RODEIO

Rodeio, 85 anos de história, uma cidade que mantém a cultura, o antigo ao lado do moderno

A história de 'Manzuco', a palavra do prefeito Valcir e uma entrevista exclusiva com a vereadora Claudia Moser

Foto: Gabriel Fruet

GABRIEL FRUET

Nestes 85 anos de emancipação política de Rodeio, nos remete a memória muitas pessoas que fizeram história na cidade, e muitas lendas que também passaram por lá. Hoje em dia, todos conhecem o Bairro Ipiranga, o Caminho dos Anjos do Sr. Paulo Notari (In memoriam), mas nesta matéria especial do Cabeço Negro, vamos contar um pouco da História do "MANZUCO".

E você amigo leitor? Já ouviu falar algo sobre o Manzuco de Rodeio? Para quem nasceu após a década de 80, as histórias que se ouve remetem a lendas urbanas, falam de que o Manzuco morava em uma Pedra, foi Picado por duas cobras cujo veneno não fazia mais efeito, e semeou praticamente todas as araucárias que existem hoje no Bairro Ipiranga. Será verdade?

Pois é, o que muitos não sabem, é que o Manzuco tinha uma ligação muito forte com o Sr. Paulo Notari, idealizador do Caminho dos Anjos, e agora iremos contar um pouco da história deste homem incrível que viveu até seus últimos dias em Rodeio.

Os relatos foram colhidos diretamente com a Família Notari (Filhos de Paulo e Ana Notari)

Uma pessoa muito carismática e importante para a família Notari, Antonio Mazzucco, nasceu em Urussanga no dia 24/12/1902, filho de João Maria Mazzucco e de Maria Mazzucco, Imigrantes Italianos. Viveu em Tubarão, e posteriormente veio ao Alto Vale do Itajaí, mais especificadamente na região norte, em Taió, e por lá viveu alguns anos, onde instalou uma empresa de ônibus, a primeira que fazia linha entre Taió e Rio do Sul.

Devido a problemas financeiros, vendeu a empresa e começou a trabalhar na construção da Estrada de Ferro de Santa Catarina, como peão de obras mesmo. Mas como era uma pessoa com alto conhecimento e cultura foi promovido a mestre de obras. Neste trabalho ele conheceu o Intendente de Rodeio, na época Sr. Silvio Scoz. Firmaram amizade e posteriormente "Manzuco" veio trabalhar em Rodeio nas propriedades do Sr. Sílvio Scoz.

Naquela época, ele que era um exímio seguidor de Getúlio Vargas, com a queda de Getúlio, ficou com medo de represálias e para não ser pego pelo exército, decidiu se esconder. Dessa maneira, o Sr. Silvio Scoz, que tinha um grande apreço por Manzuco, ofereceu abrigo a ele nas montanhas da "Piranga" (bairro Ipiranga hoje em dia), atualmente o local é próximo ao Eremitério e a Tirolesa. Lá, onde ele se estabeleceu, hoje em dia encontra-se uma fazenda chamada de "Fazenda do Manzuco".

A pedido do Sr. Sílvio Scoz, ele trabalhava como agricultor nas plantações e posteriormente na colheita de alimentos para as Irmãs Catequistas Franciscanas (na época o local pertencia as Irmãs e anos mais tarde foi adquirido pelo Manzuco).

Como ele não tinha nenhuma casa para ficar, ele se instalou em uma pequena gruta, em baixo de uma pedra onde morou por três anos, guardava suas economias na raiz de uma árvore. Depois que adquiriu a fazenda das irmãs, construiu uma casa pequena, e mais tarde construiu um chalé muito bonito.

O Primeiro contato com Paulo Notari (Criador do Caminho dos Anjos)

No período em que Manzuco estava no Ipiranga, a Mãe do Paulo Notari residia onde hoje é o Caminho dos Anjos, recebia muitos "caminhantes das montanhas" onde fornecia "pouso", alimento e abrigo então em um determinado dia, Manzuco parou ali, começou a conversar com todos. Um fato curioso, que na segunda vez que ele subiu o morro vindo do Centro de Rodeio, ele com seu cesto chamado de "Zerlo" que era carregado nas costas e cheio de sal era tão pesado que ao ser colocado da mesa, a mesa quebrou, e após este dia, sempre que passava por aí, parava para conversar.

As Picadas de Cobras

Após muitos anos, ele foi picado por uma cobra, e uma pessoa entrou em contato com a família Notari dizendo que ele estava doente, então essa pessoa o colocou na carroça e foram na casa do Paulo pedir socorro, pois Manzuco estava muito mal. Sendo assim, Paulo o acompanhou até o Hospital.

