OPINIÃO

A Democracia sob a Isca da Perseguição

   

A política brasileira atravessa um dos seus períodos mais sombrios, não pela escassez de nomes, mas pela abundância de artifícios destinados a eliminá-los antes mesmo que cheguem às urnas. O que assistimos hoje, sob a luz do dia e o silêncio complacente de muitos, é uma vergonhosa e sistemática caça aos presidenciáveis. O alvo é cirúrgico: qualquer liderança que represente uma ameaça real à hegemonia da esquerda e à zona de conforto do centrão.

O método, importado do pior que existe no ativismo judicial, é o chamado fishing expedition - a "pescaria probatória". Trata-se de uma prática onde as instituições, em vez de investigarem crimes, investigam pessoas. Lançam-se redes genéricas sobre a vida de opositores na esperança de "fisgar" qualquer deslize, por mais insignificante que seja, para inflá-lo até que se torne um escândalo midiático ou um impedimento jurídico. É a subversão total do Estado de Direito: primeiro escolhe-se o alvo por conveniência política; depois, revira-se o passado em busca de uma narrativa que sustente a condenação.

O Jornal Cabeço Negro mantém sua linha inegociável: a lei deve ser cumprida por todos, sem exceções. Contudo, as leis vigentes devem ser aplicadas em sua letra fria e clara, e não interpretadas de forma elástica para servir de mordaça ao contraditório. Quando a justiça se torna interpretativa ao sabor das marés ideológicas, ela deixa de ser justiça para se tornar ferramenta de perseguição política.

Essa caça incessante aos opositores da direita e do conservadorismo é um sintoma de fraqueza daqueles que hoje detêm o poder. Incapazes de vencer no campo das ideias, de defender uma economia próspera ou de garantir a segurança pública, recorrem ao "tapetão" jurídico. Querem ganhar por W.O., eliminando os adversários que possuem conexão direta com os anseios da população brasileira.

A liberdade de pensamento e expressão, pilares que este jornal defende desde sua fundação, está sob ataque direto. Quando um potencial candidato é silenciado ou sufocado por investigações intermináveis e sem fundamento, não é apenas o político que perde; é o eleitor que é privado do seu direito fundamental de escolha. A democracia brasileira está sendo sequestrada por uma burocracia que se julga acima da soberania popular.

É preciso que a sociedade civil e as instituições que ainda guardam respeito à Constituição despertem. Não se trata apenas de defender nomes A ou B, mas de proteger o processo democrático da instrumentalização policial e judiciária. O Brasil não pode se tornar um país onde a oposição é tratada como inimiga de Estado e onde a "pescaria" de acusações substitui o debate de projetos.

A história será implacável com os pescadores de conveniência. O povo brasileiro, embora resiliente, não é cego. A tentativa de limpar o tabuleiro político à força apenas evidencia o medo que o establishment tem do julgamento soberano das urnas.