OPINIÃO

A podridão das bases

  

O brasileiro cansou do desfile diário de escândalos políticos. Só que o pior da corrupção hoje não está nos palácios distantes de Brasília, mas sim grudado na pele do cidadão, dentro dos municípios. É nas prefeituras que o dinheiro do pagador de impostos é saqueado antes mesmo de virar asfalto, remédio ou segurança.

Santa Catarina, terra de gente ordeira e trabalhadora, agora colhe a vergonha dessa degradação institucional. Ninguém esquece a Operação Mensageiro, o escândalo do lixo que escancarou um esquema criminoso de propinas e fraudes em contratos de saneamento. A investigação do Gaeco chocou o Estado ao prender uma penca de prefeitos, incluindo o então chefe do Executivo de Ibirama. Quando o lixo e a água viram balcão de negócios para enriquecimento ilícito, a sociedade perde a referência do que é certo e errado.

Agora, o Vale do Itajaí depara-se com os desdobramentos da Operação Pão e Circo. O enredo é manjado e ultrajante: festas populares e eventos comunitários usados como biombo para desviar verbas. A empresa na mira do Gaeco vencia licitações sob a promessa de levar lazer e cultura aos municípios, mas operava nos bastidores fraudando os cofres públicos. O cancelamento imediato de eventos tradicionais da região foi um remédio amargo, mas necessário para estancar a sangria do dinheiro do povo e tentar manter de pé um mínimo de moralidade.

Essa reincidência policial prova que o problema não é a falta de fiscalização ou de leis. O buraco é muito mais embaixo. Enfrentamos uma crise moral e de caráter que apodreceu as bases do país. E essa decadência começa quando o relativismo destrói as duas únicas instituições capazes de formar o cidadão de bem: a família e a escola.

É dentro de casa que o indivíduo aprende o valor do trabalho honesto, do respeito à propriedade alheia e da palavra empenhada. A escola precisa voltar a focar nas disciplinas de verdade, na matemática, na ciência e no civismo prático, deixando de lado as doutrinações que tentam inverter valores e vitimizar criminosos. Nenhuma corregedoria ou tribunal vai segurar a corrupção se o ocupante da cadeira pública não tiver berço, vergonha na cara e uma sólida barreira ética interna. O combate aos desvios exige punição severa e cadeia, sem malabarismos jurídicos. Mas o futuro do país só muda se resgatarmos a autoridade dos pais e a responsabilidade individual.

Chega de remendos. É hora de refazer os alicerces.