injúria racial

Jovem de 18 anos sofre injúria racial de cliente em loja de Florianópolis e chora por dias

  • Foto: Reprodução/NDTV - ‘Passei muito tempo chorando’, diz funcionário que sofreu injúria racial de cliente em SC

Jovem de 18 anos sofre injúria racial de cliente em loja de Florianópolis (SC), chora por dias e registra BO. Vídeo flagra ofensa; dona da loja promete justiça. Saiba o que é crime, como denunciar e impactos emocionais reais do racismo no Brasil de 2026.

Dennys Evangelista da Silva, um jovem de 18 anos, vivia uma manhã comum de trabalho em uma loja de eletrônicos na Cachoeira do Bom Jesus, no Norte da Ilha de Santa Catarina, até que uma cliente mudou tudo. Na quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, enquanto saía do estabelecimento, a mulher proferiu injúria racial contra ele, dizendo explicitamente que "não gosta de nego". O momento foi capturado por câmeras de segurança, em áudio e vídeo, e já circula como prova irrefutável. Mas o que mais choca não é só o ato: é o rastro de dor que deixou no garoto. Você já parou para pensar como uma frase pode abalar alguém por dias?

O que aconteceu na loja: relato direto da vítima

Tudo ocorreu por volta das 10h, conforme o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC). Dennys atendia normalmente quando a cliente, ao deixar a loja, soltou o xingamento pejorativo. "Eu já tive muitos dias ruins, mas esse nem se compara", desabafou o jovem em entrevista ao programa Cidade Alerta, da NDTV RECORD. Ele contou que chegou em casa e "só queria chorar". Passou horas sem vontade de levantar da cama, comer ou dormir cedo – um impacto emocional profundo que durou dias.

"Eu não sabia o que queria fazer no outro dia, não sentia vontade de levantar da cama, de comer. Fui dormir muito tarde porque passei muito tempo chorando de verdade", relatou Dennys à reportagem. Pela primeira vez na vida, ele enfrentava algo assim. Esse depoimento humaniza o caso e mostra o "porquê" do racismo ser crime: vai além da ofensa, atinge a dignidade e a saúde mental.

Reação da loja e do bairro: "Não vai ficar impune"

Mirian Colferai, proprietária da loja, não mediu palavras. "É inadmissível, em 2026, a gente estar vivendo atos de racismo. Não tem como! Pessoas assim têm que ser expostas, tem que pagar. A gente não tem nem o que falar", afirmou ela ao Cidade Alerta. Segundo Mirian, comentários racistas já haviam acontecido no local antes, mas esse foi o mais grave, graças às câmeras.
Leia também: Corretora assassinada por síndico já denunciava agressões e medo pela vida

Outros comerciantes da Cachoeira do Bom Jesus, turistas e moradores frequentes, confirmaram à NDTV RECORD que a mulher seria da região e já teria ofendido trabalhadores locais. A loja registrou boletim de ocorrência imediatamente, e o caso tramita na Delegacia de Repressão ao Racismo e Delitos de Intolerância (DRRDI) da PCSC. A reportagem da ND Mais tenta contato para atualizações sobre a investigação.

O que é injúria racial e como denunciar? Guia prático

Muitos leitores se perguntam: isso é crime mesmo? Sim, e grave. A injúria racial, prevista no artigo 140, § 3º, do Código Penal, é punida com reclusão de 1 a 3 anos e multa. Diferente do racismo (Lei 7.716/1989, imprescritível e inafiançável), a injúria foca na ofensa direta à honra por raça, cor, etnia ou origem. No caso de Dennys, o vídeo fortalece a prova.

Na prática, como denunciar em SC?

  • Registre boletim online no site da PCSC ou app Delegacia Virtual.
  • Leve provas (vídeos, áudios, testemunhas) à DRRDI em Florianópolis.
  • Busque apoio psicológico via SUS ou ONGs como o Movimento Negro Unificado.
  • Denuncie também ao Ministério Público via site ou Disque 100.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que denúncias de racismo subiram 27% em 2024, mas a subnotificação ainda é alta – cerca de 90% dos casos não chegam à polícia, segundo o IBGE. Isso reforça: falar é essencial para mudar a realidade.

Implicações maiores: por que casos como esse ainda acontecem em 2026?

Em pleno 2026, com leis rigorosas e campanhas nacionais, por que o racismo persiste? Especialistas apontam raízes estruturais: o Brasil tem 56% da população preta ou parda (IBGE, 2022), mas desigualdades persistem. Na Cachoeira do Bom Jesus, área turística, o convívio diário expõe tensões. O trauma de Dennys reflete o de milhares: estudos da USP (2023) indicam que vítimas de injúria racial têm 40% mais risco de depressão. E você, já viu algo assim no seu bairro? Denunciar não é só justiça – é prevenção.

A investigação segue, e a comunidade cobra punição. Casos como esse nos lembram que o combate ao racismo exige vigilância coletiva.

Siga-nos no