EDUCAÇÃO

Conhecendo diversão através da Física

27 Dezembro 2017 11:30:00

Professor desenvolve projeto em parceria com o Parque Beto Carrero, localizado em Penha, que permite aos alunos aprender física brincando

Qual professor nunca desejou encontrar uma maneira criativa, prazerosa e eficiente de ensinar seus alunos? Pois uma iniciativa desenvolvida em parceria com o Parque de diversões Beto Carrero, localizado em Penha (SC), tem permito que estes três aspectos sejam convertidos em resultados, ou, melhor dizendo, aprendizado. O Projeto "Física no Parque - Mecânica dos brinquedos", envolve estudo ao ar livre, diversão e debates acerca de teorias abordadas em sala de aula. A ideia, do professor Fábio Gomes Miranda, ganhou repercussão estadual e despertou o interesse da direção do Parque em ampliar o projeto para outras escolas.  

O professor conta que, além da disciplina de física, também foram trabalhados conceitos relacionados a matemática e a sociologia. O objetivo, diz ele, foi despertar nos alunos um olhar analítico dos movimentos mecânicos gerados pelos equipamentos do Parque. Fábio defende que o conhecimento da realidade somente se torna possível por meio de uma educação objetiva e de qualidade, baseada na prática, o que, neste caso, ele chama de turismo educacional.

As primeiras turmas a participar do projeto foram de alunos do ensino médio das escolas Estadual de Educação Básica Professor Júlio Scheidemantel, de Timbó, e Estadual de Educação Básica Osvaldo Cruz, de Rodeio, ambas pertencentes a Gerência Regional de Educação da Agência de Desenvolvimento Regional de Timbó. No total, nove turmas de alunos do primeiro ano do ensino médio foram até o Parque em visitas distribuídas nos meses de agosto, setembro e outubro.



COMO FUNCIONA

A primeira atividade dos alunos durante a visita é acompanhar uma palestra dos engenheiros responsáveis pela segurança e manutenção do Parque Beto Carrero. Os profissionais abordam aspectos específicos de cada equipamento, como conservação, curiosidades e tempo de uso. Os participantes também têm a possibilidade de fazerem questionamentos a respeito.

pós a apresentação, os estudantes são divididos em grupos para atividades práticas nas instalações do empreendimento. Cada grupo passa então a estudar o funcionamento de um dos brinquedos, desenvolvendo cálculos de dinâmica e mecânica cinemática, como velocidade adquirida, tipos de forças que atuam nos equipamentos e nas pessoas que estão usando.

Os engenheiros acompanham os alunos medindo as dimensões de cada brinquedo, velocidade e movimento, gerando dados que são compartilhados entre os grupos. Nesse contexto, explica o professor Fábio, conceitos de física e matemática estão presentes e diretamente relacionados com as atividades.

Posteriormente, todas as informações geradas durante os exercícios práticos são repassadas em sala de aula, onde os alunos debatem sobre o aprendizado, elaboram apresentações, fazem maquetes e explanações do trabalho para toda a comunidade escolar.



COMO SURGIU A IDEIA

O professor Fábio Miranda, idealizador do projeto, conta que a ideia surgiu a partir da necessidade de mostrar aos alunos que a disciplina de física poderia ser vista de maneira mais prazerosa, desconstruindo o conceito de que os assuntos da área são complicados e inacessíveis. Além disso, diz ele, era preciso mostrar que tudo aquilo que era estudado em sala de aula estava, sim, presente no dia a dia de qualquer pessoa. "Quis usar a física de uma maneira diferente. Para isso parti de uma pergunta: como vou usar isso na minha vida? Essa é uma das perguntas mais recorrentes por parte dos alunos", diz o professor. Ele conta que o maior desafio foi encontrar uma forma agradável e eficiente de mostrar que os conceitos de física estão em qualquer lugar, a todo momento.

Foi quando, durante uma visita ao Parque Beto Carrero, Fábio teve então a ideia de usar os brinquedos para comprovar que, mesmo servindo apenas para diversão, há muito trabalho de cálculo em física e matemática presente nos equipamentos. A partir daí começou um trabalho de contato e articulação com a direção do Parque. O objetivo num primeiro momento foi

informar sobre uma visitação que ele realizaria no local, mas que teria um cunho educacional. Ou seja, um grupo de alunos iria estudar física analisando os brinquedos lá existentes, e não iriam somente para se divertir.

