OPINIÃO

As mentiras sobre o El Niño

  

Basta ligar a televisão ou abrir um portal de notícias para dar de cara com a mesma sentença: o mundo está acabando e a culpa é nossa. Essa ladainha apocalíptica virou o fundo musical da rotina urbana. O problema é que ela esconde o que realmente importa. O debate sobre o clima foi sequestrado por uma militância barulhenta, que trocou a ciência de verdade por projeções de computador tratadas como dogmas religiosos. O resultado prático dessa histeria não é a preservação ambiental. O que estamos vendo é uma neurose profunda, um pânico que começa a entupir consultórios de psicologia com jovens apavorados por um fim do mundo que nunca chega. O medo virou mercadoria. Virou ferramenta de controle social.

Esse pânico fabricado em gabinetes refrigerados cobra o seu preço direto no bolso e na mesa dos brasileiros. Enquanto o morador das grandes cidades adoece de ansiedade com as manchetes alarmistas sobre o El Niño, o homem do campo enfrenta um sobressalto muito mais real e imediato. O agronegócio brasileiro carrega o PIB do país nas costas e garante comida barata no prato da população, mas virou o alvo preferido de burocratas e ONGs internacionais. Sob o pretexto de salvar o planeta de uma catástrofe imaginária, criam barreiras alfandegárias, cortam linhas de crédito e desenham regulamentações sufocantes para inviabilizar a produção. Tratam o produtor rural como um vilão, ignorando que o agricultor é o primeiro interessado em manter a sua terra saudável. Sem terra saudável, ele não sobrevive.

A verdadeira ciência nunca dependeu de consensos forçados ou de cartilhas encomendadas por organismos transnacionais. O professor Luiz Carlos Molion vem há anos tentando trazer racionalidade para essa discussão, mesmo enfrentando um boicote velado da imprensa tradicional. Molion conhece a fundo a dinâmica da nossa atmosfera. Ele não cansa de mostrar, com dados consolidados, que o El Niño não é um subproduto da atividade humana ou do desenvolvimento econômico. Trata-se de um fenômeno de macroescala, ditado pela atividade cíclica do Sol, pelo magnetismo terrestre e pelas correntes marinhas profundas do Pacífico. O planeta sempre passou por ciclos intensos de aquecimento e resfriamento. Isso acontecia muito antes de a primeira chaminé de fábrica ser construída.

Mas dizer a verdade factual virou heresia. O patrulhamento ideológico que tomou conta das universidades e das redações prefere o cancelamento sumário ao debate franco. Se um pesquisador sério decide questionar os relatórios oficiais do establishment climático, ele é imediatamente silenciado pelos guardiões da nova moralidade ecológica. Essa mordaça intelectual atenta contra a própria liberdade de pensamento e serve de cortina de fumaça para interesses geopolíticos bem claros. Afinal, a bilionária indústria dos créditos de carbono e os fundos internacionais do ambientalismo de fachada precisam manter o medo aceso. Só assim continuam lucrando alto às custas do desenvolvimento alheio, mantendo o Brasil travado na periferia econômica global.

Ninguém aqui nega a importância de cuidar das bacias hidrográficas ou de punir o desmatamento ilegal. Isso é obrigação básica de soberania. Mas existe um abismo intransponível entre o manejo responsável e a aceitação cega de que a nossa capacidade de produzir alimentos deva ser sacrificada no altar do alarmismo globalista. O Brasil precisa perder essa mania de pedir desculpas por ser eficiente.

O compromisso do Jornal Cabeço Negro é com o leitor que trabalha, produz e que ainda teima em pensar por conta própria, longe das cartilhas mastigadas da opinião politicamente correta. É hora de desarmar esse bombardeio psicológico que adoece as famílias nas cidades, devolver a paz de espírito à sociedade e dar ao produtor rural a segurança jurídica que ele necessita para trabalhar. O resto não passa de propaganda ideológica barata travestida de ciência.