Polícia Militar

Morte de bebê em São João Batista gera investigação por suspeita de maus-tratos

  • Foto: Jonatã Rocha/Secom/Divulgação - Morte de bebê em São João Batista gera investigação por suspeita de maus-tratos

Mãe e babá foram detidas após socorristas relatarem risadas durante pedido de socorro e sinais de desnutrição na criança de dois meses

O falecimento de um lactante sob investigação policial em Santa Catarina levanta alertas sobre negligência infantil. A demora no socorro e sinais de desnutrição sugerem maus-tratos, enquanto perícias médicas devem confirmar se a causa foi broncoaspiração decorrente de uma malformação congênita não tratada.

Comportamento atípico durante socorro médico

Um bebê de 2 meses morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória na madrugada desta terça-feira (5), no bairro Ribanceira do Sul, em São João Batista. A mãe e a babá da criança foram detidas pela Polícia Militar após levantarem suspeitas de maus-tratos e negligência. Segundo o portal G1 SC, a desconfiança das autoridades começou durante o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

A Polícia Militar foi acionada ao Hospital Monsenhor José Locks por volta das 5h50. Os socorristas relataram que receberam uma ligação perto de 3h50, mas inicialmente acreditaram tratar-se de um trote, pois a mulher que solicitava ajuda apresentava comportamento inadequado, chegando a rir durante a chamada. A gravidade só foi confirmada após uma chamada de vídeo solicitada pela equipe técnica.

O SAMU estimou que a criança já estava em parada cardiorrespiratória há pelo menos 20 minutos antes da primeira ligação. Durante o atendimento, os profissionais notaram extrema frieza e falta de preocupação dos responsáveis, que pareciam mais interessados em rotinas domésticas, como o preparo de café e compromissos de trabalho, do que com o estado do bebê.

Sinais de desnutrição e histórico de violações

Conforme o relato do médico responsável, o bebê deu entrada no hospital às 5h15 já com o corpo frio e sem reação. Após 45 minutos de manobras de reanimação sem sucesso, o óbito foi declarado às 5h30. A avaliação clínica inicial apontou sinais compatíveis com desnutrição e a presença de fenda palatina, condição que pode ter facilitado uma broncoaspiração.

O Conselho Tutelar informou à PM que o endereço da residência já possuía registros anteriores de possíveis violações de direitos. No local, a babá prestava atendimento a outras crianças regularmente. Um dos pontos que chamou a atenção das autoridades é o fato de o hospital estar localizado a apenas cinco minutos da casa.

Versões das envolvidas

Em depoimento à PM, a mãe afirmou que estava trabalhando durante a noite e deixou o filho sob os cuidados da babá. Segundo seu relato, ela recebeu uma ligação por volta das 4h para comparecer ao hospital e só tomou conhecimento da gravidade ao chegar na unidade.

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A babá, por sua vez, declarou que acordou às 3h50 para alimentar o bebê e notou que ele estava frio. Ela afirmou ter ligado para a mãe e para o SAMU por duas vezes, realizando manobras de reanimação até a chegada da ambulância. O caso segue sob investigação pericial para confirmar as causas exatas da morte.

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