Porto de Itajaí

Caminhoneiros enfrentam filas e falta de estrutura no Porto de Itajaí

  • Foto: Porto de Itajaí, Divulgação - ANTC cobra cumprimento da lei e denuncia abandono de caminhoneiros em Itajaí

Caminhoneiros denunciam ao ANTC filas de 4h no Porto de Itajaí sem banheiros ou água, com famílias no caminhão. Cobram lei 13.103/2015 e promessa não cumprida. Superintendência nega, cita agendamentos e autonomia dos motoristas. Impasse afeta logística em SC.

Caminhoneiros que dependem do Porto de Itajaí, um dos principais hubs logísticos de Santa Catarina, estão alertando sobre um problema que afeta diretamente sua rotina: longas filas de espera sem o menor suporte básico. Imagine passar mais de quatro horas parado na Avenida Irineu Bornhausen, sem banheiro limpo, água potável ou um canto para descansar – e pior, muitas vezes com a família no caminhão, incluindo mulheres e crianças. Essa é a realidade denunciada pela Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Cargas (ANTC), que cobra providências urgentes.

Denúncia da ANTC: o que dizem os motoristas

A ANTC destacou em nota oficial as condições precárias enfrentadas pelos profissionais autônomos que entregam cargas no porto. Os motoristas relatam esperas excessivas para entrar no complexo portuário, sem qualquer infraestrutura de apoio. "Muitos viajam em família e cobram uma providência", enfatiza a entidade, apontando para a falta de sanitários, pontos de hidratação e áreas de descanso.

A associação vai além: acusa a Superintendência do Porto de Itajaí de não cumprir um compromisso anterior. A promessa era criar um espaço dedicado, com estacionamento, banheiros e local para descanso de motoristas e familiares. Até o momento, nada foi implementado. Isso levanta uma pergunta inevitável: como esses trabalhadores conseguem seguir a legislação sem o suporte mínimo?

Legislação em xeque: leis que protegem os caminhoneiros

Aqui entra o cerne do problema, e vale explicar de forma clara para quem não domina o tema. A Lei nº 13.103/2015, conhecida como Lei do Caminhoneiro, regula a jornada de trabalho dos motoristas profissionais, limitando horas extras e exigindo condições dignas. Já a Portaria nº 672/2021 do Ministério do Trabalho determina locais adequados para espera e descanso, com estrutura básica como banheiros e água.

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Na prática, isso significa que portos e operadores devem oferecer suporte para evitar exaustão e acidentes – um risco real em rodovias movimentadas como as de Santa Catarina. A ANTC questiona se essas normas estão sendo descumpridas no Porto de Itajaí, o que poderia gerar multas ou intervenções de órgãos fiscalizadores. Para os motoristas, o impacto é imediato: fadiga, desconforto e prejuízos financeiros com o tempo parado.

Resposta da Superintendência: "Tudo em conformidade"

A Superintendência do Porto de Itajaí rebateu as acusações em nota oficial, negando qualquer omissão ou descumprimento. "Não procede a afirmação de descumprimento de compromissos ou de omissão por parte da gestão", diz o texto. A entidade reforça que cumpre todas as normas legais e que os caminhoneiros são autônomos, sem vínculo empregatício com a autoridade portuária ou operadores.

Eles destacam sistemas de agendamento usados por empresas como a JBS Terminais: "Quando os horários são respeitados, não há formação de filas". O porto segue operando a todo vapor, gerando empregos e movimentando a economia local – um papel estratégico para Itajaí e região. Mas será que o agendamento resolve tudo para quem chega sem hora marcada ou enfrenta imprevistos?

O que isso significa para o futuro?

Esse embate entre caminhoneiros e gestão portuária reflete desafios maiores nos portos brasileiros: o equilíbrio entre eficiência operacional e direitos trabalhistas. Enquanto a ANTC pressiona por ação, a superintendência insiste na regularidade. Para os leitores que dependem dessa cadeia logística – seja como transportador, empresário ou consumidor –, fica o alerta: acompanhe atualizações de fontes oficiais, como o site da ANTC e da Superintendência do Porto de Itajaí.

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