DIREITOS E DEVERES

Divórcio, é culpa de quem?

'O amor é uma ato de vontade', São Tomás de Aquino

Muita gente acredita que ao advogado lhe agradam divórcios, afinal, o advogado ganha dinheiro com o processo seja judicial ou extrajudicial. Mas, ao contrário, a advocacia caminha, e já assim o deveria ser voltada à forma preventiva. Assim como fazemos check ups nos médicos para evitar um problema de saúde - às vezes, irreversível - na vida cotidiana, todas as decisões envolvem situações jurídicas (até mesmo aquele check up com o médico).

Mas com relação ao casamento estamos diante de uma sociedade que se diz pós moderna, porém, poderia ser avaliada como leviana ou infantil, pois a frase mais típica a demonstrar isso é "Qualquer coisa a gente separa." E talvez seja exatamente por isso que a sociedade se apresenta como vemos nos noticiários todos os dias.

Quem trabalha com Direito das Família está totalmente familiarizado com frases dessa ordem.

O que é facilmente verificável atuando em divórcios, é a observância de que não se tratava de um casamento aos moldes iniciais do casamento. A facilidade de contratar e distratar tornou os casamentos volúveis e descartáveis, mas mais ainda, uma experiência trivial sem qualquer esforço ou dedicação. Porque não "Se der errado a gente faz dar certo"? Estresse do dia a dia, problemas são normais na vida adulta. Situações sobre o trabalho/ emprego, situação financeira, filhos.

Evidentemente, é preciso entender que paixão é diferente de amor e tudo isso ainda é diferente da simples atração com cunho sexual. Paixão é percepção da adolescência é muito momentânea e superficial e a atração de cunho meramente sexual é a preponderância da natureza hominal.

Casamento é muito mais que isso. Casamento requer hierarquia, comprometimento, dedicação e compromisso.

Ah, Doutora! Mas acabou o amor.

Amor não acaba. É uma construção diária. O que acaba é a paixãozinha e a aventura adolescente. A vida não é e nem deve ser uma vida cheia de algodão? Ninguém aprende a andar se não cair e ralar os joelhos.

O que sustenta o casamento é vontade de dar certo. Os problemas começam quando o encantamento inicial vai embora. Mas o relacionamento adulto se torna mais profundo e significativo à medida que não se fantasia a perfeição do cônjuge. Também, há que se considerar que há uma interferência de caráter. Não se pode atribuir frustrações próprias ao parceiro. Muitas vezes, aliás, trazemos conflitos do lar originário, da união dos nossos pais, daquelas terríveis brigas a lealdade conflituosa.

É claro, que há dias que a gente quer um tempo, um minuto de paz, um espaço.

Porém, olhar para as relações humanas e vê-las como relações descartáveis não é modernidade é desvio de conduta, é infância que não quer tomar a responsabilidade da vida adulta. Divórcio virou carta na manga. É utilizável a qualquer momento. E isso é desastroso em qualquer sociedade, porque impacta a vida dos divorciandos, dos filhos, dos avós. Todos nós vamos continuar a conviver. Ninguém vive numa bolha. E todos os desajustes pessoais provocam uma rede de contatos, seja no despejo de sua frustração no trânsito, ou no trabalho, ou na escola, ou seu filho que convive com o meu levando os traumas para adiante.

Nós somos responsáveis por nossas escolhas. E isso inicia na família (quer você acredite nisso ou não). A família é a célula mater da sociedade. É por ela que se forma o indivíduo, e isso requer uma família estruturada. Relações destroçadas influenciam o mundo, sim! Ninguém vive numa bolha. De quem é a culpa pelo divórcio, somente você em sua intimidade e reflexão honesta saberão a resposta.







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