Mudança na jornada de trabalho preocupa setor empresarial em SC
Mudança na jornada de trabalho preocupa setor empresarial em SC
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O Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina, reunido na sede da FCDL, debateu o cená - Mudança na jornada de trabalho preocupa setor empresarial em SC
Federações empresariais projetam impactos negativos na economia com o fim da escala 6x1 e alertam para risco de aumento da informalidade, reajuste de preços ao consumidor e agravamento da falta de mão de obra.
A revisão da jornada de trabalho, atualmente em discussão no Congresso Nacional, foi um dos temas da reunião do Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (COFEM), realizada na segunda-feira (9). A proposta, pronta para votação no Senado, prevê a redução de quatro horas na jornada semanal a partir de 2027, sem alteração salarial.
Para o setor produtivo catarinense, por se tratar de uma mudança estrutural, com impactos profundos na economia, no emprego e na competitividade do país, a decisão exige análise técnica criteriosa e baseada em dados. Representantes das entidades empresariais também destacaram o risco de que o debate seja conduzido mais pela disputa por votos em ano eleitoral do que pela busca de soluções sustentáveis.
Impactos no custo
Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a migração para uma jornada de 36 horas semanais pode gerar um aumento de cerca de R$ 178 bilhões por ano nos custos diretos da indústria. Pesquisas da FGV/IBRE indicam que, considerando apenas o fator trabalho, a mudança pode provocar uma retração de até 11% do Produto Interno Bruto (PIB).
Outro dado destacado pelo empresariado é que 71% dos trabalhadores formais catarinenses possuem contratos entre 41 e 44 horas semanais, percentual superior à média nacional, de 60%. Na indústria, 86% dos trabalhadores cumprem jornada de 44 horas, conforme estudo do Observatório FIESC.
Cenário desafiador
Em 2025, o cenário econômico já se mostrou desafiador para diversos setores, que registraram queda significativa na produção, com perspectivas de manutenção desse quadro também em 2026.
Além de afetar o consumo das famílias, a redução da jornada pode comprometer a dinâmica do mercado formal de trabalho, provocar diminuição no número de carteiras assinadas e intensificar a pejotização, com perdas de estabilidade financeira e de segurança jurídica para os trabalhadores.
Em 2025, Santa Catarina contabilizou 2,6 milhões de empregos com carteira assinada, o que contribuiu para ampliar a segurança financeira da população, impulsionar o consumo de bens e serviços e manter o crescimento econômico do Estado acima da média nacional, mesmo em um ambiente econômico adverso.
Efeitos negativos
Entre as preocupações das entidades do setor produtivo estão o potencial aumento dos preços ao consumidor e o avanço da informalidade, como reflexo da elevação dos custos de contratação, estimados em até 25% com a redução da jornada.
A pressão sobre os custos pode levar muitas empresas a repassar esse aumento aos preços finais de produtos e serviços, com impacto direto sobre a inflação e o poder de compra da população.
Segundo o COFEM, Santa Catarina e outros estados já enfrentam um cenário de pleno emprego, com dificuldades para preencher vagas em diversos setores. A taxa de desocupação no estado foi de 2,3% no terceiro trimestre de 2025, a menor do país.
Custo Brasil
Na avaliação do conselho, o chamado Custo Brasil compromete a competitividade nacional. A combinação de insegurança jurídica, elevada carga tributária, infraestrutura deficiente e estagnação da produtividade cria um ambiente de negócios desfavorável. Nesse contexto, a redução da jornada impõe um desafio adicional, com efeitos duradouros para os quais a sociedade brasileira não estaria preparada.
Experiências internacionais
O COFEM também citou experiências internacionais. Países como Alemanha, Dinamarca e Holanda mantêm jornadas semanais de até 48 horas. A França, que adotou a redução da carga horária, discute a revisão do modelo diante dos impactos negativos, especialmente sobre pequenas e médias empresas.
Composição do COFEM
O Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina é composto pelas Federações das Indústrias (FIESC), do Comércio (Fecomércio-SC), da Agricultura (Faesc), dos Transportes (Fetrancesc), das Associações Empresariais (Facisc), das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), das Micro e Pequenas Empresas (Fampesc), além do Sebrae-SC.
Conteúdo replicado por Cabeço Negro
Criado por Rita Lombardi - REDE CATARINENSE DE NOTÍCIAS
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