
"A moralidade na administração pública não é uma opção, é o alicerce de uma sociedade livre."Ailton Carlos Coelho
O cenário político catarinense, especialmente o do nosso Vale, dispensa ingenuidade. Exige olhos abertos. Entre operações policiais sacudindo prefeituras vizinhas, a esquerda empenhada em desidratar nossa identidade cultural por capricho ideológico e os costumeiros embates de bastidor na Assembleia Legislativa, o cidadão de bem quer mais do que meras notas oficiais. Exige firmeza. O erário, nossas tradições e a decência na gestão não aceitam meio-termo. Muito menos omissão daqueles que foram eleitos para proteger a população.
Do passado de honra ao "Pão e Circo" de hoje
Quem acompanha minha trajetória em Apiúna sabe que transparência nunca foi discurso de ocasião. Comandei a Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo por sete anos, acumulando o desenvolvimento econômico municipal. Em janeiro, quando abríamos os preparativos para a Festa da Tangerina, a realidade era de puro suor. Eu trabalhava sem assessores ou comissões infladas. Elaborava os projetos do absoluto zero e chamava as entidades locais para o planejamento. Deu certo. As edições de 2001 e 2002 atraíram mais de 30 mil pessoas com custo praticamente nulo ao município. Buscávamos apoio direto com o empresariado e o Estado, amparados em planilhas financeiras rigorosas. Sem desvios.
Negócios escusos sempre rondaram o setor de eventos. Cansei de ver proprietários de parques de diversões e de bandas oferecerem vantagens indevidas para subverter a preferência popular em troca de propina. O prefeito da época pedia paciência para evitar atritos políticos, mas minha resposta era uma só: intransigência absoluta. Nunca frequentei balcões de negócios corrompidos. Jamais dividi mesa com a desonestidade. Tanto que meus opositores, ao assumirem o poder em seguida, devassaram minhas contas por dois longos anos na tentativa de achar uma única mácula. Saíram de mãos vazias. A lisura da minha gestão foi total.
Hoje o cenário assusta e revolta quem paga impostos. Despendem-se fortunas públicas com entretenimento enquanto a malandragem busca parceiros em cada esquina. A Operação "Pão e Circo", deflagrada pelo GAECO para apurar fraudes no setor de festas em Santa Catarina, mostra a gravidade da situação no nosso estado. Já circulam abertamente nas redes sociais áudios de um vereador de Indaial mencionando prefeituras onde realizou festividades em 2024. É um escândalo grave, revelado originalmente pelo Jornal Razão de Tijucas, o maior veículo on-line do país nesse segmento. É esperar para ver onde isso vai terminar.
A prefeitura de Apiúna agiu corretamente ao colaborar com as diligências policiais e disponibilizar os documentos solicitados. Informou oficialmente que não há investigação contra a atual administração ou servidores. É o mínimo que se espera de uma gestão séria. Mas o episódio fica como um aviso urgente aos prefeitos da região: o imposto do trabalhador existe para gerar saúde, infraestrutura e desenvolvimento real, não para bancar farras caras.
A sanha ideológica contra o nosso Vale Europeu
Imagem de internet
O catarinense também precisa gastar energia para frear o oportunismo da esquerda, empenhada em reescrever nossa história de gabinete. O deputado estadual Marquito, do PSOL de Florianópolis, protocolou um projeto de lei esdrúxulo para revogar a denominação oficial da Região Metropolitana do Vale Europeu. A alegação é aquela velha conhecida das cartilhas progressistas: o termo atual supostamente "invisibilizaria" a contribuição histórica dos povos indígenas.
Esse revisionismo barato ignora a geografia e a própria organização do Estado. O deputado Napoleão Bernardes (PSD) foi preciso ao liderar a oposição a esse acinte na Comissão de Constituição e Justiça da Alesc. O SIHORBS e a Intersindical Empresarial de Blumenau agiram rápido ao manifestar repúdio público em defesa de um patrimônio que pertence à nossa economia.
Mudar lei não confere dignidade a índio nenhum. O topônimo "Itajaí" é de raiz tupi-guarani, o que prova que a herança dos povos originários já está integrada à nossa geografia regional de forma natural. O Vale Europeu é uma marca consolidada internacionalmente. Ela exalta o labor, a arquitetura, a gastronomia e o sangue dos imigrantes portugueses, alemães, italianos, austríacos e poloneses que ergueram estas cidades do absoluto nada. Tentar destruir essa identidade de mercado e turismo é pura cortina de fumaça ideológica. Coisa de quem prefere dividir a sociedade a trabalhar de verdade.
A hipocrisia da fiscalização petista
No Parlamento estadual, o líder do PT na Alesc, deputado Fabiano da Luz, formalizou um requerimento exigindo explicações detalhadas sobre os gastos do governo de Jorginho Mello com outdoors institucionais dos programas Estrada Boa e Estrada Boa Rural. Cobra contratos, valores investidos e custos de cada estrutura sob o argumento de fiscalizar a máquina pública em ano eleitoral.
O pedido carrega um cinismo indisfarçável que o eleitor catarinense percebe de longe. Contudo, há um ponto cego nessa discussão que precisa ser exposto. Encher rodovias federais com painéis gigantescos, sobretudo em trechos onde o Estado sequer executa intervenções, desvirtua o conceito de comunicação pública. É publicidade estéril.
Se o governo estadual deseja prestar contas de verdade e mostrar o destino dos tributos, o caminho não é a margem da estrada. O cidadão quer ver o edital impresso na sua mão, no periódico da sua cidade. É na imprensa local e nas rádios comunitárias que a comunidade se informa e acompanha os atos públicos. O resto é vaidade governamental paga pelo contribuinte.
O rumo certo para o Vale do Itajaí
Defender nossa região exige orgulho da nossa trajetória e tolerância zero com o erário. Santa Catarina não comporta narrativas divisionistas importadas e muito menos leniência com desvios camuflados em festividades. O Vale Europeu precisa manter o rigor ético na sua governança para que o progresso continue sendo o nosso principal cartão de visitas. E ponto final.
Identidade forte, dinheiro público respeitado
O absurdo projeto do deputado Marquito (PSOL) contra o Vale Europeu
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