Quando se recuperou, passou-se mais alguns anos, e ele começou a ter mais contato ainda com Paulo, não diretamente com a casa, mas sim uma convivência mais amigável. E chegou um dia onde foi picado pela segunda vez, ele passou muito mal. E neste dia, uma caminhante passou por onde ele ficava, viu a situação dele e se aproximou. Manzuco então pediu para que esse caminhante o ajudasse e fosse chamar Paulo, pois havia sido picado por uma cobra. Então, Paulo foi busca-lo e Jeep e o levaram ao hospital, onde ficou internado por diversos dias, e chegaram a pensar que não iria melhorar, mas se recuperou, e para uma melhor reabilitação, ele ficou alguns dias na casa de Paulo e Ana Notari (Esposa de Paulo Notari) (nessa época já eram casados.

O "Manzuco"                                                                                                                                                                                                                Departamento de Cultura de Rodeio/Mazzuco com traje original (1983)

Manzuco era um homem muito higiênico, apesar de não ter banheiro e na casa dele, ele tomava banho diariamente em um riacho, as roupas ele mesmo lavava, a casa sempre muito limpa e organizada. No seu quarto, havia uma cama com uma colcha de retalhos, um baú onde ele guardava a roupa dele, os livros em italiano, seus documentos, uma arma (muito velha), um lenço vermelho de Getúlio Vargas, duas medalhas de honra ao mérito (não se tem registros do que era) e um tubo onde guardava as escrituras de suas terras.

Manzuco tinha por hábito, guardar muita lenha, porque achava que ia chover muito ou ia ficar muito frio e iria ficar sem fogo, então, metade da sua cozinha era seu estoque de lenha. Quando desmancharam sua casa por problemas estruturais, foram retirados quatro caminhões de lenha.

Com um nível de conhecimento e cultura considerado alto, ele cursou até o quinto ano em uma escola com a Filosofia de Dante Alighieri, onde aprendeu a ler, escrever, aprendeu matérias como aritmética e geografia. Nesta escola ele aprendeu tudo em italiano. Era muito inteligente em aritmética (matemática), sabia fazer diversos cálculos de cabeça, conhecia todas as tabelas de pesos e medidas, e foi uma das pessoas que ensinou Paulo a fazer o cálculo de cubagem de madeira. Gostava muito de ler, até mesmo conteúdos mais antigos e se mantinha informado através das notícias de rádio.

Uma curiosidade é que ele ganhou um Atlas, e através dele, decorou todos os continentes, os países de cada continente, qual a bandeira que cada país tinha, a metragem em KM² de cada país, seu idioma, sua moeda e a quantidade de habitantes. No Brasil, decorou todos os estados, capitais e principais cidades de cada estado e sabia a localização geográfica de cada cidade e estado.

Manzuco participou de diversos desfiles organizados pela prefeitura, era muito conhecido na cidade, uma verdadeira lenda viva.

Últimos anos do Manzuco

Aproximadamente quatro anos antes de falecer, ele acabou sofrendo um "derrame" (AVC - Acidente Vascular Cerebral), o que levou a ter mais contato com a Família Notari, passando praticamente a morar com eles. Porém, ele não gostava de dormir dentro de casa, então Paulo construiu um quarto dentro da "Tafona", onde ele guardava seus pertences e etc. Dessa maneira, ele passava o dia dentro de casa e a noite ia para o seu quarto. Com esse "derrame" ele teve uma paralisia parcial do corpo, depois de uns 4 anos teve um segundo derrame, que foi mais acentuado, e ficou diversos dias internado. E retornando pra casa, Paulo fez questão que ele dormisse junto a eles, pois precisava de cuidados especiais, mas ele não gostava muito da situação por se sentir constrangido, mas mesmo assim foi cuidado pela família. E num terceiro "derrame" ele foi hospitalizado e em três dias veio a falecer.

Foi velado na casa de Paulo e Ana, com todos os trâmites legais, considerado uma pessoa da família, inclusive foi enterrado no jazido da família localizado no Cemitério Central da Cidade. Faleceu em 02 de outubro de 1983.



Palavras do prefeito Valcir Ferrari para os munícipes de Rodeio

Nesta data tão importante que é celebrada a comemoração dos 85 anos de Emancipação Político Administrativa de Rodeio, no dia 14 de março, queremos primeiramente celebrar e

agradecer a todos que, com muito trabalho, se dedicaram para o desenvolvimento da nossa cidade. Estamos no Executivo para atender as necessidades dos nossos munícipes, procurando sempre oferecer uma melhor qualidade de vida para todos, cuidando das pessoas.

Para falar de Rodeio, temos que nos remeter a tempos remotos, pois desde que aqui chegaram os primeiros imigrantes tiroleses italianos, no ano de 1875 nossa história começou a ser traçada. Hoje, podemos falar com propriedade que foi uma história de muitas conquistas.

A bagagem cultural dos rodeenses é enorme, possuímos como língua cooficial, o Dialeto Trentino que também é patrimônio imaterial do município, nosso Pacto de Amizade com Fornace, na Itália, encurta as distâncias que um dia existiram entre nossos ancestrais. Hoje, também Rodeio é considerada a Capital Catarinense dos Trentinos, título outorgado pelo Governador do Estado de Santa Catarina, em 2019.

