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“Quando a burocracia estatal sufoca a produção, a ideologia destrói a educação e a tradição é esquecida, um povo perde a sua soberania e a sua identidade." Ailton Carlos Coelho
As páginas da história recente de nossa região e do país nos colocam diante de um cenário de profundas contradições, onde a ideologia e o distanciamento da realidade prática parecem ditar os rumos das decisões nacionais. Enquanto em nossa querida Apiúna nos preparamos para celebrar a força do trabalho, da autonomia e da identidade cultural através da 27ª Tangefest, o restante do país sofre as consequências de um centralismo burocrático sufocante. Da canetada insensível de órgãos ambientais que preferem proteger pragas a salvar lavouras e sustentar famílias, ao colapso silencioso de um sistema educacional moldado pelo facilitismo demagógico. O Brasil precisa, urgentemente, passar a limpo as suas prioridades. É hora de resgatar o valor do mérito, da verdadeira preservação e do respeito a quem produz.
Tangefest: a celebração da nossa emancipação e do trabalho
O município de Apiúna se prepara para viver, entre hoje e o dia 21 de junho, a sua 27ª Tangefest. Mais do que uma festividade com shows, gastronomia e entretenimento, o evento carrega em sua essência o DNA da nossa emancipação política e administrativa. Para compreendermos o valor desta festa, precisamos voltar a junho de 1990. A primeira administração municipal completava seu primeiro ano de autonomia. Era a resposta de um povo que havia sofrido com longos anos de descaso de gestões distantes e que, finalmente, passava a determinar o próprio destino. Nasceu ali a Festa de Instalação do Município de Apiúna, a FIMA, que em sua primeira edição desafiou uma chuva torrencial para abrigar mais de três mil pessoas na Sociedade Esportiva e Recreativa Apiúna, comercializando mais de 1.500 filés e pratos típicos em um ambiente de pura cooperação comunitária entre a diretoria da SERA, Rotary Club, Secretaria de Educação e o Executivo.
Com o passar dos anos, a festa cresceu e se ramificou. Em 1996, vieram o primeiro Rodeio Crioulo, as olimpíadas interbairros e a inédita Exposição Municipal de Tangerinas. No ano 2000, o evento ganhou a identidade que conhecemos hoje: o nome Tangefest e o simpático mascote Tangerininha. Um projeto que tive a honra de criar, época em que junto com minha esposa Márcia desenvolvemos a receita do tradicional pastel de tangerina, hoje patrimônio do paladar apiunense. A festa, que passou a atrair mais de 30 mil pessoas e trouxe seu primeiro grande show nacional em 2004 com Oswaldir e Carlos Magrão, segue viva. A Tangefest é o espelho de um povo conservador, que zela por suas raízes, valoriza o agricultor e não esquece o preço e o orgulho de sua liberdade. Todos estão convidados a prestigiar aquilo que é nosso.
O império dos "ambientalóides" contra o homem do campo
Enquanto o homem do interior trabalha, Brasília legisla por meio de portarias que parecem ter mais força do que a própria Constituição Federal. O IBAMA, controlado por burocratas que jamais pisaram na lama ou sentiram o calo nas mãos, dita regras absurdas que destroem vidas humanas em nome de uma agenda ecológica radical. Atualmente, pescadores artesanais são obrigados a devolver toneladas de peixes mortos ao mar porque portarias confusas proíbem o desembarque de espécies como o bagre sob a alegação de extinção, ignorando que o verdadeiro risco corre com o cação-azul. O resultado? Desperdício criminoso de alimento e pais de família multados ao aportarem. No Norte do país, o cenário é de crueldade: ribeirinhos vivem em palhoças insalubres, sem água potável, vendo filhos adoecerem, impedidos de serrar uma única tábua de uma árvore caída à margem do rio para melhorar suas casas. O eco-radicalismo prefere a árvore intocada ao ser humano dignificado.
Essa cegueira ideológica se repete no Sul com a praga dos javalis. Esses animais exóticos destroem lavouras inteiras em uma única noite, transmitem doenças graves ao gado nacional e já foram responsáveis por ataques fatais contra seres humanos. Ainda assim, para conseguir uma licença de controle e caça, o produtor rural precisa se ajoelhar diante de uma montanha de exigências do Ibama e do Exército. Como bem definiu o deputado federal Alceu Moreira, o Brasil financia com dinheiro público farto as ONGs e os militantes que se transformaram em verdadeiros "ambientalóides". A natureza deve ser preservada, mas o homem, sua propriedade e o seu sustento devem vir em primeiro lugar.
A tragédia oculta: o "Enem dos Professores" expõe o apagão do ensino
O diagnóstico da educação básica no país recebeu um choque de realidade avassalador com os resultados das avaliações de proficiência aplicadas diretamente aos docentes da rede pública. Teste que o debate nacional justamente apelidou de o "Enem dos professores". Os dados técnicos são de chorar: mais de um terço dos professores que hoje estão dentro das salas de aula por todo o Brasil, lecionando diariamente para nossos filhos e netos, não dominam os conceitos básicos das matérias que ensinam. Quando olhamos para a matemática, o apagão salta aos olhos, pois mais da metade não compreende conteúdos básicos do ensino fundamental. Essa incompetência é o resultado direto de um ciclo vicioso: a severa falta de valorização salarial da categoria destruiu o prestígio da profissão, fazendo com que as licenciaturas sejam procuradas, majoritariamente, pelos estudantes com as piores notas e pior desempenho acadêmico. Os melhores alunos escolhem carreiras que pagam bem, restando ao ensino aqueles que mal conseguiram aprovação nas faculdades.
Para piorar esse cenário de abandono do mérito, a introdução da "progressão continuada", a famigerada aprovação automática onde o aluno não pode ser reprovado, gerou uma engrenagem que fabrica analfabetos funcionais em massa, tanto na mesa dos estudantes quanto na cadeira dos professores. Sem cobrança, com salários que não atraem talentos, sem exames rigorosos de seleção e sem punição para o mau desempenho, o sistema educacional faliu por completo. O Brasil hoje financia uma estrutura aparelhada que finge que ensina, enquanto destrói a capacidade de raciocínio das próximas gerações.
E os bons professores? Continuam se dedicando sem qualquer valorização.
Exemplo
Não há atalhos para a prosperidade de uma nação. O exemplo de Apiúna e da Tangefest nos mostra que o crescimento nasce do trabalho livre, do respeito à história e da força da iniciativa local. Quando permitimos que o corporativismo burocrático do IBAMA decida a vida do homem do campo ou que o facilitismo pedagógico destrua o futuro de nossas crianças nas escolas, estamos abrindo mão do nosso futuro. É preciso que a sociedade civil organizada reaja, resgate os valores da ordem, do mérito individual e do direito de propriedade. Que a nossa festa desta semana sirva de inspiração: um lembrete claro de que fomos feitos para produzir, prosperar e sermos donos do nosso próprio destino.
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