OPINIÃO

Erro histórico

01 Junho 2018 10:58:00

Seria importante que fizessem uma reflexão mais serena sobre sua responsabilidade perante a Nação

A greve dos caminhoneiros, independentemente das causas e da razoável justificativa, escancarou o grave problema estrutural do transporte nacional. Ao desprezar a construção de ferrovias e hidrovias, quando o senhor Delfin Neto (Ministro) no século passado, decidiu pelo fechamento de inúmeras ferrovias e abandono a própria sorte de outras, tornou-nos reféns do transporte rodoviário, algo inconcebível, em um país com 8,5 milhões de quilômetros quadrados e 209 milhões de habitantes. 

É uma irresponsabilidade histórica sujeitar a sexta maior população do planeta a insegurança alimentar resultante do desabastecimento provocado pela paralisação de um único setor de atividade. Com a frota de caminhões inerte e obstruindo vias, houve falência instantânea da logística de distribuição de produtos agropecuários e da agroindústria. Colocou-se em alto risco o fornecimento de gêneros de primeira necessidade, além do prejuízo na produção das fábricas, e um povo coibido em seu direito constitucional de ir e vir.

Os caminhoneiros prestam relevantes serviços ao País, que depende deles para movimentar a economia. Por isso, seria importante que fizessem uma reflexão mais serena sobre sua responsabilidade perante a Nação. Contudo, o maior problema não está no seu protesto e na forma como o externam, mas sim na incapacidade logística do país de prover as cadeias de suprimento.

No Brasil há muito tempo, não existe sequer trens de passageiros. Tivemos, desde a redemocratização em 1985, mais de 30 anos para corrigir os rumos do desenvolvimento da infraestrutura de transportes mas, nada foi feito. Para se ter ideia da incompetência de nossos governantes, a complexa construção do Eurotúnel, numa extensão de 50,5 km sob o mar, demorou apenas oito anos, entre a sanção do decreto autorizando a obra, em 1986, e a sua inauguração, em 1994. Já no Brasil ao longo do tempo, há numerosos empreendimentos frustrados, como o trem de alta velocidade entre o Rio de Janeiro e São Paulo e "sonhos" de hidrovias modernas que jamais saíram do papel. Apesar de nossas abundantes bacias hidrográficas, optou-se pela construção de rodovias ironicamente paralelas a rios navegáveis. Além da ausência de sistemas de transporte mais baratos e menos poluentes, parte expressiva da malha rodoviária está em situação precária.

Apenas com a boa vontade de nossos políticos seria possível acabar com a deficiência logística, que prejudica o agronegócio, ameaça a segurança alimentar e a saúde, barra exportações, limita o crescimento do PIB e causa danos aos setores produtivos e a sociedade, dotando o país de ampla e eficaz rede ferroviária e hidroviária com investimentos público-privados e com regras definidas e definitivas.

Com vontade política poderemos avançar muito na próxima década.



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