Amve e Cisamve lançam programa inédito para fortalecer corregedorias municipais no Vale Europeu

Ao longo das conversas que tenho com outras mulheres, percebo que existe um sentimento silencioso que, muitas vezes, passa despercebido, mas tem o poder de roubar a alegria, a confiança e até a capacidade de reconhecer o próprio valor. Estou falando da comparação. Ela nem sempre aparece de forma evidente. Às vezes, surge durante uma conversa, depois de uma conquista compartilhada ou ao observar a vida de alguém que parece ter alcançado aquilo que ainda desejamos. Sem perceber, começamos a olhar para a nossa própria história através da história de outra pessoa.
Essa comparação pode assumir diferentes formas. Algumas mulheres olham para a aparência, outras para a profissão, para o casamento, para a maternidade, para a condição financeira ou até para a vida espiritual. Em muitos casos, a comparação não nasce da inveja, mas da falsa impressão de que a outra mulher conseguiu construir uma vida melhor. Aos poucos, deixamos de valorizar aquilo que estamos vivendo porque acreditamos que a felicidade sempre está na realidade de outra pessoa.
Existe, porém, uma diferença muito importante entre admirar e comparar. A admiração desperta crescimento. Ela nos inspira, amplia nossos horizontes e nos mostra que também somos capazes de evoluir. A comparação produz exatamente o contrário. Ela faz com que nossas conquistas pareçam pequenas, alimenta a sensação de insuficiência e cria a ideia de que nunca somos boas o bastante.
Talvez o maior problema esteja no fato de que essa comparação quase nunca é justa. Conhecemos nossas dificuldades, nossos medos, nossas limitações e os desafios que enfrentamos em silêncio. Da outra mulher, normalmente conhecemos apenas aquilo que ela escolheu compartilhar. Comparar os bastidores da nossa vida com a parte mais bonita da história de outra pessoa é uma medida que sempre nos colocará em desvantagem.
Também percebo que esse hábito pode afetar profundamente a forma como nos relacionamos umas com as outras. Quando fazemos da outra mulher uma referência para medir o nosso próprio valor, deixamos de enxergá-la como inspiração e passamos, ainda que inconscientemente, a vê-la como concorrente. Perdemos a oportunidade de aprender, de construir amizades sinceras e de celebrar conquistas que poderiam nos motivar a continuar crescendo.
Outro efeito silencioso da comparação é que ela nos afasta da nossa identidade. Em vez de desenvolvermos os talentos que recebemos, passamos a desejar os talentos da outra pessoa. Em vez de reconhecermos as oportunidades que Deus colocou diante de nós, gastamos energia imaginando como seria viver a realidade de alguém. Aos poucos, deixamos de construir a nossa própria história para tentar alcançar uma história que nunca foi destinada a nós.
Ao longo da minha caminhada, tenho aprendido que cada mulher carrega uma trajetória única. Nenhuma conquista acontece sem desafios, renúncias, inseguranças ou momentos difíceis. Muitas vezes admiramos o resultado sem conhecer o caminho percorrido para alcançá-lo. Por isso, comparar histórias nunca será uma forma justa de avaliar o nosso próprio valor.
Percebo também que a comparação rouba algo muito precioso: a gratidão. Quando estamos excessivamente focadas naquilo que outra pessoa conquistou, deixamos de reconhecer tudo o que já vivemos, aprendemos e superamos. Esquecemos das batalhas vencidas, das oportunidades recebidas, das pessoas que caminharam ao nosso lado e da mulher que nos tornamos ao longo dos anos. E uma mulher que deixa de reconhecer o próprio crescimento dificilmente conseguirá desfrutar da alegria do presente.
Sempre acreditei que Deus não cria cópias. Cada mulher recebeu dons, desafios, experiências e uma missão que não podem ser vividos por outra pessoa. Isso significa que também existe um tempo próprio para cada história. Nem sempre compreenderemos esse tempo, mas podemos vivê-lo com mais serenidade quando deixamos de medir nossa caminhada pela caminhada de outras mulheres.
Talvez seja importante fazer algumas perguntas a nós mesmas. Será que conhecemos realmente a história da mulher com quem nos comparamos ou apenas aquilo que ela permite que vejamos? Será que estamos investindo mais tempo observando a vida dos outros do que desenvolvendo a nossa própria? E será que não estamos deixando de perceber a beleza da história que Deus está escrevendo em nossa vida?
Acredito que existe apenas uma comparação capaz de nos fazer crescer: aquela que fazemos com a mulher que fomos ontem. Quando olhamos para a nossa própria caminhada, percebemos o quanto amadurecemos, quantos desafios superamos e quanto ainda podemos evoluir sem precisar diminuir a história de ninguém.
A verdadeira alegria não nasce quando tentamos nos tornar parecidas com outra mulher. Ela nasce quando reconhecemos o valor da nossa própria história, desenvolvemos os dons que recebemos e compreendemos que a nossa singularidade sempre será maior do que qualquer comparação.
Porque Deus não espera que você viva a história de outra mulher. Ele espera que você viva, com coragem e autenticidade, a história que confiou somente a você.
Seguiremos juntas aqui na coluna Mulheres, além do salto.
Até a próxima.
Contato: @rubiarachadeldasilva / rubiarachadel@gmail.com
A comparação rouba a alegria
A coragem de escolher
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