seca severa em ibirama

Seca severa em Ibirama atinge produtores rurais e motiva decreto de emergência

  • Foto: Luciano Cerin/ND Mais - ‘Tá fazendo falta’: seva severa compromete lavouras e preocupa moradores em Ibirama

Falta de chuvas regulares desde janeiro compromete lavouras de milho e afeta o abastecimento de água em localidades do Alto Vale do Itajaí.

O decreto de emergência em Ibirama autoriza a perfuração de poços artesianos e a mobilização de recursos sem licitação para enfrentar o exaurimento hídrico. A crise afeta a dessedentação animal e o consumo humano em áreas rurais como Carrapato e Caminho do Meio.

Impactos na produção agrícola e rotina no campo

A falta de chuvas significativas desde a primeira quinzena de janeiro levou a Prefeitura de Ibirama, no Alto Vale do Itajaí, a decretar situação de emergência. Pelo menos 70 produtores enfrentam prejuízos diretos com a seca severa em Ibirama, que compromete lavouras, reduz a disponibilidade hídrica e altera drasticamente a rotina rural. Conforme reportado pelo portal ND Mais, o milho está morrendo nas propriedades e lagoas começam a secar.

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“Tá fazendo falta, está tudo escasso, está tudo no limite”, relata o agricultor Serenito Tambani, morador da localidade de Carrapato. Segundo o produtor, o avanço da estiagem é visível e a água tornou-se um recurso cada vez mais difícil de encontrar. Em março, o volume de chuva registrado foi de apenas 28 milímetros, montante insuficiente para reabastecer nascentes e o lençol freático.

Medidas da Defesa Civil e exaurimento hídrico

O cenário é classificado como de “exaurimento hídrico” pelo Coordenador da Defesa Civil local, José Eduardo. O termo técnico descreve o momento em que a água disponível nos mananciais começa a se esgotar por completo. “Isso afeta pessoas que captam água diretamente do curso d’água para abastecimento humano, também para dessedentação animal, agropecuária. Então, inicialmente, a gente começou atendendo os agricultores e as pessoas que têm os animais”, explicou Eduardo.

Com o decreto de emergência, o município ganha agilidade para realizar ações imediatas, como:

  • Distribuição de água potável via caminhões-pipa;
  • Perfuração de poços artesianos;
  • Mobilização de recursos financeiros sem necessidade de licitação;
  • Solicitação de apoio técnico e financeiro aos governos estadual e federal.


Desafios para o consumo humano e recuperação do solo

A escassez já ultrapassa os limites das lavouras e atinge o consumo humano direto. Em localidades como Carrapato Alto e Caminho do Meio, ao menos 14 residências enfrentam dificuldades diárias para obter água. Nas plantações de milho, muitos agricultores tentam salvar o que restou para alimentar o gado, utilizando apenas a palha diante da ausência de grãos produzidos.

Especialistas alertam que a recuperação da região não será imediata com a chegada das primeiras chuvas. Precipitações rápidas tendem a escorrer pela superfície compactada sem infiltrar no solo para recompor reservatórios naturais. Para a reversão definitiva do quadro de seca severa em Ibirama, é necessário um período prolongado de chuvas regulares e brandas. Historicamente habituados a lidar com enchentes, os moradores do Alto Vale agora enfrentam o desafio oposto da crise climática.​