SAÚDE INFANTIL

Quantas colheradas seu filho come?

Quantas colheradas seu filho come?

Com certeza uma das coisas que os pais mais se preocupam é sobre a alimentação; quantidade, tipos, variedades e se realmente o consumo está dentro da normalidade para o crescimento e desenvolvimento.

Sempre que recebo pais preocupados com a quantidade de comida que o filho come, tento entender qual é a dinâmica familiar. Normalmente criança não come tudo que colocamos no prato, ou melhor, tudo aquilo que desejamos que comam.

A maioria das famílias não tem um filho que come mal, e sim um que não come tanto quanto os pais desejam. Isso normalmente causa expectativa, frustração e uma sensação de impotência diante de uma criança que não come o que é oferecido e produzido com tanto amor.

Uma das questões que mais geram atritos é justamente a ideia de que a criança deve "limpar o prato", sendo que isso não é recomendado., afinal, quem serve os pequenos somos nós conforme nossa própria necessidade. É importante ressaltar que o dia a dia tem mais desafios do que qualquer livro de comportamento infantil possa descrever e nenhuma criança é igual a outra.

Na introdução alimentar aos 6 meses, vejo muitas famílias na expectativa daquele "bebê da propaganda": comendo tudo e chorando por mais! Obvio que até pode acontecer, mas geralmente e normalmente eles comem de 3 a 5 colheradas e estão satisfeitos. Não adianta fazer "aviãozinho", pular, correr, chorar, brigar, mandar comer etc. São atitudes que só afastam as crianças de uma refeição tranquila e realmente eficaz.

Diversos estudos mostram que a alimentação da família tem papel importante na criação de bons hábitos, por isso VOCÊ, deve ser o EXEMPLO. Não adianta levar à consulta e exigir que a criança coma frutas e verduras se a família não tem o hábito de comer. Pense naquilo que seu filho enxerga ao sentar-se à mesa? Como é o seu prato? A sua alimentação? Os seus hábitos alimentares?

A criança em geral deve ser estimulada a conhecer todos os alimentos desde a primeira refeição. Ou seja, cada alimento oferecido entre 10 e 12 vezes ficará gravado na memória e no paladar! Somente após esse número de exposições ele realmente saberá se "APRECIA OU NÃO". Estimule a autonomia do seu filho, pois quanto mais a criança estiver em contato com alimentos saudáveis e puder comer quando sentir vontade, maiores as chances de fazer isso de maneira natural nas próximas vezes. Uma dica é deixar as frutas expostas em um local visível e de fácil acesso. Normalmente eles acabam consumindo muito mais!

Outra situação muito importante é não fazer comparações com outras crianças ou dizer que ele vai ficar fraco se não comer, já que isso pode deixá-lo ainda mais desestimulado. O que normalmente faço são brincadeiras com os alimentos, dando vida aos mesmos ou então mostrando quais seus benefícios reais. Por exemplo: Sempre que minha filha come brócolis ela fala sobre o quanto irá ficar forte como o "Huck" (comparando a cor do brócolis com o personagem!) ou então que seus olhos ficarão muito mais brilhantes após comer a cenoura, ou ainda que dormirá um soninho tranquilo já que o alface lhe ajuda para isso.

Cada fruta e cada verdura tem uma história, um estímulo, uma maneira de se fazer conhecer. Mas é muito importante que sejamos conscientes de que hábitos alimentares são diários. Se não houver rotina nisso, a criança vai escolhendo aquilo que é mais fácil, mais açucarado, mais gorduroso etc.

Uma atitude que auxilia muito além da identificação com os hábitos diários é tornar os alimentos mais atraentes, variados e coloridos, A intenção, não é camuflar! Mas você pode fazer, por exemplo, frango com legumes variados, arroz colorido, macarrão com temperos naturais e molho de tomate orgânico. O que não pode acontecer é a criança não comer nenhum legume ou nenhuma verdura ou fruta

Em geral peço aos pais e cuidadores das crianças que não façam trocas que estejam fora do contexto da refeição. Com medo de deixar a criança "passar fome", alguns pais trocam a refeição principal por lanchinhos, frutas ou biscoitos. O que ocorre muitas vezes nas creches ou ambientes escolares também. Mas o ideal é montar uma refeição com alimentos. Você pode trocar a carne pelo ovo, o arroz pelo purê de batata, o feijão pela lentilha. Etc. Sirva aquilo que você fez para a família, mas use a criatividade. Muitas vezes a forma de servir o prato influencia a sensação de querer comer. Afinal, também comemos com os olhos!

Seu filho coime bem? Come frutas e verduras? Tem uma dieta variada? E você? Qual seu exemplo na alimentação?

Para mais temas me siga no @dracristianeschmitz e mande suas sugestões e dúvidas também.

Até nosso próximo encontro sobre temas de pediatria. Abraço!







EDIÇÕES IMPRESSAS



1218217951.png

 

Cabeço Negro
Rua 20, número 60 - sala 01 = Loteamento Helena B. Morro
Apiúna  - SC - Brasil
89135-000

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Cabeço Negro