SAÚDE

Criança também tem enxaqueca?

Por Dra. Cristiane S. Schmitz, especialista em Medicina da família e em Pediatria

A enxaqueca parece doença de "gente grande", mas você sabia que muitas faltas escolares, dificuldade no aprendizado e alterações no sono estão ligadas a esse problema de saúde nas crianças. Um estudo feito em escolas na Índia em 2003 mostrou que mais de 20 % dos estudantes entre 11 e 15 anos de idade relatarem dor de cabeça recorrente, sendo as causas mais comuns: a migrânea (ou enxaqueca) e a dor de cabeça do tipo tensional (mochilas pesadas, estres, alterações de coluna).

Normalmente nas crianças essa dor é localizada de um lado só da cabeça, ocorrendo em crises, podendo ser acompanhada ou não de sintomas gastrointestinais (vomito, dor abdominal, inapetência etc.) com períodos assintomáticos entre as crises. Algumas apresentam inclusive, uma sensibilidade aumentada a luz(fotofobia).

A enxaqueca tem forte componente hereditário, afeta mais o sexo feminino do que o masculino exceto antes dos 10 anos de idade quando ambos são igualmente atingidos. Pode acontecer por modificações do apetite ou do comportamento e desencadeada por estresse, exercícios, determinados alimentos: chocolate, corantes, queijos, glutamato monossódico presente nos salgadinhos, condimentos, temperos e molhos prontos dentre outros. O relato de familiares que apresentam enxaqueca contribui na definição diagnóstica, principalmente nas síndromes onde a dor de cabeça não é a principal queixa e inclusive pode estar ausente.

Crianças encaminhadas ao especialista frequentemente já trazem um exame de imagem, porém raramente recebem uma orientação sobre o tratamento, que deve contar não simplesmente da prescrição de medicação para melhorar o quadro, mas de mudanças de rotina e de relacionar a dor com diversos momentos como : situações escolares e familiares, dificuldades acadêmicas, insegurança no relacionamento com colegas ou familiares , alterações na alimentação , alterações no sono , abuso de condimentos e alimentos processados.

Na verdade, sempre que temos uma criança com queixa frequente e recorrente de dor de cabeça devemos pensar na enxaqueca como diagnostico diferencial, dando importância a queixa relatada, já que isso irá interferir em sua vida adulta.

O tratamento conta com uso de analgésicos apropriados, medicações que podem ser usadas intranasal, mudança de rotina, adequação na alimentação, adequação do sono entre outras, sendo muitas vezes a psicoterapia associada ao tratamento.

Deverão ser encaminhadas ao neurologista pediátrico as crianças que apresentem episódios frequentes de enxaqueca (mais de dois ao mês), pois nestes casos deverá ser avaliada a instituição de tratamento continuado, se descartada outras causas de dor de cabeça.

Sempre que pensarmos em dores de cabeça na população infantil, devemos dar atenção ao que os pequenos relatam e nos mostram como sintomas associados. É muito importante não fazer a automedicação e sempre procurar o Pediatra para orientações.

Deixe suas dúvidas, críticas ou sugestões no @dracristianeschmitz e até breve em mais um tema sobre Pediatria.








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