Assassinato

Corretora assassinada por síndico já denunciava agressões e medo pela vida

  • Foto: Reprodução - Daiane desapareceu no dia 17 de dezembro do ano passado

Corretora Daiane Alves Souza denunciou em maio/2025 agressões do síndico Cleber e filho Maicon, temendo pela vida. Assassinada em dez/2025, corpo em Ipameri; ambos presos. E-mail revela misoginia e disputa por locações em condomínio de Caldas Novas (GO).

Daiane Alves Souza, corretora de 43 anos, enviou um e-mail desesperado em maio de 2025 ao 2º Juizado Especial Cível e Criminal de Caldas Novas. Nele, ela relatava agressões e ameaças do síndico Cleber Rosa de Oliveira e do filho Maicon Douglas de Oliveira. Encontrada morta em 28 de janeiro de 2026, após desaparecer em dezembro de 2025, Daiane já temia pela própria vida. O documento, ao qual o G1 teve acesso, expõe um histórico de violência que levanta perguntas sobre como denúncias anteriores foram tratadas.

Histórico de agressões e denúncias anteriores

Tudo começou meses antes do crime. Em maio de 2025, Daiane registrou uma queixa de lesão corporal contra o síndico Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos. Segundo o depoimento dela à polícia, durante uma discussão sobre falta de água no apartamento, Cleber a agrediu com um soco no cotovelo. Ela filmou o momento, capturando a briga no condomínio no Centro de Caldas Novas, em Goiás.

Cleber, em seu depoimento posterior, alegou que Daiane o empurrou primeiro, fazendo o celular dela cair enquanto gravava. O G1 não obteve posicionamento da defesa sobre a lesão corporal. Esse incidente não foi isolado: o e-mail de Daiane revela um padrão de hostilidade.

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Você já parou para pensar como conflitos em condomínios podem escalar para tragédias? Casos assim destacam a importância de síndicos atuarem com transparência e respeito, evitando que desentendimentos virem violência.

Ameaças do filho do síndico nas redes sociais

Maicon Douglas de Oliveira, filho de Cleber e também corretor de imóveis, intensificou o assédio. No e-mail, Daiane descreve mensagens ofensivas no Instagram, cheias de misoginia, etarismo e violência psicológica. Ele a chamava de "feto inútil", insinuava problemas financeiros dela e depreciava sua idade, tudo para monopolizar as locações dos seis apartamentos que ela administrava no prédio.

O motivo? Competição profissional. Maicon queria excluir Daiane do ramo de correagem no condomínio. Ela pediu tutela provisória de urgência, afastamento imediato e indenização por danos morais, citando crimes contra a honra e dignidade. "Tenho medo e receio de minha própria vida", escreveu, solicitando sigilo de seu nome.

Esses ataques online mostram como as redes sociais viram armas em brigas pessoais. Na prática, bloquear contatos nem sempre basta; denúncias formais são essenciais para proteção.

O Desaparecimento e a confissão do crime

Daiane sumiu em 17 de dezembro de 2025, vista pela última vez descendo ao subsolo do prédio para religar a energia de seu apartamento – um ponto cego das câmeras. Seu corpo foi achado em estado de ossada numa mata em Ipameri, sul de Goiás. Cleber confessou o homicídio na madrugada de 28 de janeiro de 2026, levando a polícia ao local.

O delegado Pedromar Augusto de Souza prendeu Cleber pelo crime e Maicon por suspeita de obstrução de justiça. O porteiro do prédio foi levado coercitivamente para depoimento, mas seu nome não foi divulgado. A irmã de Daiane disse ao G1 que o crime veio de "ódio", pois a corretora "não aceitava ordens do síndico".

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