PASSANDO A LIMPOAilton Carlos Coelho
"O verdadeiro valor de uma obra pública não está nos discursos que a celebram, mas na herança concreta que ela deixa para as próximas gerações." Ailton Carlos Coelho

A eficiência na gestão pública e a preservação da identidade cultural são os pilares que sustentam a soberania de um município. Quando a administração trabalha com transparência fiscal e planejamento técnico, a comunidade colhe segurança, como se vê agora nos resultados contábeis de Apiúna e na atuação preventiva do Estado diante das ameaças climáticas. No entanto, o progresso local esbarra frequentemente na centralização asfixiante do Pacto Federativo, que retém a riqueza nos gabinetes de Brasília e devolve apenas as crises para os estados e municípios, deixando a saúde pública catarinense em uma situação inadmissível. Passar a limpo a nossa realidade exige reconhecer as vitórias de casa, mas cobrar, com postura incisiva, a responsabilidade de quem detém o cofre e o poder.
A história que o tempo não apaga
Assistir ao sucesso estrondoso de mais uma Tangefest me traz uma satisfação profunda, mas também uma reflexão necessária sobre a memória institucional da nossa região. Como criador desse evento que se tornou o maior símbolo cultural de Apiúna, sei exatamente o suor que foi necessário para erguer essa tradição. Ver as famílias reunidas e a economia girando consolida o propósito de um trabalho ao qual dediquei mais de 15 anos da minha vida.
A identidade da TangeFest foi moldada nos detalhes. O famoso pastel de tangerina, hoje iguaria indispensável na praça de alimentação, nasceu de uma receita desenvolvida por mim e por minha esposa, Márcia, dentro da nossa cozinha, apostando no potencial da nossa fruta icônica. Da mesma forma, o mascote Tangerininha, que ainda hoje alegra as crianças e ilustra os materiais da festa, é uma obra intelectual minha, pensada para dar um rosto humano e festivo ao nosso município. Até mesmo a trilha sonora que embala o orgulho local, a linda música Apiúna, foi composta em uma parceria minha com Edson Luiz da Silva, sendo eu o detentor dos direitos autorais.
É uma tendência natural que, com o passar dos anos e a troca de comissões organizadoras, os rostos do passado sejam esquecidos pelos palcos oficiais. O reconhecimento público dos bastidores políticos e culturais costuma ser escasso. Contudo, a minha parte foi feita com rigor e amor por esta terra. A história real não se apaga com decretos ou discursos de ocasião, ela permanece viva em cada canto do parque e no paladar de cada visitante.
Transparência que gera respeito
Enquanto a cultura brilha nos pavilhões, a burocracia técnica de Apiúna dá um exemplo de respeito ao dinheiro do contribuinte. O município acaba de alcançar a Nota A no Ranking de Qualidade da Informação Contábil e Fiscal, o Siconfi, emitido pela Secretaria do Tesouro Nacional. Essa avaliação não é um mero selo burocrático, ela mede a confiabilidade, a consistência e a transparência absoluta dos dados que a prefeitura envia aos órgãos de controle federais.
Para quem defende os princípios conservadores da boa governança, a responsabilidade fiscal é o primeiro dever de qualquer governante sério. O dinheiro público pertence ao povo e cada centavo deve ser rastreável. A conquista da Nota A coloca Apiúna em um grupo seleto de excelência administrativa no país. Esse resultado é fruto direto do trabalho silencioso e patriótico das nossas equipes contábeis, financeiras e administrativas. Quando a técnica se sobrepõe à politicagem, a credibilidade da cidade aumenta, atraindo investimentos e garantindo que os recursos cheguem onde realmente importa: na melhoria dos bairros e na vida do cidadão de bem.
