SAÚDE INFANTIL

Obstrução Nasal, o que fazer?

Por Dra. Cristiane S. Schmitz, especialista em Medicina da família e em Pediatria

Você já se perguntou sobre a função do nariz e por que ele possui "pelinhos"?

Mais do que levar ar filtrado para os pulmões, o nariz o provê na temperatura certa. Para isso, tem uma boa área de mucosa, cheia de vasinhos, que transmite calor na sua passagem.

O ar também não pode chegar muito seco aos pulmões, sob risco de lesar os alvéolos. A vascularização e o muco - produzido por pequenas glândulas ali - lhe transmitem umidade.

As partículas do ar estimulam os cílios, que transmitem um sinal elétrico a nervos ligados a eles. Esse sinal chega ao cérebro pelo bulbo olfativo, que interpreta o odor. O ser humano percebe 1 trilhão de cheiros diferentes. Os aromas também ajudam a processar e a distinguir o sabor da comida.

Os pelos, retêm partículas pequenas como germes e esporos. As que são ainda menores acabam barradas pelo muco que reveste as narinas. Em seguida, são varridas por pelinhos minúsculos, os cílios, para a região da garganta protegendo o restante das vias aeras.

E a obstrução nasal? Como ocorre e como pode ser evitada?

A obstrução nasal é um sintoma muito comum na infância, ocorrendo principalmente nas mudanças de temperatura e podendo levar a dificuldade na respiração e na alimentação. Uma das causas mais frequentes é a inflamação da mucosa e a presença de secreção nasal, na maioria das vezes decorrente de gripes, resfriados ou alergia respiratória.

Outra causa é a presença de corpos estranhos, como grãos e pequenas peças de brinquedos. A criança pode apresentar, além da obstrução nasal, secreção purulenta e malcheirosa em apenas um lado do nariz, que persiste por vários dias. Deve-se procurar atendimento médico para que o corpo estranho seja retirado adequadamente.

Obstrução nasal crônica acompanhada de respiração bucal e ronco deve levar à suspeita de hipertrofia de adenoides e amígdalas. Ela deve ser avaliada para tratamento clínico ou até mesmo cirúrgico já que leva a vários problemas para a criança. Alterações no sono, mal rendimento escolar, dificuldade em exercícios físicos e atividades diárias que exijam mais esforço para respiração nasal. Além disso, pode contribuir para quadros de irritabilidade e alterações na concentração.

Caso a criança apresente dificuldade respiratória que continua após limpeza do nariz, associada à respiração gemente, batimento das asas do nariz, chieira, apatia, desinteresse pela alimentação ou por líquidos, palidez ou febre que não cede às medidas de controle, isso deve ser motivo de preocupação, e o médico também deve ser procurado.

Sempre devem ser questionados a idade, o tempo de aparecimento dos sintomas, os sintomas associados (prurido, espirros, rinorreia clara mucoide, clara tipo água de rocha, purulenta, presença ou não de sangramento nasal, dor de dentes, roncos, apneia do sono), se a obstrução é esporádica ou constante, unilateral ou bilateral, fatores de piora e melhora, entre outros, para se traçar as possíveis hipóteses diagnósticas e tratamentos.

Deve-se lembrar de que a criança com rinossinusite crônica deve ser investigada à procura de fatores predisponentes (infecções de vias aéreas altas de repetição, alergia, doença do refluxo, imunodeficiências, fibrose cística, malformações congênitas e aumento das adenoides) para o tratamento adequado.

Mudanças de hábitos, evitando mudanças bruscas de temperatura, fumaça, poeira, entre outros, são importantes para manter as narinas pérvias e desobstruídas.

Um passo muito importante a ser dado diariamente é a limpeza nasal com soro fisiológico. Tanto adultos, quanto crianças devem ter as narinas "lavadas "pelo menos 2 x dia na rotina normal. A lavagem nasal, evita obstruções, infecções repetidas e mantem a respiração mais fácil e sem alterar ou ressecar a mucosa da garganta. Leve como rotina ao seu bebê e seus filhos o ato de lavar o nariz. Muitas infecções podem ser evitadas com esse processo.

Lembre que sempre que ocorrer algum quadro de alteração na respiração do seu filho o pediatra deve ser consultado para orientações. Pode ser necessário somente a lavagem nasal, mas em outros casos, tratamentos específicos podem ser utilizados.

Um abraço carinhoso e até nosso próximo tema sobre saúde.

Dra. Cristiane S. Schmitz
CRM 19236SC
Especialista em Medicina da família RQE 20506
Especialista em Pediatria RQE 21169.







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