DIREITOS E DEVERES

Fogo no parquinho

Por DAMARIS BADALOTTI, Advogada especialista em Direito de Família e Sucessões, em Ciências Penais e membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família

"Posso não concordar com nenhuma de suas palavras, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las." Voltaire disse isso em 1776 aproximadamente.

Isso me leva a crer que a opinião sempre foi uma pedra no sapato da civilização porque quem manda não gosta de entraves e muito menos de ser criticado ou meramente questionado. Quem questionasse a Igreja era herege e banido, mas por morte na fogueira. Quem questiona ministro, político ou esquerdista é antidemocrático e fascista, logo, comete fake news. A melhor administração e a mais democrática não aceita críticas nem perguntas que possam trazer mero desconforto, esse é o lugar em que vivemos.

Opinião contrária virou notícia falsa (fake news). Por isso baniram o Trump das redes sociais, por isso cancelam pessoas com opinião, por isso tivemos a instauração do inquérito das Fake News pelo STF ao tipo inquisitorial (como na época da igreja) com prisões ilegais e processos totalmente inconstitucionais, por isso jornais e jornalistas independentes sofrem com patrocínios.

Não só as questões que vivemos hoje no Brasil aonde, a olhos nus, visualizamos a liberdade de opinião e expressão sendo tolhida, mas, agora, o assunto da vez é Elon Musk, o empresário que comprou o Twitter com a narrativa: "Espero que até meus piores críticos permaneçam no Twitter, porque isso significa liberdade de expressão". Será Musk a reencarnação de Voltaire?

Imediatamente o ativismo sociopata e antidemocrático orquestrou o discurso (ridículo) de que o valor da compra, $44 bilhões de dólares (R$ 214 bilhões de reais), fere os mais pobres e que bilionários não deveriam existir. Caros, não há solução simples para problemas complexos. Retirar o dinheiro por confisco ou doação dos mais ricos, não resolve nada porque sem produção não se produz riqueza. São falácias. E mesmo assim, no ano passado, Musk doou $30 milhões de dólares à caridade.

Aliás, o empresário, emprega em sua empresa Tesla mais de 99 mil pessoas. Certamente não é ele que contribui para a pobreza do mundo.

Mas, não poderíamos esperar reação diversa de gente burra, ignorante, mal informada ou vendida. Várias plataformas brasileiras iniciaram uma ação coordenada contra a compra do Twitter anunciado que será o fim da liberdade de expressão e que o valor envolvido na compra acabaria com a fome no mundo. O Facebook tem bloqueado postagens que falem sobre Elon Musk sob alegação de conteúdo sensível ou violento.

Primeiríssima observação sobre tudo isso, o PT desviou - conforme apurado na operação lava jato - 8 trilhões de reais. Ou seja, 37 vezes mais o valor da compra do Twitter. Sim, 37 vezes mais. Ah, mas o Lula teve os processos cancelados. Exatamente, ele foi condenado por três instâncias e por artimanha técnica - pra não dizer burla total à lei penal - o STF (de novo o STF) ajustou o reinício dos processos e então virou tudo em pizza pela prescrição. Mas inocente ele não é e não foi declarado!

Segundíssima observação é que liberdade de expressão não pode contemplar só os discursos canhotos. Com argumentos contrários fica difícil rebater contextos baseados na verdade, fatos, provas e lógica. Mas como dizem, o choro é livre.

Tudo o que estamos vivenciando e observando neste momento, tanto no Brasil como no contexto mundial, seja por Biden ou Putin ou Musk ou Trump, resume-se a uma única palavra: PODER.

Mesmo que os discursos sociopatas digam estar em defesa da democracia, o conceito puro e simples de democracia é sistema político onde o governante é eleito pelo povo. E através desse sistema o objetivo garantido constitucionalmente é a construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Convenhamos, não há como ser livre ou justo ou solidário se o STF considerar apenas o amigo do amigo de meu pai o cidadão apto para tal.

É lamentável ver um STF ativista agindo politicamente com pautas ditadas por senhores do dinheiro roubado do povo, ver um legislativo falso que pensa em resguardar a perpetuação do poder sem atear fogo no parquinho ou apagar a fumacinha inicial, quando é seu dever! Mas a reeleição é o que importa.

Os espetáculos na internet continuam. As atitudes draconianas continuam em TODAS as esferas de poder. O mau muda de roupa, mas está ali, todos os dias com a falsa tolerância e a falsa proteção à democracia porque, verdade seja dita, ser político profissional é a melhor e mais rápida maneira de enriquecer sem esforço, de calar a boca de um ou outro jornalista ou delegado que é comprometido com a verdade.

A compra do Twitter e a fala e Musk tem um significado profundo ao mundo: o salvo conduto à algumas classes para agirem como quiserem com o cinismo puro em ações ativistas e progressista agora não vão mais ecoar sem o contraditório. Bem vindos a nova era da liberdade de expressão. O fogo no parquinho iniciou agora.







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