ENTREVISTA

Moisés nega renúncia e crê em salvação no tribunal misto

'Não será esse fato que nos impedirá de continuar governando o nosso Estado, fazendo o melhor para Santa Catarina'

Foto: Ricardo Wolffenbuttel / Secom

Após a aprovação do aceite do processo de impeachment pelo plenário da Assembleia Legislativa de SC (Alesc) nesta quinta-feira (17), o governador Carlos Moisés da Silva voltou a dizer que acredita na justiça sobre o caso - desta vez no tribunal misto - e negou que haja a intenção de renunciar.

Em entrevista, Moisés disse que não se sente traído pelos parlamentares e afirmou que muitos deles votaram desconsiderando o mérito. O governador acredita ainda que a formação de maioria pelo impeachment mudou a ideia de alguns deputados que queriam votar contra o processo.  

RCN - O senhor se mostrou confiante recentemente que contaria com os 14 votos na Alesc. Isso não aconteceu. Por que o Executivo não conseguiu aglutinar os votos necessários? 

Carlos Moisés da Silva - As bancadas iniciaram a votação de impeachment na ordem definida e não como acontece todas as votações ali na Assembleia, normalmente por ordem alfabética. Isso pode ter gerado um efeito de não votar com segurança. Mas a gente entende que a justiça vai ser feita no tribunal misto. 

RCN - O senhor disse que poderia contar inclusive com os votos do MDB, que votou em bloco a favor do processo. O que deu errado?  

Moisés - O relatório que foi votado pelo encaminhamento não aborda questões de mérito. Isso ficou claro. A gente percebeu que eles estavam votando apenas para seguir com o procedimento. Então também conto com eventuais votos dos membros em uma comissão mista. 

RCN - O senhor tem esperança de ser salvo no tribunal misto, mas do jeito que a Assembleia votou ontem poderia escalar cinco oposicionistas... 

Moisés - Eu acredito que essa composição é uma das questões que nós levamos para a ADPF [Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental] que está sob a relatoria da ministra [do STF] Rosa Weber para ser julgada. A gente acredita que na composição deputados também da minoria devem ser representados. Dessa forma, não teremos a representação de minorias, não teremos a representação partidária. Inclusive hoje o procurador-geral da República Augusto Aras se manifestou no processo da ADPF pela continuidade, sugerindo que ela deve ser recebida. A gente entende que essa ação e essa manifestação da Procuradoria-Geral foi muito boa aí no sentido de fortalecer o movimento que nós estamos fazendo. 

RCN - O senhor falou na tentativa de um governo de coalizão. Isso não foi aceito pelos deputados? 

Moisés - Essa coalizão não precisa acontecer diretamente com os nomes deles. O governo pode sim e já tem mudado os seus quadros até por sugestão da própria Assembleia. Já aconteceu lá no passado, e bem recente nós mudamos alguns representantes do primeiro escalão do governo por sugestão e posicionamento dos parlamentares. Essa conversa continua. Não há nenhuma dificuldade nesse sentido. 

RCN - Tem-se falado numa suposta renúncia de Moisés e Daniela para garantir a votação direta. Isso passa pela sua cabeça?  

Moisés - Isso nunca foi falado por nós. Entendemos que o governo tem feito exatamente o que nós prometemos aos catarinense, com entregas, com os melhores resultados da história recente de Santa Catarina, transparência, apresentação de contas, mesmo durante a pandemia, fazendo novas obras novos projetos. Não será esse fato que nos impedirá de continuar governando o nosso Estado, fazendo o melhor para Santa Catarina.  

RCN - O senhor chamou o caso de "tapetão" e de "tentativa de virada de mesa". Por que esse pensamento não foi levado a plenário? 

Moisés - Não era isso que se estava discutindo. Era o momento de discutir a legalidade da equiparação dos procuradores.





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