ENTRE NÓS, MULHERES

Autoconfiança não nasce pronta, a gente constrói

POR RUBIA RACHADEL DA SILVA

  

Tem dias em que a gente dá conta de tudo. Trabalho, casa, filhos, responsabilidades… resolve, organiza, ajuda todo mundo e ainda segue. Mas também existem aqueles dias em que, mesmo fazendo tudo isso, sentimos que não é suficiente. Achamos que poderia ser melhor, que deveríamos estar mais preparadas ou que talvez não estejamos fazendo tão bem quanto poderíamos.

E essa sensação não escolhe profissão, nem posição. Ela aparece para quem trabalha fora, para quem cuida da casa, para quem lidera, para quem empreende… para todas nós.

Porque, no fundo, muitas mulheres aprenderam a serem fortes para o mundo, mas inseguras dentro de si. Seguimos, resolvemos, sustentamos muita coisa, mas por dentro ainda duvidamos de nossa capacidade. E quase não falamos sobre isso.

Quantas vezes você já se calou com medo de errar? Quantas vezes deixou de se posicionar por insegurança? Ou se comparou com outras mulheres, sentindo que ainda não chegou lá?

Essa insegurança também aparece na forma como nos colocamos diante dos outros. No quanto aceitamos, no quanto nos diminuímos. No quanto deixamos passar situações que, no fundo, sabemos que não merecíamos.

A verdade é que a autoconfiança não aparece de repente. Ela não vem pronta. Ela se constrói. E, na maioria das vezes, ninguém nos ensinou como fazer isso.

É por isso que essa coluna está nascendo. Não para trazer respostas prontas, mas para abrir conversas que muitas vezes ficam guardadas.

Não para falar de mulheres perfeitas, mas de mulheres reais.

Acredito profundamente que muitas mulheres já são fortes, mas só ainda não se enxergaram assim. E quando isso acontece, tudo muda.

Muda a forma como ela se olha. Muda a forma como ela se posiciona. Muda, inclusive, a forma como ela permite ser tratada. Porque quando uma mulher se respeita, ela passa a exigir respeito de forma natural, firme, sem precisar se diminuir para caber.

E isso não é sobre confronto. É sobre consciência de valor. Autoconfiança não é ter certeza de tudo. É acreditar que, mesmo quando as coisas não saem como o esperado, você é capaz de lidar com elas. É confiar que, independentemente do que vem de fora, existe algo dentro que sustenta você.

E isso não fica só em você. Quando uma mulher cresce, ela leva outras junto. Quando uma mulher se fortalece, o ambiente ao redor também se transforma e essa coluna é um convite. Um convite para você se observar mais. Perceber como você tem se tratado. Como tem se enxergado. Como tem lidado com seus erros, suas cobranças e também com as suas qualidades. Porque a autoconfiança passa por tudo isso. Ela passa por se conhecer. Por aprender a se olhar com mais respeito. Por ajustar a forma como você se cobra. E por decidir, todos os dias, não desistir de si mesma. E não, isso não acontece de uma vez. É construção. É prática. É escolha.

Ao longo das próximas colunas, a ideia é caminhar juntas por esses pontos, sem ordem perfeita, sem fórmula pronta, mas com verdade.

Porque a mulher real não vive um roteiro ideal. Ela vive dias cheios, decisões difíceis, cansaço, dúvidas… e ainda assim continua, pois talvez o que esteja faltando não seja mais força. Talvez seja reconhecer a força que você já tem.

Essa coluna não é sobre quem já chegou lá. É sobre quem está no caminho.

E, se você se identificou com esse texto, talvez esse seja o seu começo.

Um começo mais consciente.

Mais firme.

E mais seu.

Entre nós, mulheres… nós vamos seguir juntas por aqui.

“Quando uma mulher cresce por dentro, o mundo ao redor começa a acompanhar.”