Nossa gastronomia é reconhecida pelo Brasil e até pelo mundo, possuímos restaurantes renomados, nossa produção agrícola é de qualidade, temos vinhos premiadíssimos e uma diversidade de produtores artesanais. Também não podemos esquecer do "Bonican", uma bebida trazida pelos nossos antepassados que hoje também se tornou patrimônio imaterial de Rodeio.

Se juntarmos nossa cultura, nossa gastronomia, nossa religiosidade uma Bella Città e um povo acolhedor, com certeza temos uma potência turística, temos nossa RODEIO.

Quem nunca ouviu falar do Caminho dos Anjos? Do nosso Museu de Usos e Costumes da Gente Trentina? Da nossa Igreja Matriz? Agora irão também ouvir falar dos Caminhos de Frei Bruno, uma rota interna que irá refazer a peregrinação do Padre Bruno, que viveu por muitos anos em Rodeio e que atualmente se encontra em processo de canonização no Vaticano.

Falar de Rodeio é falar de Educação, escolas que fizeram e ainda fazem história, pioneirismo com as aulas no contraturno escolar e projeto Maker, a conquista de uma escola de 11 salas é ainda o maior investimento do Governo Federal em nossa cidade, cidade que é a Casa Mãe das Irmãs Catequistas Franciscanas, quem perpetuam um legado de educação e alento levados para diversas partes do mundo.

Poderíamos escrever páginas e páginas falando de Rodeio, cidade que me enche de orgulho, lar da minha família e de meus ancestrais.

Parabenizo a Cidade e Povo de Rodeio, pelos seus 85 anos de Emancipação Político Administrativa!

Valcir Ferrari - Prefeito de Rodeio.




Presidente da Câmara de Vereadores de Rodeio fala ao jornal Cabeço Negro

Cabeço Negro: Vereadora Claudia Moser, como você se sente sendo no mesmo ano em que Rodeio comemora 85 anos de emancipação política Presidente da Câmara dos Vereadores de Rodeio?

Claudia: Muito feliz! Tenho muito orgulho da nossa cidade, da nossa gente! Muita gratidão em estar vereadora e este ano em estar Presidente da Câmara! Servir à cidade é um prazer pra mim, gerar valor para a vida dos nosso Rodeenses me traz muita alegria!

CN: Como será a Cláudia Moser presidente da Câmara?

Claudia: Será a mesma Claudia mulher e vereadora. Sempre pensando no bem comum da população, sempre pensando em fazer o melhor pelo nosso Município e munícipes. Eu sou alguém normal que pensa além do meu mundo, não quero apenas viver bem, quero que todos experimentem uma cidade melhor, acesso à saúde, educação e bem estar. Todo ser humano merece isso. Eu busco ser esse meio entre o poder público e a população!

CN: Quais os principais projetos que pretende realizar durante o seu mandato como presidente da Câmara?

Claudia: Vou continuar lutando pelos meus projetos políticos, fazer uma boa gestão em frente a câmara e ofertar o melhor possível aos nossos cidadãos. Minhas "bandeiras" não são políticas, são humanas. O bem estar animal, a valorização dos servidores públicos, o empoderamento feminino e o acesso à saúde são questões humanas e essenciais ao nosso dia a dia. Eu quero colocar projetos especiais em ação, dentro de cada área necessária à vida.

CN: Quais foram os principais desafios do ano de 2021 e o que se espera para 2022?

Claudia: Entender como funciona na pratica o Poder legislativo Municipal, saber o que podemos e o que não podemos fazer. Para 2022 esperamos trabalhar muito para conquistar o melhor para a nossa cidade! Saber que o povo confia no meu trabalho me conforta demais. Sempre fui transparente e isso faz parte dos meus valores, é intrínseco. 2022 será um ano de muitas oportunidades e realizações para todos nós. Um ano de esperança e de um olhar confiante para o futuro!

CN: Na sua visão, qual a principal conquista de Rodeio nestes 85 anos de emancipação política?

Claudia: Não tem como elencar apenas uma conquista nestes 85 anos para Rodeio. Foram muitas as conquistas alcançadas pelo nosso município, entre as principais podemos citar os investimentos em educação e saúde, ofertando qualidade de vida a nossa população.

CN: Deixe sua mensagem aos Rodeenses que estão comemorando os 85 anos de emancipação política de Rodeio.

Claudia: Desejo um Feliz Aniversário a nossa Bella Città Rodeio! Orgulho de ser cidadã Rodeense!! Orgulho de nossa cidade, de suas belezas e de sua história!

Nossa Rodeio está em um processo de desenvolvimento contínuo. Sei que não sou a única a me orgulhar de morar aqui. Por isso, divido essa alegria com todos vocês que se sentem da mesma forma. Sei que todos os Rodeenses, nascidos nessa terra ou aqueles que a adotaram como sua cidade, zelam por ela e a defendem.

Feliz aniversário, minha querida Rodeio! Parabéns pelos seus 85 anos de emancipação política!

CN: Obrigado por nos conceder essa entrevista.







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