ENTREVISTA

Situação mais crítica já passou, mas precisamos manter o cuidado, diz Carmen Zanotto

Foto: Ricardo Wolffenbuttel / Secom

Há quase 30 dias como secretária de Estado da Saúde de Santa Catarina, a deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania) acumula bons números à frente da pasta. A fila por UTI de pessoas contaminadas com Covid-19, o volume de casos ativos da doença, e o mapa de risco do Coronavírus tiveram melhoras nas últimas semanas.

Apesar disso, acelerar a cobertura vacinal e garantir atendimento adequado a todos os catarinenses têm sido um problema. Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias (RCN) na manhã desta sexta-feira (30), Carmen Zanotto falou sobre vacina, impeachment, e novos decretos e portarias.

Rede Catarinense de Notícias - Santa Catarina teve uma queda na fila de UTI, mas que voltou a subir nesta quinta (29). O que representa esse aumento? A Secretaria deve fazer transferência de pacientes entre as regiões?

Carmen Zanotto - A gente já está fazendo a remoção dos pacientes do Meio-Oeste. Temos em algumas regiões com taxa de ocupação de menos de 100%, o que é muito bom, mas ainda temos pacientes que precisam ser removidos de uma região para outra. São três regiões que têm mais casos de fila, que é o Meio-Oeste, Sul e o Norte. Mas nas demais regiões a situação está sob controle.

RCN - Essas regiões com menor ocupação vão receber pacientes?

Zanotto - Estão recebendo. Em especial da região do Meio-Oeste, que estão sendo enviados para Chapecó, São Miguel do Oeste, Maravilha. Quanto mais perto, melhor será o procedimento de remoção. Alguns pacientes estão em hospitais de grande porte, como os regionais, intubados em leitos de enfermaria e tem uma pressão da família de permanecer naquela unidade hospitalar. Outros pacientes não têm condição clínica de remoção. Isso tudo mostra quanto a gente precisa manter o cuidado, em especial nos pequenos momentos, como lanches, confraternizações, pequenos aniversários. A situação mais crítica, a gente pode dizer com muita segurança, já passou, mas ela exige de todos nós muita serenidade e muito comportamento individual. Precisamos manter todo o cuidado.

RCN - Existe uma perspectiva de quando essa fila por UTI possa ser zerada?

Zanotto - Isso é muito dinâmico. Assim como já tivemos regiões zeradas com relação a vagas, esse desenho muda em menos de 24 horas em algumas unidades hospitalares. A gente acredita que a partir da semana que vem, se for mantido esse desenho e o mapa de risco hoje, a gente possa estar sem pacientes precisando de remoção na intensidade que já vivemos. Temos que lembrar que nós já tivemos 475 pacientes aguardando uma vaga de UTI. No começo de abril, nós estávamos com 290 e agora a média é de 25 a 45 pacientes.

RCN - Nesta sexta (30), encerra o atual decreto e a portaria que define as normas para cirurgias eletivas. As regras serão mantidas?

Zanotto - Para as cirurgias eletivas, a portaria já teve uma alteração dias atrás permitindo os procedimentos que não utilizem o kit intubação. Os estudos para a gente liberar as demais cirurgias estão sendo realizados. Estão suspensas as cirurgias eletivas que utilizam os mesmos medicamentos para os casos de urgência e emergência nas UTIs gerais e de Covid. [A regra serve] para evitar o risco de faltar medicamentos.

RCN - E quanto ao decreto?

Zanotto - O decreto será publicado ainda na noite de hoje [sexta] com revisão de portarias. Lembrando que é um decreto de transição em função da situação menos tensa com relação a vagas na rede hospitalar, com a redução dos casos de óbitos e também dos casos positivos. A gente está trabalhando a ampliação de horários para alguns estabelecimentos e também a retomada dos eventos.