O valor do planejamento estratégico no Estado
Essa mesma seriedade técnica precisa ser replicada nas esferas superiores, especialmente quando o assunto é a segurança das famílias contra as intempéries do clima. Destaco positivamente a atuação do secretário de Estado do Planejamento, Arão Josino, que liderou nesta semana a reunião do Comitê de Gestão de Crise para o enfrentamento do fenômeno El Niño. O encontro na Defesa Civil estadual reuniu o primeiro escalão do governo para alinhar ações de resposta rápida.
Conheço o preparo de Arão, um homem natural do Alto Vale do Itajaí, região que historicamente sofre com as cheias e conhece o peso da lama. Ele sabe que, contra as forças da natureza, o voluntarismo político não funciona; o que salva vidas é o planejamento integrado. Como ex-prefeito e agora secretário, Arão traz a experiência prática do chão de fábrica da política para o gabinete estadual.
Mais do que monitorar o tempo, a sua secretaria está agilizando os processos de compras públicas por meio do Escritório de Gestão de Processos, garantindo que os municípios recebam ajuda e equipamentos sem o travamento da burocracia estatal. É um trabalho de direita, focado na eficiência administrativa e na descentralização do apoio, essencial para resguardar os negócios locais e o patrimônio do trabalhador catarinense.
A conta de Jorginho Mello não fecha na saúde pública
Se no planejamento climático há avanços, a saúde pública de Santa Catarina vive um cenário vergonhoso que desmente qualquer peça publicitária de gabinete. Os dados oficiais são alarmantes: a fila de cirurgias eletivas bateu o recorde histórico e atingiu a marca de 116 mil pacientes à espera de um procedimento pelo SUS. É um aumento real desde o início da atual gestão do Estado, em 2023, quando a fila contava com 107 mil pessoas. O programa lançado com a promessa de zerar a espera em seis meses fracassou de forma retumbante.
O sofrimento da população é medido em dias de dor. A espera média por uma cirurgia de mama passa de 690 dias, quase dois anos de agonia. Procedimentos ortopédicos e de vias aéreas superam os 400 dias de atraso. Até as cirurgias oncológicas, que por lei federal deveriam iniciar em no máximo 60 dias, estão estourando os prazos legais. O Tribunal de Contas do Estado fiscalizou os anúncios oficiais e apontou a realidade: o governo estadual realizou menos da metade das cirurgias que divulga em suas propagandas de televisão. É a ficção do marketing contra a dura realidade dos hospitais.
No entanto, o oportunismo da esquerda também precisa ser desmascarado. O deputado estadual Fabiano da Luz, do PT, corre para a imprensa para criticar o governo de Jorginho Mello com esses dados na mão, mas esquece convenientemente que o governo do seu próprio partido, em Brasília, é o maior responsável pelo colapso da saúde nos estados. O governo federal do PT sufoca as federações. O sistema arrecadatório brasileiro é uma vergonha centralizadora: a União abocanha cerca de 80% de tudo o que é arrecadado em impostos no país, devolvendo apenas migalhas e repassando todas as obrigações e problemas para os governadores e prefeitos administrarem. Criticar a fila local sem combater o garrote financeiro que Brasília impõe a Santa Catarina é pura hipocrisia eleitoreira.
Balanço final
A prosperidade de uma comunidade não aceita maquiagem, seja ela nas propagandas de saúde do Estado ou nos palcos que omitem os verdadeiros criadores das nossas tradições. Apiúna mostra o caminho correto quando investe na transparência da Nota A e quando conta com lideranças do Vale, como Arão Josino, organizando o planejamento técnico no Estado. O desenvolvimento econômico e social exige a descentralização dos recursos que hoje ficam retidos na capital federal. Enquanto o Pacto Federativo não for revisto para garantir que a riqueza produzida em Santa Catarina permaneça em solo catarinense, continuaremos apagando incêndios na saúde e financiando o gigantismo de uma máquina federal que só devolve crises para os nossos municípios. A nossa força está no trabalho, na ordem e na preservação da nossa história.
A verdade dos fatos
O valor do trabalho e o império da burocracia
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