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SAÚDE

Psoríase e suas afetações sociais

SAÚDE por Dr. Éric Sanders, Especialista em Clínica Médica RQE 20414

A Psoríase é uma doença de pele, relativamente comum, crônica e não contagiosa. E isso é o mais importante no contexto social. Muitas pessoas portadoras dessa alteração imunológica/ pele sofrem preconceito pelas lesões. Ela é cíclica, ou seja, apresenta sintomas que desaparecem e reaparecem periodicamente, dependendo de diversos fatores, dentre os mais comuns estão os quadros de ansiedade e estres.

É uma doença auto inflamatória da pele, na qual por predisposição genética, junto com fatores ambientais ou de comportamento, causam o aparecimento de lesões de pele avermelhadas e que descamam. Em até 30% dos pacientes essa inflamação pode acontecer nas articulações, levando à artrite psoriásica.

Também existe associação de psoríase com doenças cardiometabólicas, doenças gastrointestinais, diversos tipos de cânceres e distúrbios do humor, o que diminui a qualidade de vida do paciente e pode também, dependendo da gravidade, diminuir a expectativa de vida, se não tratada. O mesmo processo de auto inflamação que causa lesões na pele e articulações parece ser o responsável pelo aparecimento destas outras alterações.

 Geralmente os sintomas têm uma variação importante entre o mesmo grupo de pacientes, mas os mais comuns são:

? Manchas vermelhas com escamas secas esbranquiçadas ou prateadas;

? pequenas manchas brancas ou escuras residuais após melhora das lesões avermelhadas.

? Pele ressecada e rachada; às vezes, com sangramento;

? Coceira, queimação e dor;

? Unhas grossas, descoladas, amareladas e com alterações da sua forma (sulcos e depressões);

? Inchaço e rigidez nas articulações; em casos mais graves, destruição das articulações e deformidades.

Em casos de psoríase leve pode haver apenas um desconforto por causa dos sintomas, mas nos casos mais graves, pode ser dolorosa e provocar alterações que impactam significativamente na qualidade de vida e na autoestima do paciente.

Alguns fatores predispõem e pioram os quadros de psoríase, sendo os listados abaixo os mais comumente encontrados e que devem ser acompanhados e tratados:

? Histórico familiar - entre 30% e 40% dos pacientes de psoríase sabem ter familiar de primeiro grau com psoríase.

? Estresse - Um número expressivo de pacientes refere-se ao aparecimento ou agravamento das lesões após estresse agudo ou crônico, como perda de um familiar, por exemplo.

? Obesidade - excesso de peso pode aumentar o risco de desenvolver psoríase e pacientes com psoríase tendem a apresentar peso acima do ideal.

? Tempo frio - como a pele fica mais ressecada, a psoríase tende a melhorar com a exposição solar.

? Infecções diversas.

? Medicamentos, sendo os mais comuns os antimaláricos (ex. cloroquina), medicamentos para tratar hipertensão (ex. propranolol e outros betabloqueadores) e lítio (para tratamento do transtorno bipolar).

? Consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo - tendem a piorar as lesões existentes.

Existem diversos tipos de psoríase, algumas afetam pele, unhas e/ou couro cabeludo; mas há aquelas com manifestações sistêmicas, como articulações e outros órgãos. Cada tipo necessita de um tipo de tratamento e acompanhamento que varia desde consulta clínica/ reumatológica até acompanhamento dermatológico específico.

O tratamento varia conforme a gravidade e as manifestações. Cada tipo e gravidade de psoríase podem responder melhor a um tipo diferente de tratamento (ou a uma combinação de terapias). O que funciona bem para uma pessoa não necessariamente funcionará para outra. Dessa forma, o tratamento da psoríase é individualizado. Hoje, com as diversas opções terapêuticas disponíveis, já é possível viver com uma pele sem ou quase sem lesões, independentemente da gravidade da psoríase.

O tratamento é essencial para manter uma boa qualidade de vida. Nos casos leves, hidratar a pele, aplicar medicamentos tópicos apenas na região das lesões e exposição solar orientada podem ser suficientes para melhorar o quadro clínico e promover o desaparecimento dos sintomas. Nos casos moderados, quando apenas as medidas acima não melhorarem os sintomas, o tratamento com exposição à luz ultravioleta A ou ultravioleta B faz-se necessário.

A psoríase pode ter um impacto significativo na qualidade de vida e na autoestima do paciente, o que pode piorar o quadro. Assim, o acompanhamento psicológico é indicado em alguns casos. Outros fatores que impulsionam a melhora e até o desaparecimento dos sintomas são uma alimentação balanceada, o controle do peso e a prática de atividade física.

O paciente nunca deve interromper o tratamento prescrito sem autorização do médico. Esta atitude pode piorar a psoríase e agravar a situação, sendo de difícil controle em um novo ciclo de medicações.

Em caso de dúvidas sempre converse com o médico de sua confiança. A melhor maneira de tirar dúvidas sobre medicações, lesões e prevenção, com certeza é com o profissional que lhe acompanha.

 Até breve, em nosso próximo assunto sobre saúde.


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