RCN - A senhora falou sobre uma situação "menos tensa". Nos últimos 14 dias a gente tem um número estável de casos ativos, próximos a 20 mil. Não há uma preocupação de que esse número possa crescer novamente com essas liberações?

Zanotto - Tudo depende, se você ampliar alguns horários, consegue a retomada de alguns procedimentos da área econômica, sem deixar de lado os cuidados sanitários. Nós precisamos compreender que a nossa atividade e o nosso comportamento em grupo precisa ser revisado. As atividades em que a gente respeite o distanciamento, vá até o ambiente, se alimente naquele espaço, ouça uma música durante o jantar, mas que quando a gente sai da mesa coloca a máscara para circular no salão, a gente fica em mesa de até quatro pessoas e respeito o distanciamento entre as mesas, deve ser uma rotina até que a gente consiga imunizar boa parte da população. Eu quero aproveitar esse momento em que a gente está conversando para que as pessoas atendam ao chamado das prefeituras para vacinação. Nós deveremos ter doses suficientes para continuar a imunização para os trabalhadores da saúde e para a população de 60 anos ou mais. Todos aqueles que já estão nesses grupos prioritários, é muito importante que compareçam e sigam as normas de seus municípios.

RCN - Sobre a vacinação, existe uma preocupação com a segunda dose em função dos atrasos do Butantan. Vai chegar um novo lote para cobrir esse público?

Zanotto - Vai. Essa é a informação que a gente recebeu. Eu estive pessoalmente tratando desse assunto na quarta-feira, em Brasília. As remessas que estão chegando vão fazer a complementação de segunda dose para 12 municípios. Uma parte já está na distribuição junto com as da Astrazeneca. A informação é de que nas próximas horas, até segunda-feira, deveremos estar recebendo uma distribuição. O Butantan entregou mais 600 mil doses [ao Ministério da Saúde] e parte disso vai chegar a Santa Catarina.

RCN - Com novas remessas, a partir de maio poderemos ter a vacinação para profissionais da educação e pessoas com comorbidades?

Zanotto - Essas doses que chegaram e as próximas que chegarem nós já vamos iniciar a vacinação de pessoas com comorbidades. Lembrando que vamos iniciar pelas pessoas com síndrome de down, pelos pacientes que fazem hemodiálise, que fazem o deslocamento de um município menor para um maior para fazer a hemodiálise, também as gestantes e puérperas. E os professores, com certeza. Nós temos que vacinar os professores e os trabalhadores da educação. Nós temos que garantir desde a servente da escola, a merendeira, o pessoal da secretaria.

RCN - Mas ainda sem um prazo?

Zanotto - Se a Fiocruz conseguir processar 1 milhão de doses/dia, a gente vai ter por semana 5 milhões de doses. Avançando pelas pessoas com comorbidades, a gente consegue chegar mais rápido nos professores. Por isso nosso grande apelo, e quero aqui agradecer o trabalho de cada secretaria municipal de saúde, dos profissionais, que estão trabalhando sábado e domingo para garantir a cobertura vacinal.

RCN - A senhora vem da política e está gerindo a saúde do Estado. Qual a avaliação que a senhora faz sobre o processo de impeachment contra o governador afastado Carlos Moisés?

Zanotto - Quando eu aceitei vir para a secretaria, eu entendi que vinha cumprir uma missão. Eu não fiz nenhuma avaliação política das consequências de ter tomado a decisão de ajudar o nosso Estado. Eu estou cuidando da Secretaria de Estado da Saúde, junto com a equipe técnica, e para mim, neste momento, eu não posso misturar as tarefas. Estou na tarefa de enfermeira, de gestora estadual. Tanto é que estou afastada da presidência estadual do meu partido [Cidadania]. Eu tive que me afastar do partido por divergências na tomada de decisão.

RCN - Uma mensagem final?

Zanotto - Eu queria fazer um apelo para as pessoas: não deixem de comparecer à vacinação. Só vacinando a gente poderá ter dias muito melhores do estes.







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