O suicídio por vaidade

A direita brasileira sofre de uma amnésia autodestrutiva. Enquanto o cidadão assiste ao desmonte gradual de suas liberdades, lideranças do campo conservador gastam munição uns contra os outros. O cenário atual ultrapassou o debate de ideias; virou uma guerra de egos, onde a pureza ideológica é moeda de troca para engajamento em redes sociais. A pergunta que paira, incômoda e urgente, é uma só: a quem interessa esse confronto fratricida? Certamente não ao Brasil.
Este espetáculo de ataques mútuos serve apenas como banquete para os adversários históricos da nação. Toda vez que uma figura de direita aponta o dedo para outra, acusando-a de moderada demais, a esquerda comemora nos bastidores. O enfraquecimento da oposição não decorre de uma habilidade extraordinária do atual governo, mas sim da incapacidade da direita de compreender a gravidade do momento político. Discute-se quem é o verdadeiro detentor da cartilha conservadora enquanto as instituições avançam sobre os direitos mais basilares da população.
É preciso separar o joio do trigo. Será que todos os que hoje se autodenominam direitistas compreendem os pilares do conservadorismo e do liberalismo? O oportunismo eleitoral inflou as fileiras da oposição com figuras que buscam o voto do eleitorado indignado, sem compromisso real com a defesa das liberdades individuais, da propriedade privada e da ordem constitucional. Quando a situação aperta, esses falsos profetas se curvam ou negociam o futuro do país por interesses paroquiais. A falta de um norte claro e de uma liderança unificada abre espaço para essa fragmentação caótica.
O preço da desunião é cobrado diariamente. O Brasil caminha para uma consolidação hegemônica da esquerda, e o horizonte desenha um cenário alarmante. Esticar essa corda por mais quatro anos sob o atual projeto de poder significa aproximar o país, de forma perigosa e talvez irreversível, do colapso econômico e social que devastou vizinhos como a Venezuela. O roteiro é conhecido: corrosão econômica, aparelhamento estatal, destruição da iniciativa privada e o silenciamento definitivo das vozes dissonantes. Quem acha que isso é alarmismo ignora a história recente.
A realidade não permite o luxo da ilusão. A liberdade de expressão tornou-se um conceito relativo no Brasil. Hoje, o cidadão pensa duas vezes antes de emitir uma opinião, com medo de retaliações jurídicas que fogem ao rito processual tradicional. Vive-se sob a sombra de um controle rígido, personificado nas decisões monocráticas e nos inquéritos eternos conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes. O Judiciário assumiu um papel hiperativo, legislando e executando ordens que sufocam o debate público e intimidam a oposição.
Diante de um poder hipertrofiado e de um Executivo sedento por controle social, a briga interna da direita passa a ser uma cumplicidade involuntária com o autoritarismo. A união estratégica não é uma escolha, mas uma questão de sobrevivência política. O inimigo da liberdade não está na mesma trincheira; ele está no poder, aplaudindo a autodestruição daqueles que deveriam contê-lo. É hora de parar o canibalismo antes que restem apenas cinzas.
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