Clarinha: a nova variedade de banana registrada em Santa Catarina Descoberta por acaso em Luiz Alves, fruta apresenta menor teor de clorofila e maior competitividade comercial
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Foto: NSC TV/ Reprodução - Banana 'Clarinha' surgiu em plantação de SC —
Descoberta por acaso em Luiz Alves, fruta apresenta menor teor de clorofila, maior competitividade comercial e pode ajudar produtores na baixa temporada
Uma nova variedade de banana, batizada de Clarinha, foi oficialmente registrada no Ministério da Agricultura após ser descoberta em uma plantação em Luiz Alves, Santa Catarina. A fruta, que surgiu de uma mutação espontânea, passou por seis anos de estudos conduzidos pela Epagri. O diferencial da Clarinha é sua casca com 43% menos clorofila, o que garante uma aparência mais clara e atraente para o mercado consumidor.
Panorama da nova variedade e mercado
- Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA): O registro junto a este órgão federal é o passo jurídico essencial para que uma nova cultivar possa ser comercializada legalmente no Brasil, garantindo a proteção da propriedade intelectual e a identidade genética da planta.
- Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina): Instituição pública responsável por validar tecnicamente a descoberta, realizando testes de campo e laboratoriais que comprovaram a estabilidade da nova variedade ao longo de seis anos.
- Subgrupo Cavendish: A Clarinha pertence a este grupo, que engloba as populares bananas caturra e nanica, mantendo a mesma capacidade produtiva das variedades convencionais, mas com diferenciais estéticos significativos.
- Redução de clorofila: Testes científicos mediram que a casca da Clarinha possui 43% menos pigmento verde (clorofila) do que a caturra tradicional, o que impede que a fruta escureça precocemente nas prateleiras.
- Competitividade comercial: A nova variedade resolve um problema logístico e de vendas durante o inverno, período em que as bananas tendem a apresentar cascas mais escuras devido ao frio, fator que costuma afastar o consumidor final.
- Origem em Luiz Alves: A descoberta ocorreu na propriedade da família de Ricardo Rech, onde a planta se desenvolveu naturalmente entre pés de caturra cultivados há quase três décadas no Vale do Itajaí.
A origem espontânea e o papel da pesquisa científica
Conforme apuração original do portal G1 SC, uma mutação espontânea em uma plantação de Luiz Alves, no Vale do Itajaí, resultou no registro oficial de uma nova variedade de banana batizada de Clarinha. O fenômeno ocorreu na propriedade do agricultor Ricardo Rech, que notou características distintas em alguns pés de banana em meio à sua produção de caturra, mantida pela família há cerca de 30 anos. O que começou como uma observação empírica no campo logo despertou o interesse da comunidade científica catarinense.
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A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), órgão estadual vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura, iniciou o acompanhamento sistemático dessas plantas. O objetivo da Epagri é promover o desenvolvimento sustentável do meio rural por meio da pesquisa e difusão de tecnologias. No caso da Clarinha, os pesquisadores coletaram amostras em 2018 e as levaram para a estação experimental da instituição, onde foram multiplicadas e submetidas a rigorosos protocolos de análise para confirmar se as características eram permanentes e não apenas sazonais.
Diferenciais técnicos e o registro no Ministério da Agricultura
Após um período de seis anos de testes exaustivos, a ciência validou a percepção dos produtores locais. A nova variedade foi oficialmente registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Este registro é fundamental, pois o MAPA é a autoridade nacional que regulamenta a produção e comercialização de sementes e mudas no Brasil, assegurando que a Clarinha atenda aos padrões de qualidade e sanidade exigidos pela legislação agrícola vigente.
O engenheiro agrônomo Ramon Scherer, pesquisador da Epagri, detalhou que um dos principais métodos para a classificação da Clarinha foi a medição da clorofila na casca. Os resultados apontaram que a nova variedade possui 43% menos desse pigmento em comparação com a caturra tradicional. Segundo Scherer, essa característica é o que permite ao produtor oferecer um fruto com estética superior, atendendo a uma demanda específica do mercado por frutas que mantenham uma coloração vibrante por mais tempo.
Impacto comercial e a redução de clorofila na casca
A relevância comercial da Clarinha torna-se ainda mais evidente durante a baixa temporada. O agricultor Ricardo Rech ressaltou que, durante o inverno, o amadurecimento das bananas é mais lento e as frutas tendem a chegar aos pontos de venda com a casca mais escura. "No inverno é difícil vender a fruta mais escura, o consumidor sempre procura mais clara", afirmou o produtor. A Clarinha, por ter naturalmente menos clorofila, mantém o aspecto amarelado e limpo, aumentando sua competitividade nas gôndolas dos supermercados.
Pertencente ao subgrupo Cavendish, o mesmo das variedades nanica e caturra, a Clarinha não perde em produtividade para suas antecessoras. A manutenção do volume de colheita aliado ao ganho estético posiciona a nova fruta como uma alternativa estratégica para os bananicultores de Santa Catarina. Com o registro concluído, a expectativa agora gira em torno do lançamento comercial da variedade, que deve ocorrer em breve, consolidando mais um avanço da pesquisa agropecuária catarinense no cenário nacional.
Banana 'Clarinha' surgiu em plantação de SC —
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