Mulheres, além do salto

Ocupar espaços

  

Quando falamos sobre a presença da mulher em espaços de decisão, muitas pessoas pensam imediatamente na política. Mas a verdade é que essa conversa vai muito além dela.

Ocupar espaços também significa participar de associações, liderar projetos, empreender, assumir posições de liderança em empresas, contribuir em conselhos, atuar em entidades e fazer parte das decisões que influenciam a vida das pessoas.

Talvez um dos maiores desafios não seja conquistar espaço, mas acreditar que temos condições de ocupá-lo.

Muitas vezes esperamos nos sentir completamente preparadas para dar um passo importante. Esperamos ter todas as respostas, dominar todos os assuntos e eliminar todas as inseguranças antes de assumir uma nova responsabilidade.

Mas a realidade é que o crescimento acontece justamente durante o processo.

Hoje, vivendo a experiência de atuar no Legislativo, onde atualmente sou a única mulher, percebo isso de forma muito clara. Em muitos momentos, a confiança precisa partir primeiro de mim. Preciso acreditar na minha capacidade, no conhecimento que construí e na contribuição que posso oferecer. Só depois disso consigo me posicionar com naturalidade, apresentar minhas ideias e seguir desenvolvendo meu trabalho.

O mesmo acontece em reuniões de liderança e nos diversos ambientes profissionais dos quais participo. Antes de qualquer posicionamento externo, existe um posicionamento interno. A confiança não nasce quando os outros reconhecem nosso valor. Ela começa quando nós mesmas reconhecemos que temos algo importante a contribuir.

Ao longo da minha trajetória, percebi que a maioria das oportunidades não chega quando nos sentimos prontas. Elas chegam quando estamos dispostas a aprender.

Talvez por isso tantas mulheres deixem de contribuir em espaços onde poderiam fazer a diferença. Não por falta de conhecimento ou capacidade, mas pelo receio de errar, de serem julgadas ou de não corresponderem às expectativas.

Esse sentimento não está presente apenas na política. Ele aparece no ambiente profissional, nas associações, nos projetos comunitários e até mesmo dentro das próprias famílias. Quantas mulheres possuem boas ideias, mas permanecem em silêncio? Quantas deixam de expressar opiniões importantes por acreditarem que outra pessoa está mais preparada?

Essas reflexões me fazem acreditar que incentivar a participação feminina é muito mais do que ocupar cargos ou funções. É encorajar mulheres a reconhecerem o valor que possuem e a compreenderem que suas experiências também são importantes.

Quando uma mulher participa, ela amplia perspectivas. Quando contribui, ajuda a construir soluções. Quando ocupa espaços de decisão, leva consigo vivências que enriquecem os debates e fortalecem os resultados.

E isso não acontece porque mulheres são melhores do que homens. Acontece porque homens e mulheres possuem experiências diferentes e podem contribuir de forma complementar.

Ao longo da vida, tive a oportunidade de conviver com homens que respeitaram minha opinião, incentivaram meu desenvolvimento e reconheceram minha capacidade.

Mas também encontrei situações diferentes. Em alguns momentos, me deparei com olhares de superioridade, julgamentos precipitados e ambientes onde minha opinião precisou ser reafirmada mais de uma vez para ser considerada. E acredito que muitas mulheres já viveram experiências semelhantes.

Essas situações poderiam ter servido como motivo para desistir. No entanto, me ensinaram uma lição importante: a confiança não pode depender exclusivamente da validação dos outros. Ela precisa nascer da consciência de quem somos, daquilo que sabemos e da contribuição que podemos oferecer.

Por isso acredito que a participação feminina não cresce através do confronto, mas através da preparação, da competência, da coragem e da disposição de continuar ocupando espaços mesmo quando surgem desafios pelo caminho.

Também aprendi que ocupar espaços não significa buscar destaque. Significa assumir responsabilidades. Significa compreender que nossos talentos, conhecimentos e experiências podem ser úteis para outras pessoas. Significa deixar de perguntar apenas "Será que eu consigo?" e começar a perguntar "Como posso contribuir?".

Talvez nem toda mulher deseje ocupar um cargo público, liderar uma entidade ou coordenar um projeto. E está tudo bem. Mas toda mulher possui a capacidade de contribuir nos ambientes em que vive.

Na família, no trabalho, na comunidade, em grupos voluntários, em entidades ou em qualquer espaço onde existam pessoas e decisões a serem tomadas.

Porque ocupar espaços não é sobre estar acima de alguém. É sobre estar presente onde podemos fazer a diferença.

E quando uma mulher reconhece seu valor e decide participar, ela não transforma apenas a própria trajetória. Ela inspira outras mulheres a acreditarem que também podem contribuir, liderar e ocupar os espaços que desejarem.

Seguiremos juntas aqui na coluna Mulheres, além do salto.

Até a próxima.

Contato: @rubiarachadeldasilva / rubiarachadel@gmail.com