Cristiano Maurício Pinheiro, executivo de contas da região norte do Parque Beto Carrero, relata que a direção do Parque foi procurada pelo professor, que dizia ter um projeto para apresentar à organização. "Inicialmente não tínhamos ideia da dimensão exata do projeto. Foi a primeira vez que fomos procurados para desenvolver uma atividade desse caráter na área de física. Em outras áreas isso já havia acontecido. Posso dizer que toda a diretoria ficou encantada com a ideia, que se mostrou audaciosa e inovadora" conta Pinheiro.

A ideia acabou ganhando uma proporção maior do que a imaginada, conquistando também o apoio imediato de um dos gerentes comerciais da organização, Alex Bonaretti, que ampliou as tratativas com os demais setores do Parque, agregando, inclusive, a participação de engenheiros da empresa.



APOIADORES

José Renato Leite, diretor da LDL Turismo de Ascurra, conta que foi procurado por Fábio, que precisava fazer uma viagem com seus alunos até o Beto Carrero.

Enquanto o professor explicava qual era a necessidade, Renato percebeu que se tratava de algo especial, que não seria apenas um passeio. "Em todo esse tempo que tenho a empresa, esta foi a primeira vez que recebi a solicitação de um serviço assim, de uma maneira que me tocou. Algo realmente diferente".

"Quem fez a diferença para que o projeto desse resultado foi a LDL Turismo. O diretor José Renato leite está sendo um parceiro de grande estima, já parceiro em outros projetos com meus alunos, ele com muito custo conseguiu o contato com a direção do Parque", salienta o professor Fábio. 



REPERCUSSÃO

A repercussão ultrapassou os limites do Parque e ganhou dimensões estaduais. O projeto foi pauta de matéria jornalística do governo do Estado de Santa Catarina, que elogiou a iniciativa. A gerente regional de Educação da ADR de Timbó, Claudete de Fátima Bauer, ressalta que o que mais chamou a atenção quando o professor Fábio apresentou o projeto à Gerência Regional de Educação, foi a possibilidade de relacionar aprendizado e diversão. "A atividade proporcionou aos alunos o ensinamento além da sala de aula. Nos alegra saber que os professores de nossas escolas estão inovando e buscando oferecer às crianças e aos jovens uma maneira diferente e mais divertida de aprender", destacou Claudete.



O RESULTADO

Victoria da Veiga, Jeniffer Carolina e Viviane Sardanha são alunas da escola Estadual de Educação Básica Osvaldo Cruz, de Rodeio. Elas contam como foi a experiência de ir ao Beto Carrero e aprender física com diversão. A maioria dos professores, diz Victoria, considera que a disciplina de física, ou qualquer outra matéria, se resume a estar na sala de aula transmitindo informações. "Nosso professor Fábio mostrou que a física está em todos os lugares. Que é muito mais do que fazer contas, podendo estar até mesmo nos brinquedos de um parque".

A jovem Jennifer, por sua vez, afirma que a partir de agora poderá explicar aos demais colegas que a sala de aula não é necessariamente o único lugar para aprender sobre determinado assunto, e que há outras maneiras de abordar temas considerados complicados. "Física, assim como outras matérias, também pode ser divertida", diz ela.

Viviane revela que antes de participar das atividades do projeto, considerava que ir até o Beto Carrero para aprender questões relacionadas à física, seria apenas mais uma atividade chata e desinteressante. "Pensamos: nós vamos lá só para fazer contas. Porém, na realidade não foi isso. Foi uma experiência muito positiva ir para um parque de diversões e mostrar que é possível aprender fora da sala de aula", diz a estudante.

As três são unânimes em dizer que chegaram a um resultado interessante, com a união de todos os alunos voltados à realização do projeto. Teorias que não foram possíveis aprender na sala de aula, dizem elas, ficaram mais claras nas tarefas realizadas no local.

Pinheiro, revela que conversou com os alunos após a realização das atividades, e afirma que foi possível perceber que o grupo ultrapassou a questão teórica, vivenciou na prática os conceitos presentes nas atividades cotidianas. "Para o Parque Beto Carrero, isso foi algo muito positivo. Conseguimos juntar o lúdico, que é a brincadeira, com o prático", diz ele.

