DIREITOS E DEVERES

Constelações e processo de adoção

Por DAMARIS BADALOTTI, Advogada especialista em Direito de Família e Sucessões, em Ciências Penais e membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família

Seguindo o enredo da coluna da semana passada, os Tribunais brasileiros vêm mudando, ainda que paulatinamente, a forma de atuação considerando mais o contexto humano por detrás das demandas judiciais. O uso da técnica da constelação sistêmica está sendo aplicado no Judiciário, notadamente, na área das famílias.

A Constelação Familiar é um método psicoterapêutico desenvolvido pelo psicanalista alemão Bert Hellinger na década de 1970. No judiciário brasileiro, passou a ser utilizada na resolução de conflitos pelo juiz de direito, Sami Storch, no interior da Bahia.

A Constelação Familiar é um método psicoterapêutico que estuda os padrões de comportamento de grupos familiares através de suas gerações. Esse método explica que há uma repetição de comportamentos, de acordo com gerações, mesmo que de uma maneira inconsciente. Uma lealdade invisível. E o que isso tem a ver com o Judiciário? Ora, cada ato da pessoa que busca a resolução de um conflito está, em verdade, ligado nessas ordens superiores que guiam as relações humanas, então, em cada ato há todo o emaranhamento do contexto familiar. Segundo o método agimos de maneira automática e inconsciente para manter padrões familiares ligados a três leis de amor: hierarquia, pertencimento e equilíbrio. Quando falamos que as pessoas tendem a manter vínculos com o sistema familiar (no estilo o sangue fala mais alto), nos casos das adoções, em particular, justifica-se muito o sucesso ou o fracasso da mesma. Mas essas leis se aplicam a todos os movimentos que fazemos.

Hellinger leva uma questão sobre o tema: quando adoto por não poder ter filhos, quem precisa mais de quem? Trata-se de vaidade? De preencher algum vazio?

A lei da hierarquia neste caso indica que em toda família deve haver uma ordem natural e na adoção a família biológica é a primeira, simplesmente a vida partiu daí. Não se ignora a origem. O pertencimento segue na decorrência de que temos o direito inerente e irrefutável de pertencer à família biológica. Na lei do equilíbrio se defende que devem existir trocas igualitárias para que uma relação dê certo (dar e tomar).

A quebra dessas leis torna a adoção fracassada, pois tanto os adotantes quanto o adotado ficarão na busca da aplicação inconsciente dessas leis de amor e não conseguirão o convívio pleno e transformador da socio-afetividade. Isso quer dizer que as constelações sistêmicas reprovam a adoção? De maneira alguma. Elas buscam tornar as adoções em cases de sucesso, considerando que criança que já possui uma história que não pode ser apagada. Respeitar a jornada e a história de cada um. Adotar alguém deve ser visto e feito como um redirecionamento do amor que possuímos. O amor sabe intuitivamente para que lugar deve seguir.






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