Lagoa de Ibiraquera

Lagoa de Ibiraquera fica imprópria para banho e preocupa ambientalistas em SC

  • Foto: Pousada Lagoa Mar, Divulgação - Plano de ação para lagoas costeiras deve ser lançado em 2026

Lagoa de Ibiraquera (SC) imprópria para banho por E. coli, devido a saneamento deficiente e ocupação irregular, alerta IMA (16/01/2026). APABF planeja ações de monitoramento. Outros pontos na região também afetados. Verifique balneabilidade antes de mergulhar e denuncie irregularidades para preservar o litoral.

A Lagoa de Ibiraquera, um cartão-postal turístico no Sul de Santa Catarina, voltou a preocupar banhistas e ambientalistas. Pela primeira vez em cinco meses, ela foi classificada como imprópria para banho, conforme relatório do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), divulgado em 16 de janeiro de 2026. Baseado em coleta de 13 de janeiro, o ponto monitorado perto da foz mostrou contaminação por Escherichia coli (E. coli), bactéria que sinaliza poluição fecal de esgoto ou dejetos humanos e animais.

Você já parou para pensar como atividades humanas cotidianas podem transformar paraísos naturais em zonas de risco? Neste artigo, explicamos o que aconteceu, as causas reais do problema e as ações em curso, para que turistas e moradores saibam como se proteger e contribuam para soluções.

O que torna a água imprópria? Entendendo os critérios do IMA

O IMA considera um ponto impróprio quando mais de 20% das amostras excedem 800 E. coli por 100 mililitros, ou se a última coleta passa de 2.000 UFC (unidades formadoras de colônias) por 100 ml. Na Lagoa de Ibiraquera, a análise recente atendeu ao segundo critério, confirmando contaminação recente. Essa bactéria não causa doenças graves por si só, mas indica riscos de infecções gastrointestinais, hepatite A ou outras viroses transmitidas por água poluída.

Na prática, isso significa evitar mergulhos ou brincadeiras na água até nova coleta melhorar os índices. O relatório completo está disponível no site do IMA, e atualizações semanais ajudam a monitorar a evolução.

Causas principais: saneamento precário e ocupação irregular

O problema não surge do nada. Segundo Stéphano Diniz Ridolfi, analista ambiental do ICMBio na Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (APABF), a contaminação vem principalmente de saneamento deficiente no entorno da lagoa. Predomina a poluição difusa, via lençol freático, causada por fossas sépticas irregulares em áreas de ocupação humana desordenada.

Diferente de uma descarga pontual de esgoto identificável, essa contaminação espalha-se de forma invisível, dificultando punições individuais. "A abertura irregular da barra – rompimento da areia entre lagoa e mar – não resolve o esgoto acumulado", explica Ridolfi. Essa pressão afeta não só a balneabilidade, mas ecossistemas frágeis, como manguezais e habitats de aves migratórias.

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Outros pontos na APABF também preocupam: Praia da Pinheira, Lagoa dos Freitas, Praia de Garopaba e Praia do Rincão (Balneário Rincão) foram listados como impróprios no mesmo relatório. Ainda assim, a maioria das praias da região segue própria, superando médias de outras partes do litoral catarinense.

Plano de ação: o que o poder público planeja fazer

Enfrentar isso exige união de forças. Ridolfi defende atuação integrada entre órgãos ambientais, prefeituras, Ministério Público e sociedade. No primeiro semestre de 2026, a APABF lançará o Plano de Ação das Lagoas Costeiras, com validade de cinco anos. Ele inclui monitoramento contínuo da qualidade da água, níveis hídricos e caracterização das lagoas sob sua influência.

A prefeitura de Imbituba foi contatada, mas não respondeu até a publicação. O espaço permanece aberto para esclarecimentos. Enquanto isso, moradores podem denunciar fossas irregulares ao ICMBio ou IMA, ajudando a mapear problemas.

Dicas práticas para banhistas e o impacto no turismo

Para quem ama o litoral catarinense, o alerta é simples: confira o app ou site do IMA antes de ir à praia. Na dúvida, opte por pontos próprios e evite engolir água. Turistas em Imbituba, que atrai surfistas e famílias pela lagoa, devem priorizar praias vizinhas com boa balneabilidade.

E você, o que faz para preservar nossos recursos hídricos? Essa crise na Lagoa de Ibiraquera reflete um desafio nacional: equilibrar turismo, moradia e meio ambiente. Soluções como ampliação de redes de esgoto tratadas podem mudar o jogo, beneficiando saúde pública e economia local.

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