conflito no Irã

Conflito no Irã impacta famílias em Santa Catarina e dispara preço do diesel

  • Imagem: Ilustrativa - Conflito no Irã encarece diesel, afeta famílias de SC e gera risco de efeito dominó em preços

Escalada de tensão no Oriente Médio afeta catarinenses com parentes em áreas de risco e gera incertezas sobre inflação e exportações do agronegócio.

A interrupção do Estreito de Ormuz elevou o barril de petróleo a 120 dólares, refletindo-se no preço do diesel em Santa Catarina, que já ultrapassa 7,50 reais. O cenário ameaça a logística do agronegócio e a estabilidade da taxa Selic no Brasil.

Drama humano e apreensão em Santa Catarina

O conflito militar entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado há duas semanas, no dia 28 de fevereiro, já registra mais de 1,2 mil mortos e gera reflexos imediatos em Santa Catarina. Além da angústia de imigrantes que vivem no estado, a guerra impõe sérias ameaças econômicas, como a disparada no preço do diesel, risco de inflação nos alimentos e obstáculos às exportações catarinenses. Segundo o portal NSC Total, o cenário abalou as relações diplomáticas e trouxe uma rotina de incertezas para cidades como Blumenau, Florianópolis e Gaspar.

Em Blumenau, o empresário Maziyar Karimi, dono de um restaurante, acompanha com preocupação a situação de seus pais e irmãs em Teerã. Devido aos bombardeios, a família precisou se mudar para um apartamento alugado em outra cidade. 'Antes mesmo desses ataques, enquanto o povo estava indo para as ruas, minha irmã relatou um clima de luto geral em virtude das mortes pelo governo. Todos conheciam alguém que tinha perdido a vida', relata Karimi, que vê nos ataques uma esperança de mudança no regime local, apesar da tristeza pelas mortes.

Situação semelhante vive Mohammad Nezhad, de 45 anos, empresário em Florianópolis. Há duas semanas sem contato constante com familiares no Irã, ele recorreu a distribuidoras em Dubai para garantir insumos ao seu restaurante. 'O sentimento é complicado, de preocupação e medo pelo meu povo, minha família, meu país. Mas ao mesmo tempo estamos com esperança de que o regime caia e isso seja melhor para o povo', afirma Mohammad.

Impacto no Líbano e migração em Santa Catarina

A retaliação do grupo Hezbollah contra Israel ampliou o conflito para o Líbano, afetando parentes do advogado Ali Mustapha Ataya, morador de Gaspar. Seus tios e primos, que viviam da agricultura no Sul do Líbano, precisaram fugir para a região de Monte Líbano. 'Se ficassem ali, morreriam. Tive primos do meu pai que eram socorristas e morreram em bombardeios', conta Ali. Ele integra um grupo de famílias que migraram para o Vale do Itajaí até a década de 1990 e hoje vivem em estado de alerta máximo.

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Disparada do diesel e riscos econômicos

A economia de Santa Catarina já sente o impacto nos combustíveis. O barril do petróleo saltou de 80 para 120 dólares na segunda-feira (9), maior valor desde o início da guerra na Ucrânia. Embora a gasolina em SC permaneça estável em R$ 6,51, o diesel sofreu um 'aumento-relâmpago'. Segundo a ANP, o preço médio subiu de R$ 6,11 para R$ 6,17, mas postos em Blumenau e Florianópolis já registram valores acima de R$ 7,50.

  • O diesel subiu entre R$ 2 e R$ 3 por litro em sete estados brasileiros.
  • Insumos para fertilizantes aumentaram de 15% a 20%.
  • O Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado desde 28 de fevereiro


'Eu tenho certeza absoluta de que se a guerra não terminar logo, nós vamos ter falta de produto', alerta Júlio César Zimmermann, presidente do Sinpeb. A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) também demonstra preocupação. Segundo o presidente Gilberto Seleme, o aumento do diesel encarece o frete e a produção agrícola, o que pode elevar a inflação global. 'Quando petróleo e alimentos sobem, a inflação tende a sentir. E isso chega direto ao bolso das pessoas', explica Seleme.

Logística e o futuro das exportações

As exportações do agronegócio catarinense para o Oriente Médio somaram 915 milhões de dólares em 2025, volume superior ao destinado à União Europeia. A interrupção de rotas no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz impacta os portos de Navegantes, Itapoá e São Francisco do Sul, reduzindo a oferta de contêineres refrigerados. Até o abastecimento de pistache, principal produto importado do Irã pelo Brasil, corre riscos.

No campo macroeconômico, o economista Daniel da Cunda Corrêa da Silva aponta que a alta do petróleo coloca em dúvida novos cortes na taxa Selic, que pode ser mantida em 15% para conter a inflação. Enquanto isso, o historiador Sidnei J. Munhoz alerta para o risco de o embate se tornar uma crise global. 'As guerras não começam mundiais. Esses atores acham que têm o controle da situação, mas se algo sair do script, isso pode resultar em um conflito global', conclui Munhoz.​


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