Projeto Gehl

Projeto propõe reduzir ilhas de calor no Centro de Florianópolis

  • Foto: Divulgação/ND Mais - Projeto prevê transformações no Centro de Florianópolis para reduzir ilhas de calor

Estudo sugere desasfaltização e foco em pedestres para combater temperaturas que podem passar de 40°C na capital.

Um projeto do escritório Gehl Architects propõe transformar o Centro de Florianópolis para reduzir as ilhas de calor. O estudo sugere medidas como a desasfaltização e o aumento da arborização para combater temperaturas que podem ultrapassar os 40°C em pontos críticos da cidade.

Destaques do projeto

  • Combate ao calor: O foco principal é reduzir as altas temperaturas no Centro e no Continente.
  • Soluções práticas: Proposta inclui substituir asfalto por materiais permeáveis e criar muros verdes.
  • Investimento privado: O estudo custou R$ 1,2 milhão, pago pela CDL e pela ACIF.
  • Pontos críticos: Terminal Rodoviário e IFSC foram identificados como os locais mais quentes da região.


Planejamento para reduzir temperaturas

Conforme apuração original do portal ND Mais, a redução das ilhas de calor na região central de Florianópolis é um dos pilares do projeto do escritório Gehl Architects. O trabalho utiliza como referência uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que alerta para a possibilidade de os termômetros marcarem acima de 40°C na região.

O estudo aponta que as temperaturas mais elevadas ocorrem em locais com grande fluxo de veículos, poucas árvores e calçadas cimentadas. A intenção da proposta é inverter essa lógica, priorizando a circulação de pessoas em vez de automóveis.

Principais causas e soluções para o calor

Cibele Assmann, gerente de inovação da Secretaria de Planejamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, explica que as maiores diferenças térmicas estão em áreas muito pavimentadas e com pouca vegetação. Segundo ela, os pontos mais críticos estão no Centro e na região continental da capital.

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Para enfrentar o problema, o projeto discute a desasfaltização, que consiste em trocar o asfalto por estruturas que permitam a passagem da água e tenham cores que absorvam menos calor. Outras ações sugeridas incluem a instalação de canteiros com grama, fachadas verdes e muros com vegetação para ajudar no equilíbrio térmico do município.

Pontos críticos identificados na capital

Dados da UFSC coletados em 7 de janeiro de 2020 mostram que o Terminal Rodoviário de Florianópolis e o IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) registraram as maiores temperaturas de superfície. Essas ilhas de calor são áreas onde o clima é mais quente do que em locais afastados, devido aos materiais usados nas construções e vias.

Em contraste, a região da Lagoa da Conceição, no Leste da Ilha, apresentou a temperatura mais baixa no mesmo período, com 29°C. A diferença ocorre porque materiais urbanos retêm mais radiação do que áreas com cobertura vegetal, elevando o calor nas superfícies pavimentadas.

Investimento e próximos passos do projeto

O desenvolvimento do estudo pelo escritório dinamarquês recebeu um investimento de R$ 1,2 milhão, financiado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e pela Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF). O plano inicial foca em três áreas: a região do Mercado Público, a rua e praça Esteves Júnior e a Beira-mar Norte.

O documento, intitulado “Floripa Centro: Repensando os espaços públicos para as pessoas”, já foi entregue ao prefeito Topázio Neto. Agora, a prefeitura deve avaliar as sugestões, criar os projetos executivos e buscar verbas para tirar as ideias do papel. O material é fruto de reuniões que envolveram 85 pessoas, incluindo técnicos da prefeitura, da UFSC e representantes da sociedade civil.

Mudanças propostas em locais estratégicos

Entre as intervenções sugeridas, destaca-se a criação de uma praça na rua Francisco Tolentino, perto do Mercado Público. Essa mudança poderia exigir a transferência do camelódromo para um novo local, ajudando a diminuir o calor na área.

Na Avenida Beira-Mar Norte, o projeto busca facilitar o acesso à orla e ao futuro Parque Urbano e Marina. Uma das propostas mais impactantes prevê o rebaixamento de um trecho da avenida, permitindo a construção de uma praça sobre a via para melhorar a conexão dos pedestres com o mar.


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