Acidente na BR-470

BR-470: a rodovia mais letal de SC em janeiro de 2026 com salto de 266% nas mortes

  • Foto: Gerson Vogel, Divulgação - Acidente em Apiúna no último mês

BR-470 lidera mortes em SC com 11 óbitos em janeiro/2026 (266% mais que 2025), superando BR-101. Colisões frontais no Vale do Itajaí dominam, por imprudência e tráfego. PRF alerta: human error é principal causa. Dicas práticas ajudam motoristas a se protegerem.

A BR-470, que liga Navegantes a Campos Novos cruzando quase 20 municípios em Santa Catarina, começou 2026 de forma alarmante. Dados oficiais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram 11 mortes apenas em janeiro, um aumento de 266% em relação às três registradas no mesmo mês de 2025. Pela primeira vez, ela supera a BR-101 como a rodovia federal mais letal do estado. Por quê isso acontece? E o que você, que usa essa via diariamente, pode fazer para se proteger?

Números alarmantes: de 3 para 11 mortes em um ano

Os dados da PRF são claros e não deixam margem para dúvidas. Em janeiro de 2026, a BR-470 teve 90 acidentes, alta de 28,5% sobre os 70 de 2025. Os feridos subiram de 95 para 115, um crescimento de 21,5%. Dessas fatalidades, apenas duas ocorreram em trechos duplicados – a maioria aconteceu em single via, onde o risco é maior.

No ranking estadual de mortes em rodovias federais neste ano, a BR-470 lidera com folga:

  • BR-470: 11 mortes
  • BR-101: 8 mortes
  • BR-282: 7 mortes
  • BR-280: 1 morte

Esses números refletem uma realidade dura para quem depende da rodovia, como trabalhadores do Vale do Itajaí e caminhoneiros que escoam produção para o Porto de Itajaí. Você já parou para pensar quantas famílias foram impactadas por esses acidentes?

Vale do Itajaí: epicentro dos acidentes fatais

Todo o foco de fatalidades em janeiro ficou na região do Vale do Itajaí, entre Indaial e Ibirama – o trecho mais movimentado e urbanizado da BR-470. Destaques incluem:

  • Apiúna: três acidentes com mortes.
  • Indaial: um acidente que matou três pessoas.
  • Blumenau, Gaspar e Lontras: um óbito cada.
  • Ibirama: duas mortes na mesma colisão.

Histórias reais ilustram o drama. O entregador Michel Pérez, de Luiz Alves, freou atrás de um caminhão que parou para pedestres, mas foi prensado por outro veículo. "O susto foi grande.

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Levei três meses para dirigir de novo, pelo trauma", conta ele. Casos assim mostram como o tráfego intenso – caminhões, commuters e turistas rumo às praias – cria um caldeirão de riscos.

Colisões frontais: a principal causa de mortes

Das 11 vítimas, oito morreram em colisões frontais, duas em traseiras e uma em tombamento. Quatro eram motociclistas, sete ocupantes de automóveis. O policial rodoviário Adriano Fiamoncini, da PRF, resume: "É fato que a BR precisa evoluir na sinalização e estrutura, trechos mal sinalizados... mas a principal causa é humana, o motorista invade a pista contrária. Isso poderia ser evitado."

Fatores como imprudência, tráfego pesado e urbanização explicam o pico. Na prática, isso significa ultrapassagens arriscadas em curvas cegas e falta de atenção em horários de pico.

Dicas práticas para rodar com segurança na BR-470

Quer reduzir seu risco? Baseado nos dados da PRF, aqui vão ações concretas:

  • Evite ultrapassagens frontais: respeite a faixa e sinalização. Em trechos single via, espere o duplicado.
  • Motoristas de moto: use equipamentos de proteção e evite horários de pico no Vale do Itajaí.
  • Caminhoneiros: Mantenha distância segura e cheque frenagem antes de áreas urbanas.
  • Todos: Reduza velocidade em curvas, fique atento a pedestres e denuncie trechos ruins à PRF ou DNIT.

Na prática, uma checagem rápida de pneus e freios antes da viagem pode salvar vidas. E pressionar por duplicação? Participe de audiências públicas do DNIT.

A BR-470 não é só estatística – é a via que conecta o interior ao litoral catarinense. Com esses dados em mãos, cabe a todos nós, motoristas e autoridades, agir para reverter essa tendência letal.

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