DIREITOS E DEVERES

O despotismo esclarecido do século XXI

O Código Brasileiro de Aeronáutica prevê que os Comandantes de voos comerciais têm o poder de decidir quem embarca ou não na aeronave

Novembro de 2020
Casal consegue viajar com coelho após briga ao ser impedido de levar animal.
O embarque aconteceu sob escolta policial.
Janeiro de 2022.
Família de Florianópolis consegue viajar com hamster após ser barrada em voo.
Animal foi adotado pela família para auxiliar no tratamento de TDAH da filha
e foi barrado em voo internacional para a Europa.
Março de 2022
Mesmo com decisão favorável da Justiça, funcionários da GOL Linhas Aéreas tentaram
barrar um casal de passageiros e um cão de suporte emocional, da raça buldogue francês,
na quinta-feira, 10, no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus (AM).


Em nome da dignidade da pessoa humana, as pautas progressistas estão tornando o mundo um verdadeiro zoológico, onde os animais mais estranhos são os humanos. Grande parte do Judiciário tornou-se os novos déspotas esclarecidos do século XXI, onde o ativismo tem cuidado de pautas individualistas e pouco humanitárias onde se anui transgressões de conduta levados pelo politicamente correto inventado por alguém que não tem menor consciência das necessidades sociais.

Ao elevar o animal de suporte emocional como recurso indispensável à terapia sem pensar que há outras pessoas no transporte aéreo, por exemplo, que talvez não gostem, tenham alergias ou até mesmo aversão ao animal e são obrigadas a viajar, por força de uma decisão judicial, com um coelho, rato ou cachorro estamos lançando conflitos pessoais para a sociedade e tornando o convívio entre as pessoas cada vez mais difícil e até odioso.

Os Animais de Assistência Emocional são animais que, segundo teorias da psicologia, oferecem conforto e ajudam no controle de doenças psiquiátricas, como depressão e ansiedade, fornecendo apoio ao seu detentor.

Vejamos que, mais uma vez, deturpamos as funções parentais. Ao que nos parece a psicologia tem buscado alternativas que agradem aos pais irresponsáveis. Ora, é no lar que se começa e se molda a edificação do ser, então, quando lançamos mão da criação dos filhos pelo trabalho, pelo descanso ao deixar o filho sob cuidados terceirizados para ir na academia ou cursos ou atividades que os lancem à segunda ou terceira opção estamos adoecendo mais nossos filhos. A chamada geração "nutela" é esta. Tudo dói, tudo ofende, tudo transgride e é motivo de judicialização para referendar sua dor e não a curar.

Parece-nos que há uma vasta quantidade e grande variedade de condições que afetam humor, raciocínio e comportamento humano. Todos nós possuímos algum tipo de patologia psíquica que desenvolvemos no transcurso da vida (depressão é uma delas e bastante comum), e nos tempos modernos já estamos nascendo com tais distúrbios.

Ora, aos passageiros com patologias severas somente é dado viajar se estão estáveis e se prevê que permanecerão estáveis durante o voo, o que deve ser indicado na certificação médica expedida por seu psiquiatra ou neurologista, ou seja, a dependência da estabilidade por um animal já rasga essa normativa. Suponha que o animal tenha algum problema no voo também, a crise do dependente do animal traça um problema ainda maior, não?

Aliás, o Código Brasileiro de Aeronáutica prevê que os comandantes de voos comerciais têm o poder de decidir quem embarca ou não na aeronave, segundo normativa da ANAC (Agencia nacional de viação civil). Então as decisões judiciais, dos déspotas esclarecidos e, talvez, midiáticos, simplesmente adotam a questão de se validar tratamentos à base da dignidade da pessoa humana a qualquer custo sem chamar a responsabilidade quem deve e facultando aos indivíduos viver como lhes aprouver - independente de outras leis - criando ainda mais conflitos e distanciamento social 9entre humanos).

A deturpação é grande, tanto é que preferimos viver com animais, quando é com a socialização que aprendemos de verdade. É na diferença com o outro que aprendemos sobre respeito e diversidade. Naturalmente. Sem pauta política ou judicialização. Sem hasteamento de bandeiras.

O mundo está diante da antropomorfização, que nada mais é do que atribuir características humanas a um ser não humano. Estamos elevando os PETs a um comportamento e responsabilidade humanos incompatíveis com animais. Hoje temos certidão de nascimento PET, testamento condicionado ao PET, casamento com PET (este caso já acontece na Austrália).

E claro, já ouvi: - Ah, mas é mais fácil cuidar de pet do que de criança. Evidentemente, primeiro que o animal não tem razão ou raciocínio para te enfrentar numa discussão. O animal apenas responde aos estímulos, não exige que se molde sua moralidade e não e exige que você renuncie a vontades próprias. Animal não exige perdão, não exige dedicação como outro ser humano, ele apenas requer comida. Verdade é que o valor intrínseco da pessoa resta perdido. Isso tudo nos revela nossa incapacidade de nos relacionarmos ente nós mesmos, nos revela a falha enquanto pais. A repartição do amor entre humanos está cada vez mais empobrecida, enquanto elevamos os animais. Bicho é bicho. Sua frustração também é passada ao animal que sofre com isso. O amor e a dedicação é o relicário de benção, não há terapia melhor que amor de pai e mãe. Que o discernimento volte sem castrações emocionais.







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