SAÚDE

Doença do refluxo pode causar muita dor e desconforto, simulando até a dor do infarto

Dr. Éric Sanders, Especialista em Clínica Médica RQE 20414

Depois de ingerir alguma bebida ou alimento, você já teve a sensação de que o conteúdo do estômago retornou ao "peito" ou garganta? Esse é um sintoma do refluxo gastroesofágico, um problema muito comum que pode acontecer com qualquer pessoa. Estima se que até 40 % da população adulta apresentará refluxo em alguma etapa da vida.

Em alguns casos, ocorre de forma esporádica em função de o estômago estar cheio demais, ou por causa do tipo de alimento que foi ingerido. Ou ainda pode ocorrer de forma natural em bebês porque o seu sistema digestivo ainda não está totalmente desenvolvido, desaparecendo com o passar do tempo e podendo retornar na vida adulta de forma esporádica ou ainda aparecer somente em adultos.

Mas, alguns indivíduos experimentam essa sensação constantemente, o que se caracteriza como uma doença que precisa de tratamento.

Principais Sintomas:

Devido a presença de ácido, que é produzido normalmente no estômago, a manifestação mais frequente é a azia (queimação), referida como ardência, em algum ponto entre a "boca do estômago" e o pescoço, correndo por trás do esterno, o "osso do peito", dando a sensação de queimação no peito.

 A azia pode ser tão intensa levando a uma dor no peito, podendo causar impressão de infarto cardíaco. Pode ocorrer também um aumento da salivação (sialorréia), que é um reflexo natural, pois a deglutição da saliva alivia a queimação, como se fosse um antiácido natural.

Entretanto, podem ocorrer outras manifestações como:

? Regurgitação: percepção da volta do conteúdo do estômago, com sabor azedo ou amargo, até a boca, inclusive com presença de alimentos digeridos.

? Engasgos ou tosse forte e súbita, atrapalhando a respiração - pode despertar o paciente, sendo uma manifestação de refluxo mais severa.

? Tosse seca, pigarro, alterações da voz e até a falta de ar com chiado no peito, semelhante a asma.

? Sensação de "bola na garganta" ou dor forte em aperto no peito, que ocorrem por espasmos, em decorrência de contrações da musculatura desta região, sugerindo uma doença mais avançada.

A Doença do Refluxo Gastresofágico se desenvolve pela falha no fechamento de uma válvula que fica entre o esôfago e o estômago ou por hérnia do hiato.

Quando o conteúdo ácido do estômago atinge a mucosa esofágica, este tecido reage e inflama, originando pequenas feridas superficiais chamadas de erosões ou úlceras, levando à Esofagite de Refluxo. Processos inflamatórios de repetição podem levar ao estreitamento na passagem do alimento através do esôfago (chamado de estenose) e a complicações ainda mais serias como o Esôfago de Barret (alteração que pode levar ao câncer).

Diagnóstico:

Somente o relato do paciente adulto jovem já pode levar ao diagnóstico, sem necessidade de exames num primeiro evento.

A radiografia com contraste pode demonstrar tanto a presença de uma hérnia, quanto do refluxo.

A Endoscopia Digestiva Alta permite visualizar áreas normais ou inflamadas, além de alterações na válvula e a presença de hérnia. Esta também permite a coleta de material (biópsia), quando a suspeita do risco de câncer.

O estudo da musculatura e da pressão ao longo do esôfago e da válvula esofágica, é chamado de Manometria e a verificação de refluxo ácido no esôfago é chamada de pHmetria, sendo métodos mais precisos no diagnóstico e servem para selecionar quais pacientes podem fazer tratamento com medicamentos e aqueles com indicação de tratamento cirúrgico.

Tratamento:

Em geral, o tratamento é clínico, com medidas educativas associadas aos medicamentos.

1. Medidas dietéticas: Além de combater a obesidade, é importante evitar grandes volumes de alimentos às refeições e de deitar-se após as mesmas. Evitar bebidas alcoólicas, líquidos muito quentes, café e chás preto, chocolate, gorduras e frituras ajudam na diminuição dos sintomas.

2. Medicamentos: os mais usados são os que bloqueiam a produção de ácido pelo estômago (representados pelo omeprazol e similares) e os que diminuem o grau da acidez no estômago (os populares antiácidos).

Uma queixa importante dos pacientes é a volta dos sintomas, particularmente da azia, poucos dias após a suspensão dos medicamentos. Por ser uma doença crônica, o paciente pode ter períodos com e outros sem sintomas.

O mais importante além de fazer o controle com exames e consultas é manter o controle da dieta e qualidade de vida para melhora dos sintomas gerais evitando as complicações.

Deixe sua sugestão de tema para nosso próximo encontro e até breve.

Dr. Éric Sanders

CRM 19763 / SC

Especialista em Clínica Médica RQE 20414







EDIÇÕES IMPRESSAS



1218217951.png

 

Cabeço Negro
Rua 20, número 60 - sala 01 = Loteamento Helena B. Morro
Apiúna  - SC - Brasil
89135-000

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Cabeço Negro