EDITORIAL 521

Corrupção, o pior dos males

Essa cultura reflete diretamente em nosso sistema político gerando poderes legislativos carentes de credibilidade

Corrupção é degradar, fazer apodrecer aquilo que deveria ser decente. A corrupção é possível, mas não obrigatória mesmo que a encontremos em nosso dia a dia. A corrupção não é algo imposto, é sim uma escolha de pessoas que escolhem sempre obter alguma vantagem sobretudo. A corrupção não é um problema institucional ou político, é um problema cultural enraizado pela própria escolha.

Essa cultura reflete diretamente em nosso sistema político gerando poderes legislativos carentes de credibilidade, agentes políticos que não gozam de nenhum prestígio para com a sociedade que os escolheram, servidores públicos indicados e contaminados pelo sistema, resultando instabilidade, provocando uma enorme crise ética nos poderes que possuem seus agentes escolhidos pelo povo. Os poderes executivo e legislativo deveriam ser o símbolo maior da democracia representativa, mas, se os agentes políticos de tais poderes são escolhidos pelo povo, por que há uma crise de representatividade? Por que não há credibilidade nestes poderes? Por que tais poderes, que possuem os representantes escolhidos pelo povo sofrem do mal da corrupção?

A resposta é que as pessoas que escolhem os membros do executivo e legislativo, em sua maioria, não possuem capacidade para fazer uma escolha tão importante e, assim como os políticos que apenas representam a população e são um espelho desta, escolhem praticar atos de corrupção, pequenos atos que vão desde furar uma fila, comprar um produto falsificado, sonegar impostos. A corrupção é um mal que apodrece algo que deveria ser decente, este mal é uma escolha, e, nós, o povo, escolhemos praticar tais atos porque estamos culturalmente condicionados a praticá-los.

Cabe aos estudiosos de nosso tempo buscar soluções para combater a essa cultura de corrupção, soluções que façam com que a mesma não prejudique o sistema político e assim, não prejudique milhões de pessoas que dependem da boa administração pública para terem uma vida digna.

O que faz o ladrão é o indivíduo, que pode ser ladrão ou não, aproveitar a ocasião. Em outras palavras, a ocasião faz o ladrão só quando há uma decisão por ser ladrão. Não é a ocasião, mas o possível ladrão que decide. Portanto, é decisão e não circunstância.

Existe diferença entre o corrupto e o corruptor?

Aquele que suborna ou busca subornar em função de interesse próprio ou alheio é a fonte desse mal, mas aquele que se sujeita a corromper-se não possui nenhum caráter e quando se utiliza de função pública se torna o pior dos seres.

A solução do problema está em formarmos uma geração que repudie os atos de corrupção desde as menores práticas, como, furar uma fila de vacina ou comprar um produto falsificado, até as maiores, como, desviar verbas públicas e superfaturar obras. Assim teríamos uma geração consciente que estaria em constante vigília contra atos de corrupção e que os repudiaria.

A educação é o único caminho, mas diante de um sistema educacional com viés político como podemos fazer isso?

Paulo Freire disse que a educação transforma pessoas e estas pessoas transformadas possuem o poder de mudar o mundo. Pois é, e ele transformou com suas ideias a educação do Brasil para esse sistema falido que é aplicado hoje. Nossas universidades estão cheias de analfabetos que acabam por encher o mercado de trabalho com incompetentes funcionais, com algumas exceções.

 E daí, o que fazer?







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