Rubia Rachadel da Silva

A comparação rouba a alegria

   

Ao longo das conversas que tenho com outras mulheres, percebo que existe um sentimento silencioso que, muitas vezes, passa despercebido, mas tem o poder de roubar a alegria, a confiança e até a capacidade de reconhecer o próprio valor. Estou falando da comparação. Ela nem sempre aparece de forma evidente. Às vezes, surge durante uma conversa, depois de uma conquista compartilhada ou ao observar a vida de alguém que parece ter alcançado aquilo que ainda desejamos. Sem perceber, começamos a olhar para a nossa própria história através da história de outra pessoa.

Essa comparação pode assumir diferentes formas. Algumas mulheres olham para a aparência, outras para a profissão, para o casamento, para a maternidade, para a condição financeira ou até para a vida espiritual. Em muitos casos, a comparação não nasce da inveja, mas da falsa impressão de que a outra mulher conseguiu construir uma vida melhor. Aos poucos, deixamos de valorizar aquilo que estamos vivendo porque acreditamos que a felicidade sempre está na realidade de outra pessoa.

Existe, porém, uma diferença muito importante entre admirar e comparar. A admiração desperta crescimento. Ela nos inspira, amplia nossos horizontes e nos mostra que também somos capazes de evoluir. A comparação produz exatamente o contrário. Ela faz com que nossas conquistas pareçam pequenas, alimenta a sensação de insuficiência e cria a ideia de que nunca somos boas o bastante.

Talvez o maior problema esteja no fato de que essa comparação quase nunca é justa. Conhecemos nossas dificuldades, nossos medos, nossas limitações e os desafios que enfrentamos em silêncio. Da outra mulher, normalmente conhecemos apenas aquilo que ela escolheu compartilhar. Comparar os bastidores da nossa vida com a parte mais bonita da história de outra pessoa é uma medida que sempre nos colocará em desvantagem.

Também percebo que esse hábito pode afetar profundamente a forma como nos relacionamos umas com as outras. Quando fazemos da outra mulher uma referência para medir o nosso próprio valor, deixamos de enxergá-la como inspiração e passamos, ainda que inconscientemente, a vê-la como concorrente. Perdemos a oportunidade de aprender, de construir amizades sinceras e de celebrar conquistas que poderiam nos motivar a continuar crescendo.

Outro efeito silencioso da comparação é que ela nos afasta da nossa identidade. Em vez de desenvolvermos os talentos que recebemos, passamos a desejar os talentos da outra pessoa. Em vez de reconhecermos as oportunidades que Deus colocou diante de nós, gastamos energia imaginando como seria viver a realidade de alguém. Aos poucos, deixamos de construir a nossa própria história para tentar alcançar uma história que nunca foi destinada a nós.

Ao longo da minha caminhada, tenho aprendido que cada mulher carrega uma trajetória única. Nenhuma conquista acontece sem desafios, renúncias, inseguranças ou momentos difíceis. Muitas vezes admiramos o resultado sem conhecer o caminho percorrido para alcançá-lo. Por isso, comparar histórias nunca será uma forma justa de avaliar o nosso próprio valor.

Percebo também que a comparação rouba algo muito precioso: a gratidão. Quando estamos excessivamente focadas naquilo que outra pessoa conquistou, deixamos de reconhecer tudo o que já vivemos, aprendemos e superamos. Esquecemos das batalhas vencidas, das oportunidades recebidas, das pessoas que caminharam ao nosso lado e da mulher que nos tornamos ao longo dos anos. E uma mulher que deixa de reconhecer o próprio crescimento dificilmente conseguirá desfrutar da alegria do presente.

Sempre acreditei que Deus não cria cópias. Cada mulher recebeu dons, desafios, experiências e uma missão que não podem ser vividos por outra pessoa. Isso significa que também existe um tempo próprio para cada história. Nem sempre compreenderemos esse tempo, mas podemos vivê-lo com mais serenidade quando deixamos de medir nossa caminhada pela caminhada de outras mulheres.

Talvez seja importante fazer algumas perguntas a nós mesmas. Será que conhecemos realmente a história da mulher com quem nos comparamos ou apenas aquilo que ela permite que vejamos? Será que estamos investindo mais tempo observando a vida dos outros do que desenvolvendo a nossa própria? E será que não estamos deixando de perceber a beleza da história que Deus está escrevendo em nossa vida?

Acredito que existe apenas uma comparação capaz de nos fazer crescer: aquela que fazemos com a mulher que fomos ontem. Quando olhamos para a nossa própria caminhada, percebemos o quanto amadurecemos, quantos desafios superamos e quanto ainda podemos evoluir sem precisar diminuir a história de ninguém.

A verdadeira alegria não nasce quando tentamos nos tornar parecidas com outra mulher. Ela nasce quando reconhecemos o valor da nossa própria história, desenvolvemos os dons que recebemos e compreendemos que a nossa singularidade sempre será maior do que qualquer comparação.

Porque Deus não espera que você viva a história de outra mulher. Ele espera que você viva, com coragem e autenticidade, a história que confiou somente a você.

Seguiremos juntas aqui na coluna Mulheres, além do salto.

Até a próxima.

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