SAÚDE

Cólicas, algo tão normal para o bebê e desafiador para os pais.

Por Dra. Cristiane S. Schmitz, especialista em Medicina da família e em Pediatria

As cólicas são normais! Você já ouviu essa frase inúmeras vezes. Mas com certeza já escutou que elas são causadas por inúmeros alimentos, situações, medicações, o que a mãe come ou deixa de comer etc. Vamos tirar algumas dúvidas e crenças desse sinal que o bebê apresenta naturalmente pela primeira vez entre os 15 dias e 1 mês de vida, ou seja, a partir desse momento o bebê inicia um período de irritação em algum momento do dia sem nenhuma razão especial.

Às vezes esse período normal de irritação acaba se transformando em períodos prolongados de choro contínuo que parece não se acalmar por nada. Esses episódios que testam o coração dos pais podem indicar que o bebê está com cólicas. Elas, por sua vez, podem ser sinais de várias situações: ingestão de ar na hora de mamar ou tomar o leite na mamadeira, que o bebê consuma alimentos que produzem muitos gases ou intolerância a algum alimento ou componente, causando normalmente dor abdominal e choro constante.

Mas como saber se é cólica mesmo? A cólica típica se manifesta como um ataque de choro forte, agudo, estridente e crescente. O bebê se estica, fica vermelho, vira a cabeça para os lados e se encolhe. A cólica normalmente tem um horário definido para ocorrer, sendo normalmente, mais frequente no período da tarde e início da noite. Ao contrário do que muitos pensam, esse incômodo nos bebês não está relacionado ao consumo de leite materno ou outra fórmula e costuma durar apenas até os 6 meses de vida.

É natural que os pais sintam se ansiosos sobre o desenvolvimento de seu recém-nascido e incomodados em não saber o que fazer ou em não saber o que esta causando a dor no seu bebê. Mas o mais importante é avaliar alguns sinais que nos mostram que realmente a cólica começou como: o bebê encolhe e estica as pernas, arqueia as costas, mexe muitos os braços e pernas, fica com o rosto corado ou avermelhado enquanto chora, fecha as mãozinhas parecendo estar com dor, fica com a barriga inchada e solta gases. Esse sintoma de cólica pode ser por causa do ar que o bebê que chora acaba engolindo, ou por precisar arrotar mais depois de mamar.

Ambos os sexos (meninos e meninas) são afetados igualmente, independentemente de serem alimentados com leite materno ou fórmula infantil. Acredita-se que a principal causa é a formação do sistema digestivo do bebê que, por ainda estar em desenvolvimento, causa dor e desconforto. Além disso, é importante cuidar da alimentação do seu pequeno. Pois, caso ele se alimente e não arrote, há risco de gerar refluxo e gases que também causam desconforto.

Algumas atitudes podem melhorar essa sensação de dor e são importantes aliados aos pais:

? contato pele a pele (mãe - bebê / pai - bebê) nas primeiras semanas de vida pode fazer com que os episódios de choro sejam menores conforme ele cresce.

? Alimente o bebê sempre que ele estiver com fome, não necessariamente seguindo horários fixos. Amamentação livre demanda é a maneira mais tranquila para mãe e bebê.

? Faça o bebê arrotar depois de cada mamada.

? Durante a mamada no peito ou na mamadeira, sente-se com a coluna reta para evitar que ele engula o ar.

? Se o bebê mama na mamadeira e apresenta cólicas, mude de mamadeira ou o bico dela. Há vários dispositivos que ajudam para não ocorrer o excesso de ar.

? Balance o bebê suavemente para acalmá-lo.

? Ande com o bebê em um canguru ou sling ou segure-o perto de seu peito. Tanto o movimento quanto o contato podem acalmá-lo.

? Coloque uma música baixinha, som de água corrente ou coloque sons que pareçam com o barulho que ele ouvia no interior do útero (há muitos sons disponíveis em diversas plataformas de áudio)

? Dê um banho morno no bebê.

? Proporcione momentos relaxantes para seu bebê, ele pode estar se sentindo super estimulado pela luz ou pelo barulho.

Mas lembre-se, às vezes o bebê vai chorar independentemente do que você fizer e isso depende muito também do seu estado emocional e de ansiedade. Cuidar de um bebê com cólica pode ser difícil e faz com que muitos pais se sintam ansiosos e despreparados, sem falar no estresse. Por isso, sempre que possível, peça e aceite ajuda da família e dos amigos que puderem ficar com o bebê por curtos períodos, proporcionando momentos de descanso para você. Converse também com seu Pediatra sobre formas de lidar com a frustração causada pelo choro constante e não se sinta culpada ao tentar acalmar o bebê. Segurar e confortar o bebê não é mimar, mas apenas uma tentativa de fazer com que ele se sinta melhor.

Alguns sinais de alarme são importantes no caso das dores nos bebês e necessitam avaliação do Pediatra: choro muito alto e estridente; lábios e/ou pele com uma tonalidade azulada durante o choro; vômitos repetidos ou perda de peso; diarreia ou sangue nas fezes; bebê mamando ou urinando menos que o normal.

Lembre -se que o bebê está se adaptando a nova vida fora do útero. Muitas coisas são diferentes nesse ambiente. Mas, se perceber que algo lhe deixa preocupada ou ansiosa, converse com o Pediatra.

Um abraço carinhoso e até breve em nosso próximo encontro!

Dra. Cristiane S. Schmitz
CRM 19236SC
Especialista em Medicina da família RQE 20506
Especialista em Pediatria RQE 21169.







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