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“A verdadeira política não se faz com o marketing das aparências ou com o estelionato das falsas soluções; constrói-se com a coragem de assumir os limites da realidade e com o compromisso inegociável de proteger quem produz.” Ailton Carlos Coelho
O estelionato federal; o Vale acorda para as urnas
O cenário político e econômico desta semana exige do cidadão atento muito mais do que a mera observação passiva. Percebe-se um contraste profundo entre a seriedade administrativa que começa a dar frutos na nossa própria casa e o declínio moral ao que assistimos nas esferas superiores do poder. Enquanto Apiúna vive um momento histórico com o aval para a sua maior obra de infraestrutura das últimas décadas, forçando este colunista a reconhecer o mérito da gestão atual, o plano federal continua mergulhado na velha cartilha do oportunismo. Ao mesmo tempo, Santa Catarina enfrenta o desafio de manter as suas fronteiras seguras contra o avanço da criminalidade, ao passo que as costuras partidárias para o Governo do Estado expõem incoerências ideológicas difíceis de engolir. É hora de colocar as cartas na mesa, sem rodeios ou meias palavras.
Do sonho à realidade
Foto: Fabrício Alves / Ascom Apiúna
Na última terça-feira, 10 de junho, o prefeito Marcelo Doutel da Silva e a representante da Zanco Construtora, Fabiane, assinaram a ordem de serviço para a construção da nova ponte de concreto sobre o Rio Itajaí-Açu. Trata-se de um investimento de dezenove milhões, quinhentos e sessenta e cinco mil reais, com prazo de execução de treze meses. O canteiro de obras começará a ser montado já nos próximos dias.
Preciso ser claro com o meu leitor. Eu duvidei. Olhando para as finanças locais e para o histórico de promessas que se perdem na burocracia, considerei que uma obra deste porte estava acima da capacidade de endividamento do município. Parecia projeto mirabolante para estampar panfletos em anos de disputa.
O fato concreto, contudo, soterra o ceticismo. A canetada foi dada, o contrato está firmado e o dinheiro está empenhado. A partir do dia 16, a estrutura começará a ganhar forma diante da população. Diante disso, dou de bom grado a mão à palmatória. O prefeito Marcelo Doutel calou os críticos e demonstrou uma capacidade de articulação financeira que poucos acreditavam ser possível.
Uma ponte dessa magnitude não resolve apenas a mobilidade interna; ela redesenha o mapa econômico de Apiúna. Quando o poder público oferece rapidez para o escoamento da produção, o setor privado responde com investimentos e empregos. Que os treze meses de prazo sejam cumpridos à risca, pois nossa cidade tem pressa.
O teatro das falsas soluções e o estelionato da esquerda
Se em Apiúna testemunhamos a política do resultado, em Brasília impera o teatro do absurdo. O governo Lula criou uma estratégia perversa: criar o caos para, tempos depois, aparecer como o salvador da pátria entregando a solução para o problema que ele mesmo gerou.
O exemplo claro disso é a "taxa das bluzinhas". O atual governo passou mais de dois anos esfolando o bolso do consumidor com impostos sobre compras internacionais. Agora, de olho na rejeição crescente, o petismo ensaia uma retirada estratégica, tentando vender a derrubada parcial da taxa como generosidade. É um insulto à inteligência do brasileiro.
O enredo se repetiu no litoral. A proibição arbitrária da pesca da tainha estrangulou centenas de famílias de pescadores catarinenses que dependem dessa safra. Bastou o governo federal receber a visita de aliados interessados em votos nas bases municipais para que a proibição fosse revogada. O recado das urnas falou mais alto do que qualquer critério técnico. Governa-se para o partido e para a manutenção da engrenagem companheira, nunca pela liberdade de quem deseja trabalhar em paz.
Menos propaganda e mais controle de fronteira
Santa Catarina permanece como o estado mais seguro do país, uma ilha de ordem quando comparada ao colapso de outras regiões. Mas essa liderança não pode servir de anestesia. Nas últimas semanas, assassinatos e sequestros estamparam as manchetes locais, acendendo um alerta que não pode ser ignorado por trás de discursos triunfalistas.
O governador, de olho na reeleição, precisa passar menos tempo em peças publicitárias e focar na contenção real dos problemas. O crescimento da criminalidade está ligado à migração desordenada. Atraídos por nossa economia pujante, chegam também aqueles que não têm interesse em contribuir com o desenvolvimento do estado.
Está passando da hora de adotarmos uma postura firme na fiscalização das nossas divisas. As forças de segurança estaduais devem realizar um controle rigoroso nas fronteiras. O cidadão honesto que vem preencher vagas de trabalho deve ser acolidov. No entanto, quem possui extensa ficha criminal por delitos violentos não pode ter trânsito livre em solo catarinense. Precisamos deixar claro que Santa Catarina tem emprego para quem quer trabalhar, mas tolerância zero para a vagabundagem. Se não fecharmos as portas para o crime organizado que foge de estados falidos, perderemos o controle da nossa segurança.
A salada ideológica do PSDB e o avanço de João Rodrigues
A movimentação política no Vale do Itajaí pegou fogo. O ex-prefeito de Chapecó e pré-candidato ao Governo do Estado, João Rodrigues (PSD), comandou um ato expressivo em Indaial, consolidando uma frente ampla que reúne PSD, MDB, Progressistas e União Brasil. O anúncio de que Antídio Lunelli se integrou ao projeto fortalece significativamente a oposição no norte do estado.
O que espanta nesse tabuleiro é o comportamento do PSDB. Enquanto o diretório estadual fechou apoio à reeleição do governador Jorginho Mello, as bases tucanas do Vale do Itajaí ignoraram o comando e declararam apoio em massa a João Rodrigues. Essa rebeldia expõe a perda de identidade de uma legenda sem bússola moral.
O PSDB historicamente se posiciona como um partido de centro-esquerda, sendo responsável por blindar a agenda do PT em diversos momentos no plano federal. Diante disso, o eleitor de direita precisa se perguntar: que tipo de aliança é essa que o governador Jorginho Mello, eleito surfando na onda do conservadorismo, está costurando? Trazer os tucanos para o núcleo do poder estadual é uma afronta ao eleitor catarinense, que rejeita qualquer flerte com partidos que pavimentaram o caminho para a volta do petismo. A coerência ideológica é o patrimônio mais valioso de um homem público, e os acordos de bastidores parecem estar jogando essa virtude no lixo.
O preço da omissão e o dever de fiscalizar
O saldo desta semana nos mostra que a vigilância do cidadão não pode cessar. Quando a administração municipal acerta e viabiliza uma obra histórica como a nova ponte de Apiúna, o reconhecimento é um dever da justiça jornalística. O erro reconhecido a tempo e a humildade de dar o braço a torcer são características de quem coloca o crescimento da comunidade acima do próprio orgulho.
Por outro lado, a condescendência com os desmandos federais, com o afrouxamento da segurança pública e com o oportunismo partidário é o caminho mais rápido para a ruína das nossas liberdades. Não podemos aceitar a lógica de Brasília, que nos taxa para depois nos devolver migalhas como se fossem milagres, nem que a salada ideológica dos partidos contamine a pureza do voto conservador em Santa Catarina. O preço da liberdade é a eterna fiscalização, e este espaço continuará passando a limpo cada detalhe, doa a quem doer, todas as sextas-feiras nas páginas do Cabeço Negro.
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Entre a lei e o arbítrio
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