Microempreendedoras vítimas de violência terão crédito especial no turismo

Enquanto o cidadão brasileiro acorda cedo para enfrentar o transporte público e equilibrar o orçamento doméstico sob o peso de impostos sufocantes, uma elite encastelada nos palácios de Brasília cruza o Oceano Atlântico. O destino é Lisboa, palco do já folclórico Fórum Jurídico que o espírito público nacional, com fina ironia e justa indignação, batizou de Gilmarpalooza. Em solo português, longe do calor das ruas brasileiras e dos problemas reais que afligem o país, ministros de tribunais superiores, parlamentares e burocratas reúnem-se em dias normais de expediente. Para agravar o quadro de distanciamento da realidade, dezenas de autoridades e servidores têm suas passagens e estadias custeadas pelos cofres públicos, financiados pelo suor de quem ficou trabalhando no Brasil.
O pano de fundo do evento deste ano, mascarado sob debates acadêmicos sobre a nova ordem internacional e a soberania tecnológica, foca na obsessão contemporânea de setores do Judiciário: a regulamentação e a censura à internet. Sob a justificativa de combater desinformações e proteger a democracia, o que se desenha nos discursos oficiais é o desejo claro de tutelar o debate público global. A pergunta que o pagador de impostos deve fazer, diante de tamanha articulação internacional, é simples: por que a livre circulação de ideias incomoda tanto aqueles que detêm o poder?
A resposta reside no fato de que a internet rompeu o monopólio da narrativa. Antes do advento das redes digitais, a informação passava por filtros seletivos que mantinham a população alheia aos bastidores do poder. A transparência gerada pela rede expôs as entranhas da máquina pública, revelando as contradições entre o discurso de austeridade e a realidade de privilégios, banquetes e luxo desfrutados pela classe governante enquanto a base da pirâmide social enfrenta carências básicas. A internet descentralizou o conhecimento e permitiu que o cidadão comum fiscalizasse os atos de seus representantes em tempo real.
O verdadeiro temor dos defensores do controle digital não é a mentira, mas a verdade e a conscientização popular. Ao terem acesso a dados, documentos e debates sem intermediários ideológicos, as pessoas esclarecidas deixaram de se comportar como massa de manobra. O livre pensamento e a liberdade de expressão, garantidos expressamente pela Constituição de forma clara e não interpretativa, são os pilares que sustentam uma sociedade livre. Tentar calar as redes sociais sob o pretexto de organizar a modernidade tecnológica nada mais é do que uma tentativa de restabelecer o controle sobre a opinião pública.
O Brasil real exige austeridade de seus magistrados e o respeito sagrado ao direito de divergir.
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