Moradores de Ilhota enfrentam infestação de maruim há anos
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Picadas de maruim em Ilhota (SC) — Foto: Arquivo pessoal - Moradores de Ilhota enfrentam infestação de maruim há anos
Inseto obriga uso de roupas compridas no calor e preocupa autoridades de saúde em Santa Catarina
Moradores da área rural de Ilhota, em Santa Catarina, enfrentam uma infestação de maruim que se intensificou nos últimos anos. O inseto causa irritação na pele e pode transmitir doenças, levando a população a adotar medidas extremas de proteção mesmo em dias de calor intenso.
Destaques sobre a infestação
- Impacto na rotina: Moradores utilizam casacos e mantêm casas fechadas para evitar picadas, mesmo com temperaturas de 34°C.
- Riscos à saúde: O mosquito maruim é o principal transmissor da Febre do Oropouche.
- Causa biológica: O manejo inadequado de troncos de bananeiras após a colheita é apontado como o principal fator para a explosão populacional do inseto.
- Ações municipais: A prefeitura está contratando uma empresa para realizar testes experimentais com produtos de controle.
Impacto na rotina dos moradores de Ilhota
Conforme apuração original do portal G1 SC, habitantes da área rural de Ilhota, cidade com 17 mil moradores no Vale do Itajaí, convivem diariamente com o maruim há pelo menos 18 anos. O pequeno mosquito causa irritação, coceira e pode transmitir a Febre do Oropouche. No Morro do Baú, a situação é considerada insustentável nos últimos três anos, forçando as pessoas a usarem casacos para proteger a pele, mesmo quando os termômetros marcam 30°C.
Relatos de moradores indicam que as casas permanecem com portas e janelas fechadas, dependendo de ventiladores para amenizar o calor, que chegou a 34°C neste mês, segundo dados da Epagri/Ciram. Josiane Richart, moradora local há quatro décadas, afirma que o inseto sempre existiu, mas não era incômodo. Outra moradora, Tatiana Reichert, observou que a infestação piorou gradualmente após a enchente de 2008, que soterrou 32 pessoas na região.
Causas e fatores de proliferação do mosquito
O pesquisador Caio Cezar Dias Corrêa, doutor em zoologia pelo Museu Nacional da UFRJ e pós-doutorando na UFSC, explica que a catástrofe de 2008 pode ter contribuído para o aumento dos insetos devido ao acúmulo de matéria orgânica. No entanto, ele atribui o crescimento populacional principalmente ao manejo das plantações de banana, que são uma das bases da economia local. O mosquito da espécie Culicoides paraensis utiliza preferencialmente os troncos de bananeiras cortados como criadouro.
Segundo o especialista, a bananeira em si não é a culpada, mas sim a forma como o manejo ocorre após a colheita. Em ambientes preservados e sem ação humana, a espécie não apresenta explosões populacionais devido à competição com outros organismos. A Epagri ressalta que a proliferação ocorre em locais úmidos com muita matéria orgânica em decomposição, como brejos e pântanos. Atualmente, o órgão não possui dados que permitam confirmar o nível exato do aumento populacional nos últimos anos.
Busca por soluções e controle experimental
Até o momento, não existe uma substância com eficácia comprovada para combater o maruim, conforme informado pela prefeitura de Ilhota. Diante do cenário, o município está em processo de contratação da empresa Nório, de Joinville, para realizar testes técnicos em caráter experimental e controlado. O objetivo é avaliar um produto com potencial para controlar o inseto na região.
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A empresa selecionada já realizou testes semelhantes na cidade vizinha de Luiz Alves, após o município entrar em situação de emergência pela mesma causa em 2024. O projeto de pesquisa da empresa conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). A prefeitura de Ilhota buscou o contato direto com a empresa para tentar viabilizar uma solução para os moradores do Morro do Baú.
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