Pinheiro, do Parque Beto Carreiro, acredita que o programa será estendido para outras escolas de Santa Catarina e também do Brasil. "É um projeto muito bom, inovador. A ideia é dar continuidade, realizando novas ações. Usar a estrutura do Beto Carrero para desenvolver atividades pedagógicas", diz o executivo.



O IDEALIZADOR 

Meu nome é Fábio Gomes Miranda, tenho 40 anos. Leciono na rede pública de ensino de Santa Catarina há cerca de cinco anos, nas disciplinas de química e física. Posso dizer que a cada dia que passa me apaixono mais pela educação. Trabalhei durante 17 anos como faturista e consultor hospitalar, mas foi na educação que me encontrei. 

Quando comecei a dar aulas percebi a aversão dos alunos quanto às disciplinas de exatas. Foi aí que decidi elaborar uma metodologia que fosse eficiente e prática. Os conceitos, teorias, definições, cálculos e dados apresentados em sala de aula precisavam ter um formato mais agradável, colocando, na medida do possível, a prática dentro da realidade dos meus alunos. 

A cada ano fui moldando meu plano de curso, dentro da proposta curricular, criando artifícios para que os alunos de alguma forma gostassem cada vez mais de estudar física e química. Comecei a realizar experimentos práticos em sala de aula e também no entorno da escola, despertando para outros projetos que evolvessem os estudantes do ensino médio. 

Fizemos, por exemplo, uma viagem para o Rio Grande do Sul para falar sobre conceitos das duas disciplinas que ministro. Na serra gaúcha, onde ainda existem algumas locomotivas em funcionamento, foi possível abordar teorias de física a partir do uso do vapor. Já nas vinícolas, foram abordadas questões relacionadas à química. Também visitamos o Museu da Ciência e Tecnologia, em Porto Alegre, além de fazer um passeio pela parte histórica da cidade. 

Mais tarde, surgiu a ideia do projeto desenvolvido no Parque Beto Carrero, para trabalhar os conceitos de física, com abordagens também de matemática e sociologia. Como moramos a 90 quilômetros da cidade de Penha, onde está situado o Parque, lancei a proposta do projeto para os meus alunos e eles adoraram a proposta. 

Estou feliz com a repercussão positiva que está tendo. Espero poder ampliar as atividades desse projeto, alcançando um número maior de estudantes.




O PARQUE

Menino pobre, nascido no interior do estado de São Paulo, desde pequeno Beto Carrero gostava de parques. Contava, inclusive, que ajudava a descarregar e a montar os parques que apareciam na região onde morava em troca de um ingresso. Ou vendia caramelos até que juntasse dinheiro suficiente para comprar uma entrada.

Foi músico sertanejo, apresentador em shows de rádio, vendedor de anúncios. Construiu com seu empreendedorismo e incansável força de vontade uma agência de propaganda que chegou a ser uma das 20 maiores do Brasil.

Porém, muito tempo depois, já famoso em função e seu show de Cowboy e sua fama de publicitário, Beto Carrero fez uma viagem à Walt Disney World. Encantado com a beleza dos parques temáticos, Beto acreditava que no Brasil também poderia ter algo semelhante. Ele não queria apenas desenvolver um parque, mas sim um destino turístico. Decidiu então colocar seu sonho em prática em Santa Catarina.

Penha, a cidade escolhida pelo empresário para abrigar seu destino turístico, era na época uma colônia de pesca, com apenas oito mil habitantes. A pequena cidade não possuía opções de lazer. Para tornar-se destino turístico, era necessário promover o desenvolvimento de todo o local. O litoral catarinense, além de brasileiros, atraía estrangeiros, como argentinos e uruguaios. Porém, esse fluxo se resumia há cerca de dois meses. Não havia resorts e outras estruturas de lazer. A única opção de diversão, era a praia.

Para promover a região, Beto Carrero fez parceria com a Santur, órgão oficial de turismo do Estado, e com a prefeitura de diversas cidades. Com isso, ajudou também a valorizar a Oktoberfest, divulgou a peregrinação religiosa de Santa Paulina, em Nova Trento, além de promover e apostar no sucesso de Balneário Camboriú.

Com passar dos anos, o parque Beto Carrero World cresceu consideravelmente e é atualmente o maior parque temático da América Latina e o quinto maior do mundo. Desde a inauguração, em 28 de dezembro de 1991, já foram investidos aproximadamente US$ 120 milhões nas atrações.


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