cobrar cirurgias do SUS

Justiça condena o médico Lucas Saldanha Ortiz a dez anos de prisão por cobrar cirurgias do SUS

  • Foto: Gerada por IA/ND Mais/Reprodução/ - Lucas Saldanha Ortiz foi condenado a 10 anos de prisão por cobrar cirurgias gratuitas do SUS

O ortopedista exigia pagamentos ilícitos para realizar procedimentos gratuitos, ameaçando deixar pacientes em filas de espera caso as propinas não fossem pagas.

O ortopedista Lucas Saldanha Ortiz foi sentenciado a dez anos de reclusão por corrupção passiva no Paraná. O esquema envolvia cobranças de até R$ 200 por cirurgias 100% financiadas pelo SUS. O médico, com histórico de infrações no CRM-SC, explorava a vulnerabilidade de famílias em busca de atendimento urgente.

Esquema criminoso na saúde pública do Paraná

Uma decisão judicial impactante condenou o médico ortopedista Lucas Saldanha Ortiz a dez anos de prisão em regime fechado. A sentença, proferida no início de fevereiro, revela um esquema de corrupção onde o profissional cobrava valores entre R$ 50 e R$ 200 para realizar cirurgias que deveriam ser gratuitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a Justiça, o médico cometeu o crime de corrupção em pelo menos 11 ocasiões confirmadas.

O drama de uma mãe diante da extorsão

Um dos relatos mais chocantes envolve Rita, mãe de um adolescente de 14 anos, identificado pelas iniciais José A. V. S. J., que sofreu uma fratura grave no joelho. De acordo com o depoimento divulgado pelo Estadão, a perna do jovem estava visivelmente deformada, em formato de “L”. No hospital, Ortiz teria condicionado a urgência da operação ao pagamento de uma taxa de R$ 50.

Segundo Rita, o médico afirmou inicialmente que apenas engessaria a perna do garoto e o liberaria, pois a unidade estaria sem anestesista. Contudo, ao ser confrontado pela mãe sobre a gravidade do ferimento, ele disparou: “cobro R$ 50”, justificando que o valor seria para o anestesista. Desesperada, a mulher conseguiu o dinheiro emprestado com um irmão em São Paulo.

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Diálogos revelam a farsa do pagamento

A farsa começou a ruir momentos antes da cirurgia, marcada para a meia-noite. Ao questionar o anestesista sobre o pagamento, Rita ouviu uma resposta desconcertante: “Que dinheiro? Mãe, se ele pediu dinheiro para você é com ele. Eu não sei de nada”. Após a alta, uma enfermeira confirmou que o atendimento era integralmente pelo SUS e que nenhuma cobrança poderia ser feita.

Rita chegou a gravar um áudio onde questionava o médico sobre o débito, ouvindo novamente a confirmação do valor de R$ 50. O pagamento foi efetuado em dinheiro, sem qualquer emissão de recibo. Após o procedimento, o jovem ainda desenvolveu osteomielite, uma grave infecção óssea, e enfrentou novas dificuldades para conseguir atendimento enquanto o médico viajava para Santa Catarina.

Histórico de infrações no CRM

A conduta de Lucas Saldanha Ortiz já era alvo de monitoramento pelos conselhos de classe. O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) já havia punido o médico com censuras públicas em duas ocasiões:

  • 2021: Censura por ferir o artigo 32 do Código de Ética Médica, relacionado à omissão do uso de meios disponíveis para promover a saúde.
  • 2023: Nova punição por infração ao artigo 64, que proíbe agenciar ou desviar pacientes do sistema público para clínicas particulares visando vantagem pessoal.

O médico atuou também em mutirões de saúde na região da Serra Catarinense, especificamente em Otacílio Costa. A condenação atual reforça a gravidade das infrações éticas e criminais cometidas pelo profissional contra o patrimônio público e a vida de pacientes vulneráveis.

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