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VIVER E CONVIVER

Luto 'Normal' e Luto Episódio Depressivo

Alguns indivíduos enlutados apresentam sintomas característicos de um Episódio Depressivo Maior

Vivenciar o luto, a dor da perda, para muitos é insuportável, ao menos em sua fase inicial. Sendo difícil reconhecer que o outro não está mais ali, em processo de franca negação da realidade, mas, ainda assim, apesar de toda a negação que se tenta empreender, a vida continuará e, em algum momento, esse sujeito terá de se adaptar a uma nova realidade, na qual o ser perdido já não desempenha mais as funções e os papéis que antes lhe cabia.

Mais, os acontecimentos na pandemia e outras formas de doenças que antecipam a perda de um familiar faz com que esse olhar sobre o luto ficasse mais evidentes para ter um melhor enfrentamento desses acontecimentos. Por esses fatos se pontua algumas diferenças entre saber se você ou um familiar está vivendo o luto num quadro de episódio depressivo maior (EDM) o que chamamos de luto patológico ou doentio, ou em um luto de uma reação "normal" a pessoa enlutada está razoavelmente bem, não entrando em algo mais sério, "ladeira a baixo", depressivo.

Como parte de sua reação à perda, alguns indivíduos enlutados apresentam sintomas característicos de um Episódio Depressivo Maior (sentimento de tristeza e sintomas associados, tais como insônia, perda de apetite e perda de peso).

Principais sinais e sintomas encontrados no luto

  1. Sentimentos: tristeza; raiva; culpa e autorrecriminação; ansiedade; solidão; fadiga; choque; anseio pela presença do outro; emancipação; alívio; estarrecimento; desamparo.
  2. Cognições: descrença; confusão; preocupação; sensação de presença; alucinações.
  3. Comportamentos: transtornos do sono; transtornos do apetite; comportamento "aéreo"; isolamento social; sonhos com a pessoa morta; evitação de coisas que lembrem a pessoa morta; passeio a lugares que lembrem a pessoa morta; portar objetos que pertenciam a ela; choro; hiperatividade.
  4. Queixas somáticas: vazio no estômago; aperto no peito; nó na garganta; hipersensibilidade ao barulho; sensação de despersonalização ("nada me parece real, inclusive eu"); falta de ar; fraqueza muscular; falta de energia; boca seca.

A presença de certos sintomas que não são característicos de uma reação "normal" de Luto pode ser útil para a diferenciação entre o luto e um Episódio Depressivo Maior.

Principais Diferenças entre Luto "Normal" e Luto com Episódio Depressivo Maior (EDM).


Também podemos falar das FASES DO LUTO, segundo PARKES, (1998) classifica em 5 estágios:

  1. Primeira fase (alarme) - se caracteriza pelo estresse e suas manifestações fisiológicas, como: aumento da pressão arterial e frequência cardíaca.
  2. Segunda fase (torpor) - o sujeito tenta proteger-se do desespero agudo, aparentando estar afetado apenas superficialmente.
  3. Terceira fase (procura) - busca pelo ser perdido.
  4. Quarta fase (depressão) - caracterizada pela desesperança em relação ao futuro assim como pelo retraimento social.
  5. Quinta fase (recuperação e organização) - por meio de adaptações, a pessoa consegue considerar uma continuidade de sua existência.

Nesse artigo não é possível esgotar as informações, cada pessoa vai trazer particularidades. Procurar ajuda psicológica nesses casos ajuda a resinificar e ter informações sobre a fase que a pessoa não está entrando num luto patológico e, se necessário, esclarecimentos sobre o seu estado psicológico. O aprendizado de novas capacidades, tanto a maneira de sentir, pensar, comportamentais, é fundamental para facilitar a readaptação do sujeito ao seu ciclo de vida, considerando que reformulações de papéis serão necessárias no sistema familiar e na sociedade, de modo geral.

Camilo, Ma. Andrieli - Terapia Comportamental Para o Luto. Fontes - (Zisook e Shear (2009); Hensley e Clayton (2008); Maccallum e Bryant (2008); Prigerson et al (2009); Parkes (1998.)


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