situam no nariz, seios paranasais, faringe, laringe, traqueia, carina, divisão de brônquios, conduto auditivo externo, membrana timpânica, pleura, pericárdio, diafragma, estômago e esôfago, e respondem a diferentes estímulos: térmicos (mudanças de temperatura), irritativos (fumaça) e mecânicos (secreção, corpo estranho).
Ou seja, a tosse é um mecanismo de defesa para eliminar secreções e corpos estranhos das vias aéreas, além de resposta a diversos estímulos ou secreções distintas, como por exemplo na sinusite, refluxo, gotejamento pós nasal, sendo também um mecanismo de disseminação de doenças;
As infecções de vias aéreas superiores são as principais causas de tosse. A tosse nesses casos pode ter uma duração de até dez dias, podendo prolongar-se até 25 dias ou mais. Crianças saudáveis que frequentam creches e escolas podem ter até 8 a 12 episódios de infecções respiratórias por ano. Doenças alérgicas como asma e rinite também são comuns. Menos frequentes são as aspirações de corpo estranho e os problemas congênitos.
A tosse em geral é classificada em:
- aguda (até 3 semanas de duração),
- subaguda (entre 3 e 8 semanas) e
- crônica (acima de 8 semanas).
Uma em cada 10 crianças saudáveis com tosse aguda devido a infecções de vias aéreas superiores continuará tossindo após três semanas. Isso se justifica pelo fato de algumas crianças apresentarem uma hipersensibilidade dos receptores da tosse após cada infecção viral, e isto pode perdurar por semanas a meses. Estando a criança bem, é razoável esperar a resolução natural da tosse, desde que não existam sinais de alarme.
Quais os sintomas e sinais de alerta que devemos nos atentar quando as crianças apresentam tosse?
- Tosse súbita, acompanhada de asfixia (suspeitar de corpo estranho);
- Tosse progressiva, inicia leve, logo se torna mais intensa e persiste no período noturno;
- Tosse com antecedente de pneumonia de repetição;
- Quando for seca e principalmente à noite;
- Quando ocorrer em recém-nascidos e em lactentes menores de seis meses;
- Falta de ar ou chiado;
- Tosse ladrante (ou chamada tosse de cachorro)
- Tosse com catarro maior que três a quatro semanas.
- Quando estiver associada a outros sintomas como perda de peso, febre e falta de ar, por exemplo.
Como tratar a tosse?
Os antitussígenos não são recomendados de rotina, portanto, o tratamento da tosse aguda ainda se baseia em três pilares: hidratação oral, na umidificação e higienização nasal. Distintas pesquisam destacam o uso de mucolíticos como ajudantes nos quadros de tosse, mas sempre com intensa avaliação pediátrica para seu uso. A OMS e AAP sugerem um potencial benefício do mel sempre acima de um ano de idade.
A tosse, por ser um mecanismo de defesa normal do organismo, em sua grande maioria, tem uma resolução espontânea, sem uso de medicamentos específicos. Lembrar que a tosse durante um resfriado comum dura normalmente dez dias ou mais.
Quando usamos medicamentos para isso eles são sempre dirigidos para a doença de base, após um minucioso exame clínico do pediatra. Mas lembre-se que você precisa atentar se a pequenas modificações no ambiente para a melhora do quadro: evitar a exposição à fumaça de cigarro, tinta fresca, cola, inseticidas, pó, poeira e mofo, evitar uso de tapetes, cortinas e cobertores com pelos, evitar animais de estimação dentro de casa e manter o ambiente limpo. Além disso é muito importante manter o calendário vacinal atualizado.
Sempre que houver um sintoma que lhe chame a atenção ou preocupe do habitual, faça uma avaliação do seu filho.
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