DIREITOS E DEVERES

O ativismo não passa de vitimização

Por DAMARIS BADALOTTI, Advogada especialista em Direito de Família e Sucessões, em Ciências Penais e membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família

"É preciso tirar a invisibilidade que a sociedade insiste em colocar sobre as pessoas mais velhas".

Socorro, onde é que para esse Planeta? Quero descer.

Nunca, nestes 15 anos de profissão foi tão difícil advogar ou estudar sobre os assuntos que são demandados em juízo. Paciência e resistência são provas duras de resistir.

Agora é a vez do ETARISMO. A vitimização hoje é pela busca da erradicação pelo preconceito da idade. Sim, as pessoas de idade, porque chamá-las de idosas pode ser ofensivo, estão reclamando serem rotuladas preconceituosamente como fracas e desprovidas de beleza, de serem lentas e dependentes.

Fafá de Belém, cantora famosa, grisalha e dona da risada mais famosas do Brasil, é a maior ativista do país contra o ageísmo (também chamado de idadismo ou etarismo). Em entrevista para revista on line 29hora, a cantora diz que "é preciso tirar a invisibilidade que a sociedade insiste em colocar sobre as pessoas mais velhas".

As crianças quando aprendem a ficar de pé, não caminham, correm até se equilibrarem e, enfim, andarem firmemente. Idosos, naturalmente cansados pelo decurso da vida, tendem a ficar mais lentos. Tendem a ficar mais quietos e, muitas vezes mais afastados da sociedade pela maturidade que lhes coloca à margem com o uma fuga diante de tantos barbarismos. Isso não é preconceito, é a natureza humana agindo. Só não envelhece quem morre. Só não se respeita outro ser humano quando se é mal educado, mesmo. Isso não é pela idade, é pelo caráter. Aliás, a vontade de isolamento tem sido comum em idades mais tenras, porque está chato demais conviver nesta sociedade cheia de dodóis.

A dependência e incapacidade funcional de um membro idoso da família pode provocar alterações na dinâmica e no ciclo vital familiar, mas nunca vi uma família que sempre foi cúmplice e amorosa abandonar seus ancestrais. Muito pelo contrário.

Certa vez, fui procurada por uma Senhora (com idade para ser minha mãe) e seus dois irmãos, porque seu pai havia ingressado em juízo pedindo alimentos. Imediatamente, perguntei sobre o relacionamento com o pai para que isso tivesse sido judicializado e não resolvido numa mesa com café e cuca.

Este pai, abandonou a mãe de meus clientes quando eles ainda eram novos e constituiu nova família. Os outros dois irmãos, da nova família, não foram mencionados no processo. Disto se extrai muitas informações. A dor dos filhos, que por lealdade à ex-mulher abandonada, não enxergavam mais o pai. É preciso entender que homem e mulher se divorciam, pais jamais. Também há a dor de ter o pai com outros filhos numa convivência sadia e diferente de si.

Verdade é que, por traz de um abandono à uma pessoa idosa, há uma dor familiar. Seja pelo próprio pai que abandonou os filhos, seja pela crença dos filhos ao abandono da mãe que os criou sozinha. Agora, na idade adulta dos filhos e na sua 'melhor' idade, aquele Senhor sentou-se com os filhos numa sala de audiência. Não se sentara com eles em Natais ou Páscoas, mas numa audiência com pessoas estranhas, juiz, promotor e advogados. Aquilo era repugnante. Ninguém fica invisível para ninguém, ninguém cria emoções negativas e ruins se a experiencia e convivência não propiciem esses atos malévolos. Ninguém é tão mal que não tenha alguém para amá-lo.

Às vezes, por traz de um cabelo branco, rugas cansadas, há um ser humano que não foi bom.

Promover ativismo para idosos que se sentem rechaçados da sociedade é uma atitude de quem realmente não se aceita como tal ou possui alguma história inacabada. A saúde e a alegria do idoso são frutos de toda a sua existência e, especialmente, de uma consciência tranquila. A mim, meus idosos favoritos sinto saudades todos os dias. Meus avós com suas histórias e jargões italianos. Seus ensinamentos uso. Ah, cabelos brancos e histórias daquele mundo passado me provocam pura nostalgia.







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